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390 palavras

Nix e Érebo, luz e escuridão

 
Nix

No princípio, aparentemente, não havia luz e os primeiros momentos da criação ocorreram no escuro primordial. Mais tarde, da linhagem de Érebo e de Nix, entidades originadas pelos “desdobramentos” do Caos, viriam a luminosidade e diversas outras divindades sombrias e abstratas, de grande influência na vida dos mortais.

Essas duas divindades primordiais, as últimas a emergir do Caos, simbolizam de diferentes formas as trevas primitivas.

Érebo (gr. Ἔρεβος) era, aparentemente, a escuridão profunda que se formou no momento da criação, e mais tarde ficou localizada no mundo subterrâneo.

Nix (gr. Νύξ), a noite, representava a escuridão situada logo acima de Gaia. Essa escuridão era, inicialmente, homogênea e constante.

Da escuridão, luz e sombras

Nix se uniu a Érebo, na primeira das uniões sexuais que ocorreram depois da diferenciação do Caos, e nasceram Éter e Hemera, duas entidades luminosas no universo até então completamente escuro: Éter (gr. Αἰθήρ) era a luminosidade pura e brilhante da região superior da atmosfera, próxima à abóbada celeste; Hemera (gr. Ἡμέρα ) personificava o dia, isto é, a luz que brilha periodicamente logo acima da terra e alterna com a escuridão da noite.

Depois de gerar duas entidades luminosas juntamente com Érebo, Nix gerou sozinha descendentes tão sombrios quanto ela, talvez com exceção das Hespérides:

Um de seus descendentes, Éris, logo gerou sozinha várias outras entidades.

Literatura, iconografia e culto

Desde Homero (Ilíada, e.g. 8.368, 9.572, 14.279), Érebo tem sido associado à escuridão do mundo dos mortos, consequentemente era frequentemene substantivado, “o érebo” — assim como “o hades”. Dos poetas posteriores a Homero, o mais notável a mencioná-lo é Shakespeare (O Mercador de Veneza, 1596-1599, V.1.84-5):

The motions of his spirit are dull as night
And his affections dark as Erebus.
Os movimentos de seus espírito são sombrios como anoite
e seus afetos, escuros como Érebo.

Nix, não mencionada por Shakespeare como uma entidade, inspirou um dos mais belos (e sombrios) poemas de Álvaro de Campos (Dois Excertos de Odes, 1914). Frederico Lourenço, em sua tradução do Íon de Eurípides (Lisboa, Colibri, 1994, p. 97) notou uma certa semelhança entre a descrição de Eurípides e os vv. 1-5 do poema de Álvaro de Campos: Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Eurípides descrevia Nix como uma deusa alada, que vestia negro e utilizava uma carruagem acompanhada, em seu caminho, por estrelas (Orestes 175-6 e Íon 1150). Em raras imagens de vasos, porém, e também nos relevos do altar de Zeus em Pérgamo, era representada por uma simples figura feminina, sem atributos específicos.

Pausânias conta que havia uma estátua de Nix em Éfeso (10.38.3) e que ela tinha um oráculo na acrópole de Mégara (1.40.1). Mas não há evidências de que Érebo, Éter e Hemera tenham sido representados, ou que tenham sido cultuados.

Iluminuras complementares

 
0305
O universo de Homero

Créditos das ilustrações

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i0432Nix? contra os gigantes → Ver comentários.
i0305O universo de Homero → Ver comentários.

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Artigo nº 0658, publicado em 11/01/1999.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Nix e Érebo, luz e escuridão. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0658. Consulta: 26/05/2019.
 
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