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340 palavras

Gaia e Ponto, o mar e os montros

 
Perseu, Andrômeda e Cetó

Ponto (gr. Πόντος) é a personificação das primitivas águas do mar. Emergiu diretamente de Gaia e, como várias outras entidades primordiais, tem importânceia meramente genealógica.

Algum tempo depois da forçada “aposentadoria” de Urano, Gaia uniu-se a Ponto e gerou Nereu, Taumas, Fórcis, Cetó e Euríbia. Nereu e seus quatro irmãos eram, provavelmente, antigas e primordiais divindades marinhas que se confundem com o próprio Ponto.

Com exceção de Nereu, os filhos de Ponto tinham apenas importância genealógica e praticamente não participavam dos mitos. Eis uma sucinta genealogia dos irmãos de Nereu:

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N.b. Oceano e Crio são também descendentes de Gaia, mas da linhagem dos titãs.

A partir do Período Arcaico, Taumas, Fórcis, Cetó e Euríbia devem ter assumido, no imaginário grego, formas tão monstruosas quanto as de alguns de seus descendentes mais conhecidos.

Taumas (gr. Θαύμας), que se uniu a Electra, uma das oceânides, gerou a bela Íris, personificação do arco-íris e mensageira dos deuses, e as horrendas harpias.

Fórcis (gr. Φόρκυς), assim como Nereu e Proteu, era um “velho do mar” (Odisseia 13.96), senhor dos animais marinhos, e se confundia com eles; unido à sua irmã, Cetó (gr. Κητώ), gerou as greias (ou Velhas), as górgonas e Equidna, metade mulher, metade serpente, futura mãe de numerosos monstros. Na Odisseia era considerado pai da ninfa Toósa[1] e avô do ciclope Polifemo[2].

Euríbia (gr. Εὐρυβία) uniu-se ao titã Crio, seu meio-irmão, e gerou Palas, Perses e Astreu, divindades de importância meramente genealógica.

Iconografia e culto

Nenhum deles foi, aparentemente, representado na arte grega, a não ser possivelmente no vaso coríntio mostrado acima, nem cultuado. Fórcis e Ceto aparecem, no entanto, em mosaicos romanos tardios como entidades híbridas (ser humano + monstro marinho).

Notas

  1. Toósa (gr. Τόωσα), lit. ʻa rápidaʼ, é uma filha de Posídon (Certamen 4) ou uma ninfa, filha de Fórcis, com quem Posídon se uniu para gerar o ciclope Polifemo (Od. 1.70-3).
  2. Os gregos dos tempos históricos acreditavam que poderosas entidades, os ciclopes construtores, haviam erigido as muralhas e os diversos monumentos antigos feitos com pedras muito pesadas de Micenas, Tirinto e outras localidades. Não confundir esses ciclopes construtores com os ciclopes urânicos ou com o ciclope Polifemo, filho de Posídon (Od. 1.68-73 e 9.105-555).
    Imagem: Polifemo adormecido → Iluminura 1132.

Créditos das ilustrações

i0842Perseu, Andrômeda e Cetó → Ver comentários.

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Artigo nº 0660, publicado em 24/01/1999.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Gaia e Ponto, o mar e os montros. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0660. Consulta: 19/03/2019.
 
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