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 A guerra de Tróia
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  1. Tróia: mito ou história?
  2. Os troianos
  3. Peleu, Tétis e o jovem Aquiles
  4. Páris e Helena
  5. Télefo
  6. Duas expedições contra Tróia
  7. Nove anos de luta
  8. O último ano da guerra troiana
  9. A queda de Tróia
  10. Os retornos
  11. Voltam os heróis
  12. A errância de Odisseu
  13. A volta de Odisseu
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Como em muitas lendas gregas, a história da Guerra de Tróia começa muito antes, com um problema entre os deuses, mais especificamente Zeus, Posídon e a nereida Tétis.

A beleza de Tétis

Tétis (gr. Θέτις), a mais formosa das nereidas, era cobiçada por vários deuses. A lenda diz que Posídon e o próprio Zeus estavam tão entusiasmados com ela que chegaram ao ponto de quase lutar entre si. Quando, porém, um oráculo vaticinou que o filho gerado por Tétis se tornaria mais poderoso que o pai[1], o entusiasmo de ambos arrefeceu. Zeus ficou tão preocupado que decidiu arranjar-lhe um marido mortal, para que de nenhum modo a atual ordem do universo se alterasse.

O escolhido foi Peleu (gr. Πηλεύς), rei da Ftia (Tessália), filho de Éaco e neto de Zeus, por parte de pai, e grande amigo de Héracles. Era também amigo ou irmão do herói Télamon. Peleu havia sido educado por Quíron, o mais sábio dos centauros e, além de ter ajudado Héracles em Tróia, entre outras aventuras, havia participado da caça ao Javali de Cálidon e da viagem dos Argonautas.

Tétis não queria se casar e usou sua capacidade de assumir diversas formas, característica das divindades marinhas, para tentar escapar do "noivo". Peleu, porém, instruído por Quíron, não se assustou com as transformações e segurou-a com firmeza, até que a deusa finalmente cedeu.

O casamento de Peleu e Tétis

Peleu e Tétis casaram-se no alto do monte Pélion em magnífica cerimônia. Os deuses honraram-na com sua divina presença, e pela última vez, estiveram reunidos com simples mortais. As próprias musas entoaram o epitalâmio (canto nupcial) e cada um dos deuses deu um presente, conforme a tradição. Posídon, por exemplo, presenteou os noivos com dois cavalos imortais, Bálio e Xanto, capazes também de falar.

Zeus, porém, não havia convidado Éris, filha de Érebo e Nix, a antiga divindade que personificava a discórdia. Mas Éris compareceu assim mesmo e lançou, diante de Hera, Afrodite e Atena, um belíssimo pomo de ouro com a maliciosa e provocativa inscrição: "à mais bela".

Com esse simples gesto Éris desencadeou a acirrada disputa entre as três deusas que, mais tarde, levaria à destruição de Tróia e, nas palavras de Homero, "lançou no Hades muitas almas valorosas de heróis" (Il. 1.3-4).

Nascimento e juventude de Aquiles

Independentemente da desagradável cena do "pomo da discórdia", o casamento de Peleu e Tétis não foi bem-sucedido. A deusa abandonava frequentemente o marido para ficar no palácio de Nereu, seu pai, e matou inadvertidamente os seis primeiros filhos ao tentar torná-los imortais. A técnica, segundo a lenda, era perigosa: Tétis mergulhava a criança recém-nascida no fogo para que os elementos mortais, provenientes de Peleu, pudessem ser consumidos. Somente o sétimo filho, Aquiles (gr. Ἀχιλλεύς), sobreviveu, pois o pai retirou-o a tempo do fogo.

Frustrada na tentativa de tornar Aquiles imortal, a deusa conseguiu no entanto torná-lo invulnerável mergulhando-o no Estige, rio subterrâneo que corria no Hades. Mas a nereida teve de segurar a criança pelos calcanhares, e assim essa parte de seu corpo continuou vulnerável...

Abandonado por Tétis, encolerizada com sua interferência, Peleu levou então o filho ao centauro Quíron para que o educasse. Com o sábio centauro o jovem Aquiles aprendeu, além das artes guerreiras, a medicina.

Peleu, ciente de que seu filho morreria caso participasse da guerra de Tróia, procurou evitar sua morte obrigando-o a ir para a corte do amigo Licomedes, soberano da Ilha de Squiros. Licomedes vestiu Aquiles de mulher e escondeu-o nos aposentos das mulheres, mas isso pelo menos não o impediu de se unir a Deidâmia, filha do rei, e gerar um filho chamado Neoptólemo.

A despeito de todos os cuidados, no entanto, Aquiles e também Neoptólemo teriam papéis decisivos na conquista de Tróia, anos depois. Aquiles tornou-se o mais poderoso dos guerreiros gregos; sua força, ferocidade e velocidade na corrida tornaram-se mais lendários do que a própria lenda. Homero chamava-o, por exemplo, de πόδας ὠκὺς Ἀχιλλεύς ("Aquiles de pés rápidos" — v.g. Il. 1.84).

Iconografia

Há diversas representações, notadamente em vasos, da cena em que Peleu agarra firmemente a deusa Tétis, que tenta inutilmente se desvencilhar. Muitos vasos antigos e diversas pinturas neoclássicas mostram também Peleu entregando o jovem Aquiles a Quíron.

Notas
  1. A origem do oráculo a respeito do filho poderoso da nereida Tétis é controvertida entre os mitógrafos. Uns creditam-no à titânide Têmis, a deusa das leis eternas, e outros a Prometeu, filho do titã Jápeto.
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Referências

Consulte a bibliografia geral da área.

Monografia nº 0228. Criação: 09/01/2000.
Atualizada em 14/12/2007.
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