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Divindade protetora das mulheres, especialmente das mães e das mulheres casadas.
Sob a proteção de Hera (gr. Ἥρα) estavam os amores legítimos e o
casamento.
Origem
O nome de Hera, que provavelmente significa "a senhora", já estava presente nas
tabuinhas micênicas de Cnossos e Pilos (séc. -XIV). Ela era,
originalmente, uma deusa-mãe, e o epíteto homérico "de olhos de
novilha" recorda uma antiga ligação com os animais.
Sua união a Zeus pelo casamento representa, com grande probabilidade, a
conciliação entre as divindades cultuadas pelas populações
pré-helênicas e os novos deuses trazidos pelos
indo-europeus.
Os gregos consideravam-na filha de Crono e Réia, portanto irmã e do mesmo nível
de importância de Zeus. Era esposa legítima do pai dos deuses, e diversos
deuses mais ou menos antigos eram considerados filhos do casal: Ares e Hefesto, dois
deuses olímpicos, e ainda Hebe e Ilítia.
Mitos
Hera aparece nos mitos, basicamente, em seu papel de esposa de Zeus,
ocasionalmente sedutora, no mais das vezes rancorosa e ciumenta. Era de grande
beleza e no episódio do julgamento de Páris rivalizou com Atena e com a própria
Afrodite.
A cena da Ilíada em que seduz e engana o marido no Monte Ida, durante a
Guerra de Tróia (Il. 14.153-353), é típica. Durante a
gigantomaquia, sua participação foi muito peculiar: Zeus inspirou no gigante
Porfírion um intenso e lascivo desejo por Hera e, enquanto o gigante tentava
arrancar-lhe o vestido, Zeus fulminou-o com seu raio.
Íxion, quando hóspede de Zeus, apaixonou-se perdidamente por ela.
Mais frequentemente, Hera se mostrava ciumenta, mal-humorada e
violentamente vingativa. Discutia o tempo todo com o marido e o contrariava
invariavelmente, por princípio. Perseguia as amantes dele e os numerosos filhos
dessas uniões ilegítimas com empenho, já que não podia se vingar diretamente do mais
poderoso dos deuses. Há vários exemplos: Ió, Dioniso, Letó, Héracles, entre outros.
Na lenda dos Argonautas, no entanto, sua participação é bem mais benevolente.
Uma vez, pelo menos, Hera se deu mal. Consta que quando Héracles voltava à Grécia
depois de saquear Tróia, ela conseguiu distrair Zeus e provocar uma tempestade que
fez os navios se perderem e arremessou o herói na ilha de Cós. Infelizmente, Zeus
estava de péssimo humor e, ao descobrir a traquinagem da esposa,
pendurou-a, no Olimpo, com uma pesada bigorna presa em cada pé...
Iconografia e culto
Hera era representada em geral como uma rainha, bela e de porte majestoso; seus
atributos habituais eram o cetro, o diadema, o pavão e, muitas vezes, uma coroa
alta, típica das deusas-mãe (cf. Réia-Cibele).
Seu casamento com Zeus, considerado sagrado, era comemorado através de festivais
em toda a Grécia. Sua estátua era adornada como uma noiva, levada em procissão e às
vezes ritualmente lavada, como se fazia com as noivas antes do casamento.
Inúmeras cidades tinham um heraion, ou templo de Hera; alguns estavam
entre os mais antigos e mais importantes (Peracora e Samos, séc. -VIII;
Argos e Olímpia, séc. -VII; Paestum, séc. -VI). O
heraion de Olímpia é ainda mais antigo que o primeiro templo de Zeus.
ReferênciasConsulte a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. Hera. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0174. Consulta: 10/09/2010. |