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Ares

οἷος δὲ βροτολοιγὸς Ἄρης πόλεμον δὲ μέτεισι,
τῷ δὲ Φόβος φίλος υἱὸς ἅμα κρατερὸς καὶ ἀταρβὴς
ἕσπετο, ὅς τ' ἐφόβησε ταλάφρονά περ πολεμιστήν·
τὼ μὲν ἄρ' ἐκ Θρῄκης Ἐφύρους μέτα θωρήσσεσθον.
Ilíada 13.298-301

Assim como Ares, flagelo dos homens, entra no combate,
seguido do querido filho Fobos, forte e intrépido,
que põe em fuga o guerreiro mais resistente,
partindo ambos da Trácia, armados, para atacar.

 
 
Marte e Vênus unidos pelo Amor

O deus Ares (gr. Ἄρης) personificava o espírito do combate e a carnificina nele envolvida. Na Grécia Antiga, era considerado filho legítimo de Zeus e de Hera, mas na verdade parece ter origem trácia. A Ilíada refere, efetivamente, que ele habitava a Trácia, região rude e cheia de povos guerreiros.

Há referências ao deus nas tabuinhas em linear B, onde ele já aparece com o tradicional epíteto Eniálio (gr. Ἐνυάλιος)[1]. Enió parece ter sido uma antiquíssima deusa da guerra — a personificação da batalha, possivelmente —, já conhecida de Homero (v.g. Il. 5.592-3). Desde a época micênica, porém, ela se confundia com o próprio Ares.

Ares teve muitas mulheres mas, aparentemente, nunca se casou. Com Afrodite, Ares teve os seguintes filhos: Eros, Fobos, Deimos e Harmonia. Seus filhos com mortais também eram, via de regra, violentos e agressivos, como por exemplo Cicno, Diomedes e as Amazonas, que participam da lenda de Héracles; e Enômao, personagem da lenda de Pélops e Hipodâmia.

Mitos

Ares participa de vários mitos, em geral relatos de lutas e batalhas; exceção é o mito de Cadmo, referente à fundação de Tebas. A lenda mais conhecida, no entanto, é a de seus amores clandestinos com a deusa Afrodite, esposa de seu irmão Hefesto, episódio conhecido por “rede de Hefesto”.

Atena contra Ares

Ares tem caráter violento e agressivo nas histórias e participa de incontáveis batalhas. Seus escudeiros habituais eram Fobos e Deimos, respectivamente o Medo e o Pavor. Nos combates, estranhamente, não era sempre o vencedor. A deusa Atena e o herói Héracles venceram-no em mais de uma oportunidade. Certa vez, os aloídas, Oto e Efialtes, conseguiram prendê-lo durante treze meses e o deus teve que ser discretamente libertado por Hermes.

Representações e culto

Ares, Hermes e Hera

Em geral, Ares era representado como um guerreiro gigantesco, armado de lança, escudo e espada, e que se locomovia através de uma carruagem de fogosos cavalos, lançando terríveis gritos de guerra. Os animais a ele consagrados eram o cão e o abutre.

Os exércitos em guerra, às vezes, faziam sacrifícios a Ares. Em pouco lugares, no entanto, ele tinha um culto ligado a um templo, como em Trezena, Tegeia e Esparta, entre outros. Em Tebas, era cultuado como antepassado dos espartos que, juntamente com Cadmo, teriam fundado a cidade.

Outras iluminuras

 
Vaso François.
Florença, Museu Arqueológico Nacional
 
Cadmo e o dragão.
 
O deus Marte.
In situ
 
Letra decorada com Afrodite, Ares e Eros.
Veneza, referência desconhecida

Créditos das ilustrações

i0287Marte e Vênus unidos pelo Amor → Ver comentários.
i0470Héracles enfrenta Cicno → Ver comentários.
i0532Coro de mênades e sátiros e Pandora → Ver comentários.
i0281Vaso François → Ver comentários.
i0414Cadmo e o dragão → Ver comentários.
i0318O deus Marte → Ver comentários.
i0079Letra decorada com Afrodite, Ares e Eros → Ver comentários.

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Imprenta

Artigo nº 0177
publicado em 25/06/1999.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Ares. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0177. Consulta: 27/03/2017.
 
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