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Gaia, a mãe de todos

Ἤτοι μὲν πρώτιστα Χάος γένετ'· αὐτὰρ ἔπειτα
Γαῖ' εὐρύστερος, πάντων ἕδος ἀσφαλὲς αἰεὶ.
Hesíodo Th. 116-7

Pois bem, no princípio nasceu Caos; depois
Gaia de amplo seio, a eterna base de tudo.

 
 
Atena, Gaia e o gigante Alcioneu

Gaia ou Gê (gr. Γαῖα / Γῆ), a “terra-mãe”, a mãe dos deuses e dos homens, personificava a inesgotável capacidade geradora da terra. Foi a primeira entidade divina e amergir do Caos primitivo e dela provêm as linhagens divinas mais prolíficas, os piores monstros e também todos os seres humanos.

Gaia não deve ser confundida com as “deusas-mães” pré-helênicas, ligadas à vegetação e aos animais selvagens. Aparentemente, esses atributos foram incorporados por Afrodite, Ártemis, Deméter e Cibele (Reia), deusas mais jovens e que dela descendem; Gaia está ligada apenas às forças primevas da criação.

A partir de Gaia, ‘sem o desejável ato de amor’ (Hes. Th. 132), surgiram primeiro Urano, o céu, as grandes Montanhas ou Colinas (gr. Οὔρεα μακρά) e Ponto, o mar. Posteriormente, Gaia se uniu primeiro a Urano e, depois, a Ponto, seus próprios filhos, e gerou numerosos descendentes. Unida mais tarde ao seu irmão Tártaro, gerou o terrível Tífon.

Sem contar essas contribuições cosmogônicas, a participação de Gaia nas diversas lendas se caracteriza, basicamente, pelas infalíveis profecias ou, então, pela enorme capacidade de gerar filhos, de aspecto divino (Urano, Ponto), humano (Erecteu) ou monstruoso (gigantes, Tífon).

Sua relação com outras entidades ligadas à natureza, como as sereias, os sátiros e as ninfas é um tanto nebulosa. Dois gigantes, Tício e Anteu são também considerados seus filhos por alguns mitógrafos.

Nos mitos posteriores à gigantomaquia e ao estabelecimento de Zeus como rei dos deuses e dos homens, Gaia aparece ocasionalmente. É mencionada, por exemplo, como ancestral dos primeiros reis atenienses e como mãe da serpente Píton (ver Apolo) e da monstruosa Caríbdis (ver Odisseu).

Representações e culto

Gaia era habitualmente representada em obras de arte, em geral, como uma senhora de aspecto maternal e preocupado, que emergia diretamente do solo. Muitas vezes uma serpente, símbolo ctônico (gr. χθόνιος, ‘da terra’) por excelência, representava a deusa.

Seu culto era bastante difundido, especialmente nas épocas mais recuadas da cultura grega; acabou, porém, suplantado pelos cultos dos deuses olímpicos. Havia altares para Gaia em Atenas, Esparta, Olímpia, Tegeia, Delfos e muitas outras póleis.

Em Delfos, por exemplo, no mesmo local em que existia um antigo santuário de Gaia, foi instalado um oráculo consagrado a Apolo Pítio. O deus recém-chegado, simbolicamente, matou a monstruosa serpente Píton, filha de Gaia, que vivia no local. A vitória de Apolo, porém, não foi completa: a tradição de chamar a sacerdotiza que recebia as profecias de pítia se manteve. Em Olímpia existiu, também, um antigo oráculo de Gaia.

Outras iluminuras

 
Santuários e templos de Delos.
In situ
 
Posídon enfrenta Polibotes diante de Gaia.
 
As Moiras combatem os gigantes.
 
O nascimento de Erictônio.
 
Nascimento de Erictônio.

Créditos das ilustrações

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Artigo nº 0088
publicado em 04/01/1999.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Gaia, a mãe de todos. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0088. Consulta: 27/03/2017.
 
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