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LITTERAE
Hinos homéricos
altera
TITVLVS
Hymni Homerici
SIGLA CLASSICA
h.Hom.
 
Hinos homéricos
ma extensa coletânea de poemas em versos hexâmetros dedicados a várias divindades foi reunida e atribuída, na Antigüidade, ao poeta Homero. A julgar pela heterogeneidade, porém, os poemas são de diferentes autores, diferentes épocas e, ainda, de diferentes regiões do mundo grego.

Esses poemas, mais comumente chamados de hinos, eram recitados pelos rapsodos como prelúdio a solenidades religiosas ou em simples festivais religiosos e prestavam-se a invocar o deus celebrado na ocasião.

Os hinos

Eis a relação completa, organizada em ordem alfabética de acordo com a divindade homenageada (o número entre parênteses indica a posição do hino nos manuscritos):

  • Afrodite (V, VI, X)
  • Apolo (III, XXI)
  • Ares (VIII)
  • Ártemis (IX, XXVII)
  • Asclépio (XVI)
  • Atena (XI, XXVIII)
  • Deméter (II, XIII)
  • Dioniso (I, VII, XXVI)
  • Dióscuros (XVII, XXXIII)
  • Gaia (XXX)
  • Hefesto (XX)
  • Hélio (XXXI)
  • Hera (XII)
  • Héracles (XV)
  • Hermes (IV, XVIII)
  • Héstia (XIV, XXIX)
  • Musas e Apolo (XXV)
  • Pã (XIX)
  • Posídon (XII)
  • Réia-Cibele (XIV)
  • Selene (XXXII)
  • Zeus (XXIII)
Resumo dos hinos principais

São 33 hinos no total, de extensão e qualidade muito desiguais, que ocupam cerca de 190 páginas da edição de Humbert (1936), na qual se baseia este resumo.

Os hinos maiores são os mais importantes: a Deméter (II), a Apolo (III), a Hermes (IV) e a Afrodite (V). Os hinos a Deméter, a Apolo e a Afrodite são os mais antigos, e datam do fim do século -VII; o Hino a Hermes é do início do século -VI.

ΕΙΣ ΔΗΜΗΤΡΑΝ, o Hino a Deméter, descreve o rapto de Perséfone por Hades, a tristeza de Deméter, a vingança contra os outros deuses, sua busca pela filha, a volta de Perséfone e o estabelecimento dos mistérios de Elêusis.

ΕΙΣ ΑΠΟΛΛΩΝΑ, o Hino a Apolo, está dividido em duas partes. A primeira, de 178 versos, é dedicada a Apolo Délio e narra o atribulado nascimento do deus em Delos; a segunda, de 368 versos, é dedicada a Apolo Pítio e celebra a fundação de seu culto em Delfos (nome antigo: Pitôn).

ΕΙΣ ΕΡΜΗΝ, o Hino a Hermes, tem 580 versos e relata as travessuras de Hermes contra seu irmão Apolo pouco depois do nascimento. O caráter da composição é muito pouco solene e, a bem da verdade, é quase cômico.

ΕΙΣ ΑΦΡΟΔΙΤΗΝ, o Hino a Afrodite, mostra como Zeus humilhou Afrodite, a deusa do amor, fazendo-a amar o troiano Anquises, um simples mortal.

Dos hinos mais curtos, os mais notáveis são o Hino a Dioniso, que relata a captura de Dioniso pelos piratas; o Hino a Ares, que descreve os atributos do deus da guerra; e o Hino a Pã, que mostra as atividades do deus dos pastores nos campos e bosques.

Os demais, em sua maioria, ou são simples resumos dos hinos maiores (por exemplo o XVII, a Hermes, e o XIII, a Deméter) ou simplesmente saúdam o deus e enumeram seus principais atributos (por exemplo o XVI, a Asclépio, datado do século -VI, e o XXIV, a Héstia, de data incerta).

Manuscritos, edições e traduções

Os hinos homéricos chegaram até nós através de muitos manuscritos, mas nenhum deles contém todos os hinos e a maioria está em más condições. Os mais importantes são o Leidensis 33 H (séc. XIV), da Biblioteca Universitária de Leyde; o Ambrosianus 120 (séc. XV), da Biblioteca Ambrosiana de Milão; e o Athous Vatopedi 671 (séc. XIV), da Biblioteca do Monastério de Vatopedi.

As mais antigas edições são a de Demetrius Chalcondyles Florença (1488) e a Aldina (1504). As edições modernas principais são as de Baumeister (1860), Gemoll (1886) e Allen & Sikes (1904); a mais recente é a de Humbert (o.c.), utilizada aqui.

As primeiras traduções dos hinos para o português são a de Malhadas para o hino a Deméter (1970); a de Malhadas e Moura Neves, para o hino a Apolo Délio (1976); a de Machado Cabral para o hino a Apolo Pítio (1998); e a de Marquetti, para os hinos a Afrodite (2001). Há um projeto de tradução de todos os outros hinos em andamento no Departamento de Lingüística da FCLAr-UNESP, com minha colaboração.

Selecta
  1. hino a Hermes
  2. hino a Afrodite e hino a Asclépio
  3. Epígrafes: • Afrodite
    Atena
Referências

J. Humbert, Homère / Hymnes. Paris: Les Belles Lettres, 1936.

L.A. Machado Cabral, O Hino Homérico a Apolo. Cotia e Campinas: Ateliê e Ed. UNICAMP, 2004.

F.R. Marquetti, Da sedução e outros perigos: o mito da deusa mãe. Araraquara: tese de Doutoramento, FCLAr-UNESP, 2001.


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livros recomendados
  • MALHADAS, D. & CARVALHO, S.M.S. O Hino homérico a Demeter e os mistérios eleusinos. Cadernos de Ensaio e Literatura, São Paulo, n. 10, p. 66-99, 1970.
  • MALHADAS, D. & MOURA NEVES, M.H. Hino a Apolo I. In: _______, Antologia de Poetas Gregos de Homero a Píndaro. Araraquara: UNESP/FFCL-Ar, p. 37-43, 1976.
 
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09.04.2000
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Página atualizada em 14.08.2005   •   Data da consulta: 11.05.2008
 
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