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Letó era filha do titã Ceos e da titânide Febe; Hécate, filha de Perses, filho do titã Crios;
os ventos eram divindades masculinas e descendiam de Astreu e de Eos, a aurora. Palas, filho do
titã Crios, associou-se à oceânide Estige e também gerou descendentes.
Letó
Letó (gr. Λητώ), após sua aventura com
Zeus, Letó ficou grávida e foi perseguida pela deusa Hera. Quando estava a ponto de dar à luz,
nenhum lugar quis receber a parturiente, com medo da rainha dos deuses. Além disso, Hera retinha
sua filha Ilítia, a deusa do parto, no Olimpo. Mas, finalmente, a ilha de Delos concordou em
recebê-la e as outras deusas conseguiram aplacar a ciumenta Hera
presenteando-a com uma jóia. Ártemis nasceu primeiro e, como uma boa deusa dos
nascimentos, ajudou em seguida a mãe com o parto de Apolo, seu irmão gêmeo...
A deusa esteve envolvida, posteriormente, na lenda de Níobe e na morte do gigante Tício. Hera,
para se vingar de Letó, inspirou em Tício uma grande paixão pela deusa. Ao tentar violentar a
deusa, Tício foi impedido e morto por Apolo e Ártemis.
Hécate
A deusa Hécate (gr. Ἑκάτη) era,
do ponto de vista genealógico, filha de Perses, um dos filhos do titã Crios; na realidade, ela é
de origem pré-helênica, talvez da Ásia Menor, e ligada à terra. Nos tempos antigos,
propiciava a prosperidade e o sucesso material: colheitas e pescarias abundantes, eloquência nas
assembléias, a vitória em batalhas e jogos, etc. Segundo uma das versões míticas, Hécate era na
origem a heroína Ifigênia, também uma antiga divindade assimilada a Ártemis em tempos bastante
recuados.
Nos mitos, seu papel é sempre secundário. Participou da gigantomaquia ao lado de Zeus e
também ajudou Deméter quando Perséfone foi raptada.
Confundida com Ártemis desde o século -V, foi posteriormente associada à lua, à
magia e à feitiçaria. Acreditava-se que à noite frequentava as encruzilhadas, locais
propícios à magia, acompanhada de cães enormes e barulhentos. Por isso, estátuas suas eram
frequentemente colocadas nas encruzilhadas, junto a oferendas.
Os ventos
No mito, os ventos mais importantes eram Zéfiro (gr. Ζέφυρος), o vento oeste, suave e
primaveril, e Bóreas (gr. Βορέας), o vento norte, invernal, frio e violento.
Na Odisséia, Odisseu encontrou-se com Éolo, o "senhor dos Ventos", não
mencionado em outras fontes (Od. 10.1-33).
Acreditava-se que os ventos podiam assumir forma de cavalo e gerar filhos. Assim, Zéfiro era
considerado o pai de Xantos e Bálios, dois cavalos imortais, capazes de falar; e Bóreas gerou nas
éguas do rei Erictônio, de Atenas, doze potros tão velozes que, quando corriam sobre um campo de
trigo, as espigas nem se curvavam...
Zéfiro, em algumas versões, era o marido de Íris, a mensageira de Zeus e de Hera, e é
personagem da lenda de Jacinto. Bóreas raptou Orítia, filha de Erecteu, rei de Atenas, e teve com
ela dois filhos, Cálais e Zetes, capazes de voar. Eles são frequentemente chamados de
boréades ("filhos de Bóreas") e participaram da aventura dos Argonautas.
Os filhos de Palas e Estige
Todos eles eram entidades conceituais ou abstrações: Zelo, o ardor; Níke, a vitória; Cratos, o
poder; e Bias, a violência. Todos ficaram ao lado de Zeus durante a titanomaquia e eram
considerados extensões dos atributos divinos do pai dos deuses. A própria Estige
(gr. Στίξ) foi honrada pelos deuses como a
sagrada água em nome de quem pronunciavam seus juramentos.
Níke (gr. Νίκη) era identificada
muitas vezes com a deusa Atena, notadamente em Atenas ("Atena Niké"), mas pode ter se tratado
apenas de um epíteto.
Iconografia e culto
Letó, representada como uma senhora, tinha culto próprio em diversos locais; os mais
importantes eram em Creta e em Xantos, na Ásia Menor. Hécate era uma figura feminina que portava
sempre um archote; nas representações mais tardias, tinha três corpos e archotes nas seis mãos.
Além de altares em frente às casas (Atenas), ela tinha templos em Mileto, Egina, Argos e um famoso
santuário em Lagina, também na Ásia Menor, onde era celebrado um festival anual em sua honra.
ReferênciasConsulte a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. Os ventos, Letó e os filhos de Estige. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0666. Consulta: 10/09/2010. |