O pai dos deuses e dos homens

Seção: mitologia grega
iiniHera se desvela diante de Zeus

Depois da titanomaquia, Zeus consolidou seu domínio através de casamentos e aventuras amorosas que, no devido tempo, produziram mais deuses, semideuses (heróis) e reis.

São célebres a quantidade de mulheres por quem o ‘pai dos deuses e dos homens’ se apaixonou — mitógrafos tardios chegaram a catalogar 115 mulheres — e os disfarces e metamorfoses que utilizava para driblar a vigilância de sua esposa, Hera, e se aproximar das outras deusas e das mais belas mortais.

Zeus e Dione

Em mitos mais antigos, Zeus se uniu a uma antiga divindade chamada Dione (gr. Διώνη) e gerou a deusa Afrodite.

Dione tem origem indo-europeia e é citada nas tabuinhas micênicas; era a contraparte feminina de Zeus e, possivelmente, sua esposa antes da mistura entre os deuses indo-europeus e as divindades masculinas e femininas das comunidades que já viviam nos territórios gregos durante o Neolítico e o Bronze Antigo. O nome deriva do mesmo radical de Διός, forma assumida pelo nome ‘Zeus’ no genitivo singular grego: até mesmo no âmbito da gramática Dione é a contraparte feminina de Zeus.

A genealogia de Dione, a partir do Período Arcaico, varia conforme a versão: ou é considerada filha de Urano e Gaia, da 1ª geração divina, ou de Oceano e Tétis, da 2ª geração. Ela praticamente só aparece na Ilíada: vive no Olimpo, ao lado dos demais deuses, consola Afrodite e cura um ferimento em sua mão (5.416-7).

Zeus e Hera

Na Ilíada, Zeus já está formalmente casado com sua irmã Hera, considerada por todos sua legítima esposa e rainha dos deuses. Com ela gerou dois deuses olímpicos, Ares e Hefesto, e mais Hebe e Ilítia.

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Fig. 0236. O casamento de Zeus e Hera: Apolo, sereia, carruagem com os noivos, Dioniso, Afrodite, Posídon, Ártemis e Hermes. Ânfora ática de figuras negras atribuída ao Pintor de Berlim 1636. Kamiros, -550/-530. Londres 1861,0425.50.

As ilítias eram originalmente antigas divindades do parto (ver Il. 11.270) e continuaram com a mesma função ao longo dos séculos. Quando o panteão grego se consolidou, algum tempo antes da época de Homero e de Hesíodo, elas se tornaram uma deusa única, Ilítia (gr. Εἰλείθυια), e considerada fruto do casamento de Zeus e Hera.

Hebe (gr. Ἥβη), a personificação da juventude, vivia no Olimpo e servia aos deuses o néctar, a bebida divina. Tornou-se esposa de Héracles quando ele ascendeu ao Olimpo.

Mas Zeus sempre foi infiel, antes e depois do casamento... e muitos mitos relatam os terríveis ciúmes de Hera e as perseguições que ela empreendia contra as amantes imortais ou mortais do marido e contra os filhos que resultavam dessas aventuras.

Consortes divinas

Unido a deusas de sua própria geração e também da geração anterior, todas aparentadas a ele, Zeus teve os seguintes filhos:

As horas (gr. Ὦραι, lat. horae) eram originalmente deusas das estações que asseguravam o curso harmonioso de tudo; guardavam também as portas do Olimpo e auxiliavam as deusas. Eram três: Diké, a justiça; Eunomia, a ordem; e Irene, a paz. Em Atenas, na época clássica, eram chamadas de Auxó, Taló e Karpó: a que desenvolve, a que floresce e a que frutifica.

As cárites (gr. Χάριτες), que às vezes eram confundidas com as Horas, também eram três: Eufrosine, Tália e Aglaia. Personificavam principalmente a beleza, o charme e a graça, e frequentemente ajudavam a deusa Afrodite. Estavam sempre cantando, dançando e espalhando a alegria por toda a natureza.

Consortes mortais

Para esconder suas aventuras com deusas e mulheres mortais da ciumenta Hera, Zeus teve muitas vezes que assumir outras formas (touro, cisne, chuva de ouro...). Sêmele, , Europa, Dânae, Alcmena e Leda são os casos mais conhecidos. Menciono ainda, entre outros, a aventura com a ninfa Egina, mãe do herói Éaco; com Calisto, mãe de Árcade, herói epônimo da Arcádia; e com Antíope, mãe de Anfíon e Zeto, da casa real de Tebas.

As uniões entre Zeus e mulheres mortais produziu, em sua maior parte, heróis ou semideuses; em três casos, no entanto, ele teve filhos que se tornaram deuses:

Hermes, filho de uma ninfa[1], já nasceu praticamente uma divindade; Dioniso e Héracles, no entanto, nasceram inteiramente humanos e ascenderam à divindade mais tarde, e Héracles se tornou deus somente depois da sua morte terrena.

A origem divina era também atributo da realeza, e praticamente todas as famílias reais gregas, míticas ou históricas, reivindicavam descendência divina a partir de Zeus. Tântalo, rei da Frígia e Lacedemon, antigo rei de Esparta, eram considerados filhos de Zeus, entre muitos outros.

Ganimedes

Zeus perdeu a cabeça não apenas por belas mulheres. O troiano Ganimedes (gr. Γανυμήδης) era considerado “o mais belo dos mortais” e Zeus se apaixonou por ele.

Quando o jovem pastoreava os rebanhos do pai no Monte Ida, o deus raptou-o e levou-o para o Olimpo. Em algumas versões, foi a águia de Zeus a incumbida dessa missão. No Olimpo, Ganimedes tornou-se o copeiro dos deuses e, para compensar o pai (Erictônio, Trós ou Laomedonte, conforme a versão), Zeus presenteou-o com cavalos divinos.

Iconografia

Os amores de Zeus estão entre os temas mais utilizados pelos artistas gregos de todos os períodos; os exemplos são extremamente abundantes, notadamente na cerâmica decorada.

Do Renascimento em diante, vários pintores e escultores seguiram o mesmo tema.