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a principio ad anno domini 529

O centauro Quíron

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Peleu, Aquiles e o centauro Quíron, c. -500.

INITuíron (gr. Χείρων), meio homem e meio cavalo, era filho do titã Cronos e de Fílira, uma das oceânides. Crono uniu-se a Fílira na forma de um cavalo, daí a forma híbrida do filho. Quíron não tinha a natureza selvagem dos outros centauros, filhos de Íxion e da nuvem; ele era, na verdade, o ʻmais justo dos Centaurosʼ (Il. 11.832). Apesar de ser meio-irmão de Zeus, Posídon e Hades, vivia entre os mortais em numa gruta do monte Pélion, na Tessália. Os conhecimentos médicos foram transmitidos aos mortais por seu intermédio.

Grande caçador, conhecedor de música, de plantas medicinais, de cirurgia e de outros conhecimentos práticos prezados pelos antigos, Quíron era amigo dos heróis Peleu, a quem salvou certa vez da fúria dos outros centauros, e de Héracles. Foi o educador de vários outros heróis, entre eles Aristeu e seu filho Acteon, Aquiles, filho de Peleu, Asclépio, filho de Apolo, e Jasão, o futuro líder dos argonautas. Pode-se dizer que ele é o mais antigo professor da mitologia grega.

Consta que era casado com Caricló, possivelmente uma oceânide. Os principais mitos de que participa, além de suas atividades de professor, são o do casamento de Peleu e Tétis, o da visita dos argonautas (A.R. 1.554), e o da sua "morte".

O mito de seu desaparecimento ou morte é muito interessante. Quíron foi atingido acidentalmente por uma flecha de Héracles, durante uma de suas escaramuças contra os outros centauros, ou especificamente na ocasião da visita do herói a Folo. A flecha, embebida no veneno da Hidra de Lerna, produzia feridas incuráveis, e o centauro sofria dores horríveis, que nem seus conhecimentos médicos eram capazes de mitigar[1]. Desesperado, Quíron renunciou então à sua imortalidade, conseguiu morrer e escapou do terrível sofrimento. Zeus colocou-o, então, entre as constelações (Sagittarius).

Fontes, língua e literatura

As mais antigas menções a Quíron estão na Ilíada (4.219, 11.832, 16.140-4 e 19.387-91). As principais fontes do seu mito, no entanto, são Píndaro (P. 3.1-7, 4.101-15 e 9.26-65), Apolônio Ródio (2.506-15), o Pseudo-Apolodoro (1.2.4, 2.5.4, 3.4.4 e 3.13.5), Plutarco (Quest. conv. 647a) e Eratóstenes (Cat. 1.18).

O nome "Quíron" deriva da palavra χείρ, "mão", e provavelmente significa "hábil com as mãos". Indubitavelmente, o nome está relacionado com sua destreza como cirurgião — note-se que a palavra χειρουργία, "trabalho feito com as mãos, cirurgia" deriva do mesmo radical. Os cheironidae, membros de uma família de médicos da Magnésia, afirmavam descender de Quíron (Plu. Quest. conv. 647a, cf. Smith, 1867, s.v. Cheiron).

Quíron, sua sabedoria e suas atividades educativas são mencionadas (nem sempre positivamente) em muitas obras literárias, notadamente na Aquileida, de Estácio (sæc. I), em uma das Imagens de Filóstrato, o Jovem (865.12, sæc. III), no Polycraticus de John of Salisbury (1159), no Emblematum Liber de Andreas Alciato (1546), na Divina Comédia de Dante (Inferno, canto 12, 1308-1321), em O Príncipe, de Maquiavel (1532, cap. 18) e no Fausto, de Goethe (parte 2, ato 2, cena 5, 1832). O mito inspirou uma novela de John Updike, The Centaur (1963).

Iconografia e culto

Nas representações mais antigas, usualmente na cerâmica do início do século -VI em diante, Quíron é representado igual a um homem, com pernas humanas e a parte traseira do corpo semelhante à de um cavalo. Posteriormente, tinha aspecto humano apenas do umbigo para cima. Frequentemente, para ressaltar sua natureza civilizada, o artista colocava-lhe roupas e, para destacar sua competência de caçador, ocasionalmente trazia no ombro uma vara com diversos animais pendurados.

Sacrifícios eram oferecidos a ele no Monte Pélion.

Notas

  1. O tema do "mau" médico, doente e incapaz de se curar, já está presente em Ésquilo (Pr. 473-4) e consta, também, do Evangelho de Lucas (4.23): ἰατρέ, θεράπευσον σεαυτόν, "médico, cura a ti mesmo". A forma latina (Vulgata), medice, cura te ipsum, tornou-se um dos ditados mais conhecidos e difundidos da cultura Ocidental. Seria a lenda da doença e morte de Quíron um de seus fundamentos mais remotos?
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Referências e bibliografia
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