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Introdução
Filho de Zeus e de uma mulher mortal, Alcmena, Héracles (gr. Ἡρακλῆς) era descendente de
Perseu. Alcmena era filha de Electríon, rei de Micenas, que por sua vez era filho de
Perseu. Como Perseu era filho de Dânae e Zeus, Héracles era a um tempo irmão e bisneto
do vencedor da Górgona.
Dotado de imenso vigor físico, sua força se tornou proverbial. Realizou proezas
incríveis, armado com a característica clava, arco e flechas e quase sempre vestido
com uma pele de leão. Nada resistia a ele. Derrotou monstros antes invencíveis,
conquistou cidades e seus reis, venceu em combate os próprios deuses. Suas façanhas
mais famosas foram os 12 trabalhos, que efetuou a mando de seu primo Euristeu,
instigado pela ciumenta deusa Hera. Tantas foram suas aventuras, que os antigos já
organizavam as histórias sobre ele em três grupos: os trabalhos (gr.
ἆθλοι), as proezas (gr.
πράξεις) e as
façanhas paralelas (gr. πάρεργα) aos
trabalhos.
Após uma vida movimentada e cheia de aventuras, o corpo terreno de Héracles morreu.
Os gregos acreditavam, no entanto, que depois sua "parte divina" havia ascendido ao
Olimpo e que ele, até então um simples herói[1], havia
conquistado a divindade.
A figura de Héracles, desse modo, permeava tanto o domínio ctônico, da terra,
próprio aos heróis, quanto o domínio divino, próprio dos deuses. O poeta Píndaro
chamava-o, muito apropriadamente, de herói-deus (Pi.
N. 3.22). Seu culto existia em toda a parte, menos na
ilha de Creta; na mesma festa ofereciam-lhe sacrifícios primeiro como
herói e depois como deus (Burkert, Religião ..., p. 405).
Fontes
As mais antigas menções à lenda de Héracles estão na Ilíada (v.g. Il.
5.392-404, 8.362-9, 19.95-133) e na
Teogonia, de Hesíodo (v.g. 289-94, 526-34), mas são
muito breves. De modo geral, a maioria das referências textuais antigas se perdeu;
atualmente, nossa melhor fonte é um "resumo" tardio, escrito pelo
Pseudo-Apolodoro (2.4-7) no século -II. Os
documentos iconográficos fornecem, também, muitas informações sobre Héracles, e
algumas imagens representam até mesmo episódios não relatados pelas fontes
literárias.
Iconografia
Durante o Período Arcaico, Héracles e suas heróicas aventuras constituíram um dos
temas mais populares entre os artistas gregos; seus atributos habituais eram a barba,
a pele de leão e a clava, notadamente (fig.
053), além de olhos um tanto salientes. Durante o século -IV, sua
popularidade diminuiu consideravelmente e o aspecto humano do herói passou a ser mais
valorizado — ele era, em geral, representado sem a barba e, algumas vezes, até
mesmo sem as armas características.
Literatura
Três tragédias gregas sobre o mito de Héracles chegaram até nós, duas de Eurípides
(Héracles e Os Heráclidas) e uma de Sófocles (As Traquinianas).
Sua influência na literatura é grande, e a a quantidade de obras literárias baseadas
em sua lenda é espantosa e ocupa um livro inteiro (ver Galinksy, 1972).
O tema influenciou até mesmo romances policiais... a novelista inglesa Agatha
Christie inspirou-se nos doze trabalhos de Héracles para compor doze
contos policiais, reunidos na coletânea The Labours of Hercules (1947), com o
detetive belga Hercule Poirot.
Notas- Herói (gr. ἥρως) e heroon (gr. ἡρῶιον) são palavras de mesmo radical. Os heróis, na mitologia grega, eram os filhos de um deus e uma mortal, ou de uma deusa e um mortal — semideuses, portanto, capazes de façanhas sobre-humanas. Os heróis não eram imortais como os deuses, mas eram igualmente cultuados (embora nem todos tivessem ascendência reconhecidamente divina) em um templo chamado, pelos especialistas, de heroon. Veja a monografia sobre os mitos heróicos.
Referências G.K. Galinsky, The Herakles Theme: the
adaptations of the hero in Literature from Homer to the Twentieth Century, Lanham:
Rowman & Littlefield, 1972. Consulte também a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. Héracles. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0130. Consulta: 02/09/2010. |