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A hidra de Lerna

 
Héracles e a hidra de Lerna
τὸ τρίτον Ὕδρην αὖτις ἐγείνατο λυγρὰ ἰδυῖαν
Λερναίην, ἣν θρέψε θεὰ λευκώλενος Ἥρη
ἄπλητον κοτέουσα βίῃ Ἡρακληείῃ.
καὶ τὴν μὲν Διὸς υἱὸς ἐνήρατο νηλέι χαλκῷ
Ἀμφιτρυωνιάδης σὺν ἀρηιφίλῳ Ἰολάῳ
Ηρακλέης βουλῇσιν Ἀθηναίης ἀγελείης.

Além disso, em terceiro lugar, versada no mal, gerou a Hidra de Lerna, onde a criou a deusa de alvos braços, Hera, terrivelmente irada com a força de Héracles. E matou-a o filho de Zeus, Héracles, com o implacável bronze, em companhia de Iolau, dileto de Ares, descendente de Anfitrião, pelos desígnios de Atena condutora-do-saque.

A segunda façanha de Héracles sob as ordens de Euristeu foi acabar com a hidra de Lerna.

A Hidra era uma serpente gigantesca e de muitas cabeças, que aterrorizava a região de Lerna, na Argólida. Filha de Equidna e Tífon, tinha por irmãos Cérbero, o cão do Hades; Ortro, o cão monstruoso de Gérion, e a Quimera.

A picada da Hidra era extremamente venenosa e contra o veneno não existia antídoto. Quando uma cabeça era cortada, outra nascia em seu lugar, e além disso uma delas era imortal.

Héracles atacou-a com o auxílio do sobrinho Iolau, filho de seu meio-irmão Íficles. A cada cabeça decepada, a ferida era cauterizada com o fogo de um archote, impedindo assim que voltasse a nascer. A última cabeça, que era imortal, foi colocada em um profundo buraco, em cima do qual Héracles ainda pôs uma enorme pedra.

Durante a luta, Hera enviou um gigantesco caranguejo para atrapalhar o herói, mas ele simplesmente esmagou-o com o pé. Morto o monstro, Héracles embebeu a ponta de suas flechas no sangue da Hidra, tornando-as para sempre venenosas.

Em versões tardias, a Hidra e o caranguejo foram colocados entre as estrelas, formando duas constelações vizinhas, respectivamente Hydra e Cancer. Hydra é a maior das 88 constelações conhecidas atualmente, e já estava presente no catálogo estelar de Ptolomeu.

A mais antiga referência ao segundo trabalho é a Teogonia de Hesíodo (Hes. Th. 313-8, ver epígrafe acima). Eis outras fontes importantes: Estesícoro (F S15.col2.5-17), Eurípides (HF. 419-24), Pseudo-Eratóstenes (Cat. 11), Pseudo-Apolodoro (2.5.2), Diodoro Sículo (4.11.5) e Pausânias (2.37.4).

Iconografia

A mais antiga representação deste trabalho é uma fíbula de bronze do final do século -VIII; Héracles, Iolau, a Hidra e o caranguejo, todos estão lá. Diversos vasos de Corinto, da Lacônia e de Atenas, nos dois séculos seguintes, mostram variações da mesma cena. A Hidra tem sempre numerosas cabeças e, com uma certa frequência, Iolau e o caranguejo não aparecem (cena "reduzida").

A métopa que representa esse trabalho no templo de Zeus em Olímpia (-470/-457) mostra apenas Héracles e a Hidra.

Influências

A Hidra inspirou o dragão de sete cabeças e dez chifres mencionado no Apocalipse de João (Ap. 12:3-4 e 15-6). O dragão foi combatido por São Miguel e dois anjos (Ap. 12:7).

E Jorge Luis Borges falou dela em um dos capítulos de seu Livro dos Seres Imaginários (1974).

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