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Apolo (gr. Ἀπόλλων) era o deus das
profecias, da medicina e da música, também associado ao pastoreio e ao sol. Na época
clássica o sol era por vezes chamado de "carro de Apolo" e, talvez por isso, ele
tenha sido considerado também o deus da luz e da juventude.
Origem e nascimento
Não há menção segura a Apolo nas tabuinhas micênicas; como na Ilíada ele
já aparece bem caracterizado, é provavel que sua origem remonte à Idade das Trevas.
Há algumas semelhanças entre Apolo e divindades da Ásia Menor, mas isso é
insuficiente para considerá-lo de procedência oriental.
Apolo era considerado filho de Zeus e de Letó, e irmão gêmeo de Ártemis. Nasceu
na ilha de Delos e a parteira foi ninguém menos que a própria Ártemis, nascida
poucos minutos antes. Depois de passar algum tempo entre os Hiperbóreos, no extremo
norte do rio Oceano, dirigiu-se a Delfos, onde matou uma serpente,
Píton (ou Delfine, conforme a versão), filha de Gaia. Esse mito simboliza a
supremacia dos "novos" deuses olímpicos, associados à luz, sobre as antigas
divindades ctônicas, associadas à terra.
Em Delfos, Apolo consagrou também a trípode, um de seus atributos, onde antes
existia um antigo oráculo de Gaia ou de Têmis, instituindo então o famoso Oráculo de
Delfos. As respostas ambíguas dadas pela sacerdotiza, a pítia,
valeram-lhe o epíteto de Lóxias, "o oblíquo".
Apolo era considerado o deus da música e, embora as lendas relatem que Hermes
inventou a lira e a flauta, foi Apolo que, tocando-as,
levou-as à perfeição. Ele dirigia, no Olimpo, o coro das Musas e a
dança das Cárites, suas irmãs, e entretia os demais deuses olímpicos com a lira.
Os amores
Apolo não se casou, porém teve muitos amores, e praticamente nenhum foi bem
sucedido. Apesar de sua divindade e beleza, era sistematicamente recusado tanto por
divindades como por mortais.
A ninfa Dafne pediu que os deuses a transformassem em loureiro (gr.
dáphne) para fugir das investidas de Apolo. Coronis, filha de um rei da
Tessália, e Marpessa, filha do rei da Etólia, abandonaram o deus e se uniram a
homens mortais. A princesa troiana Cassandra prometeu se unir a ele caso o deus lhe
ensinasse a arte da profecia, mas não cumpriu sua parte. Apolo, então, fez com que
ninguém acreditasse em suas profecias que, no entanto, eram sempre corretas.
Além de Dafne, dois outros mitos relacionam os amores de Apolo com os vegetais: o
de Ciparisso e o de Jacinto. Ciparisso, um belo rapaz amado por Apolo, matou
acidentalmente um veado, seu animal de estimação. A tristeza foi tão grande que o
jovem pediu aos deuses que suas lágrimas durassem eternamente; foi, então,
transformado em cipreste (kypárissos, em grego), a árvore da tristeza.
Jacinto, por quem tanto Apolo como Zéfiro, o vento oeste, estavam apaixonados,
morreu acidentalmente. Ele e Apolo se divertiam lançando o disco, e Apolo
atingiu-o sem querer (o ciumento Zéfiro, em algumas versões, desviou o
disco de propósito). Desgostoso, o deus transformou-o em uma flor, o
jacinto (gr. yákinthos), para imortalizar seu nome.
Apesar de tudo, Apolo comseguiu se tornar pai. Seus filhos mais conhecidos foram
o herói Aristeu, que teve com a ninfa Cirene; o herói-deus Asclépio,
nascido de Coronis; Naxos e Mileto, heróis epônimos da ilha e da cidade homônimas,
nascidos de Acacális, filha do rei Minos; e, segundo alguns mitógrafos, teve filhos
também com uma ou duas Musas.
Outros mitos
Apolo era um arqueiro excepcional, e suas flechas eram capazes de produzir
doenças e de causar morte súbita entre os homens. Embora tocasse "divinamente"
diversos instrumentos musicais, era mais comumente associado à lira. Não era um bom
esportista, como atestam os episódios de suas disputas musicais com Pã e com
Mársias.
Dentre as numerosas outras lendas de que participa (a de Níobe, a de Héracles,
etc.), as mais curiosas são duas que relatam os castigos que o deus sofreu devido a
faltas cometidas.
Na primeira, em decorrência da malograda conspiração para aprisionar Zeus, ele e
Posídon tiveram de servir o rei de Tróia, Laomedonte, e construir as muralhas da
cidade. Na segunda, seu filho Asclépio atreveu-se a ressuscitar os
mortos e foi fulminado por Zeus. Apolo vingou-se então nos ciclopes,
artífices dos raios de Zeus, já que nada podia fazer contra o pai. Foi condenado,
por isso, a pastorear e cuidar dos rebanhos de Admeto, rei de Feras, durante um
ano.
Iconografia e culto
Apolo é habitualmente representado como um homem jovem e belo, de elevada
estatura. Não se acredita mais, como há algum tempo, que os koûroi arcaicos eram sempre representações suas.
Seus atributos são a lira ou a cítara, a trípode, o arco e as flechas. É possível
que o famoso Colosso de Rodes, habitualmente associado ao deus Hélio, tenha
sido uma representação sua.
Era cultuado em toda a Grécia, notadamente na ilha de Delos, consagrada a ele, e
em Delfos, onde ficava o famoso santuário com o Oráculo.
Dizia-se que Delfos era o centro do mundo, o que era representando pelo
"ônfalos", uma pedra em forma de umbigo. Além de diversas festas, como as
Carnéias (Esparta), as Targélias (Atenas e Jônia), e as Délias
(Delos), as Teoxenias e os Jogos Píticos de Delfos eram também celebrados em
honra de Apolo.
ReferênciasConsulte a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. Apolo. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0181. Consulta: 02/09/2010. |