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Nove anos de luta

 
Aquiles, Troilo e Polixena

Em Áulis, no início da primeira expedição, o adivinho Calcas havia predito que Troia resistiria aos gregos durante nove anos e que somente no décimo ano de campanha seria possível conquistá-la.

Apesar dessa longa campanha, são bem poucos os episódios dos primeiros anos de guerra conservados pelos mitógrafos.

Primeiros combates

As dificuldades dos gregos começaram antes mesmo de atingirem Troia. Quando os navios passaram pela ilha de Lemnos, Filoctetes (gr. Φιλοκτήτης) foi picado na perna por uma serpente, durante um sacrifício. Logo se formou uma ferida putrefata que, de tão dolorosa, obrigava Filoctetes a gritar alta e incessantemente, incomodando a todos. Os atridas[1] decidiram, por isso, abandoná-lo na ilha e continuar a viagem.

De Tênedo, ilhota próxima da costa troiana, uma segunda embaixada enviada aos troianos não fou bem sucedida e o exército grego então se preparou para desembarcar e atacar. O primeiro herói grego a colocar os pés em terra, Protesilau (gr. Πρωτεσίλαος), foi morto por uma lança troiana, arremessada por Heitor, filho de Príamo e o principal defensor da cidade. Consta que o jovem Protesilau, recém-casado, deixara a jovem esposa em plena lua-de-mel para se juntar ao exército helênico... O primeiro a atacar os gregos foi um dos filhos de Posídon, Cicno, aliado dos troianos, morto facilmente por Aquiles (gr. Ἀχιλλεύς). Com isso, recuaram os troianos para dentro dos muros de sua cidade, erguidos por Apolo e por Posídon, e para trás das resistentes Portas Ceias.

Os gregos acamparam na praia, entre a fortaleza e os navios ancorados, e estabeleceram o cerco. Nem os gregos conseguiam entrar, nem podiam os troianos sair para o continente, embora lhes fosse ainda possível contatar os aliados pelo mar.

As mulheres troianas, porém, saíam ocasionalmente para pegar água em uma fonte próxima das Portas Ceias, perto do templo de Apolo Timbreu. Certa vez, Aquiles conseguiu se esconder por ali e emboscou dois filhos de Príamo, Polixena e Troilos (gr. Τρωΐλος). Os jovens fugiram para a cidade mas Troilos, um rapazote, embora a cavalo, foi alcançado por Aquiles, a quem Homero chamava muito apropriadamente de πόδας ὠκὺς Ἀχιλλεύς, ‘Aquiles de pés rápidos’ (e.g. Il. 1.84). Aquiles levou imediatamente o rapaz para o templo de Apolo e, antes que os troianos conseguissem mandar socorro, sacrificou-o em cima do altar. Versões tardias do mito tentaram atenuar esse ato selvagem, vinculando sua necessidade a um oráculo: caso Troilos completasse vinte anos de idade, a cidade de Troia seria inconquistável.

Do primeiro ao nono ano

Os nove anos seguintes se passaram entre assaltos sistemáticos dos gregos à cidadela, sempre infrutíferos, e ataques a ilhas e cidades vizinhas, aliadas dos troianos, em busca de mantimentos e de pilhagem.

Dentre os guerreiros era Aquiles quem mais se sobressaía e, numa dessas escaramuças, roubou o gado do troiano Eneias do alto do Monte Ida; em outra, prendeu Licáon, um dos filhos de Príamo, e devolveu-o à família mediante apreciável resgate. Muitos episódios são mal conhecidos, como por exemplo aquele em que Pátroclo (gr. Πάτροκλος), o grande amigo de Aquiles, foi ferido, conservado apenas pela cerâmica grega (Fig. 0167). Muitas cidades foram conquistadas, como Lirnessos, Pédasos, Lesbos e Tebas, cidade da Mísia onde reinava o pai de Andrômaca, esposa de Heitor. A mãe de Andrômaca, aprisionada na ocasião por Aquiles, foi também libertada em troca de resgate.

Durante as incursões do fim do nono ano, os gregos puseram as mãos em riquíssimo saque e em duas belíssimas mulheres, cuja posse desencadeou eventos que culminariam diretamente na queda de Troia: Briseida e Criseida. Na divisão dos despojos, a formosa Briseida, de Lirnessos, foi dada a Aquiles, em reconhecimento pela sua capacidade guerreira; Criseida, igualmente muito bela, foi dada a Agamêmnon, pois a ele cabiam as honras devidas ao chefe da expedição.

Iconografia

O tema mais popular dessa parte do ciclo troiano entre os artistas gregos foi, sem dúvida, o episódio da emboscada e morte de Troilos.

Outras iluminuras

 
Filoctetes em Lemnos.
 
Aquiles.
Cidade do Vaticano, Museus Vaticanos
 
Aquiles, Atena e Troilo.
 
Aquiles e Pátroclo.
 
Fênix e a filha de Briseu.

Notas

  1. Embora o termo atridas (gr. ἀτρεΐδαι) se refira a todos os descendentes de Atreu, filho de Pélops, é usado com muito mais frequência em relação a Agamêmnon, rei de Micenas, e a seu irmão Menelau, rei de Esparta, os dois filhos mais famosos.

Créditos das ilustrações

i0755Aquiles, Troilo e Polixena → Ver comentários.
i0766Filoctetes em Lemnos → Ver comentários.
i0344Aquiles → Ver comentários.
i0754Aquiles, Atena e Troilo → Ver comentários.
i0167Aquiles e Pátroclo → Ver comentários.
i0518Fênix e a filha de Briseu → Ver comentários.

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Artigo nº 0529
publicado em 10/06/2004.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Nove anos de luta. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0529. Consulta: 19/08/2017.
 
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