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Os mitógrafos antigos

 
Papiro mitológico em grego
Ἡσίοδον γὰρ καὶ Ὅμηρον (...) οὗτοι δὲ εἰσὶ οἱ ποιήσαντες θεογονίην Ἕλλησι καὶ τοῖσι θεοῖσι τὰς ἐπωνυμίας δόντες καὶ τιμάς τε καὶ τέχνας διελόντες καὶ εἴδεα αὐτῶν σημήναντες.

Foram Homero e Hesíodo (...) que compuseram uma teogonia para os helenos, deram nome aos deuses, determinaram-lhes as honras e funções e descreveram seu aspecto.

Datam do início do Período Arcaico as primeiras descrições sistemáticas dos mitos que constituem, em conjunto, a mitologia grega.

Entre os poetas, o mito constitui uma das bases de sua criação literária e, entre os prosadores, o mito desempenha importante papel em sua argumentação. Nas cenas de vasos, nas discussões filosóficas, na vida religiosa e na conversa cotidiana dos gregos, os mitos estavam presentes. De modo geral, o mito era parte de todos os aspectos da sua cultura.

Era necessário, portanto, que em algum momento essa monumental coleção de histórias fosse reunida e organizada. Antes do Período Greco-romano, os únicos autores a tratar os mitos de forma panorâmica e sistemática foram Hesíodo e o desconhecido autor do Catálogo das Mulheres. Da obra de autores certamente importantes como Ferécides de Siros, Acusilau de Argos, Helânico e Estesícoro, infelizmente, não restou o suficiente para aquilatarmos sua importância.

Durante o Período Greco-Romano alguns eruditos reuniram e organizaram os mitos gregos e, por isso, são conhecidos entre os modernos estudiosos por mitógrafos (gr. μυθογράφοι). Menção especial deve ser feita à Biblioteca, extensiva compilação em grego efetuada no século I-II, atribuída erroneamente ao ateniense Apolodoro (-180/-110); ao Metamorphoseon, do poeta romano Ovídio (-43/17)[1] e às Fabulae do desconhecido Higino (sæc. II), em latim.

Neste verbete, discutei os mitógrafos Ferécides de Atenas, [Apolodoro], [Eratóstenes], Antonino Liberal e [Higino]. Vários outros autores gregos e romanos foram ou serão abordados em outras partes do Portal; eis os mais importantes para o estudo do mito:

Há também muitos relatos anônimos, fragmentários e difíceis de datar, conhecidos graças aos pedaços de manuscritos e papiros gregos descobertos em Pompeia, Herculano e Egito nos últimos dois séculos.

Uma fonte não escrita têm mostrado importância cada vez maior: as cenas dos vasos de figuras negras e de figuras vermelhas, que esclarecem com frequência episódios míticos pouco conhecidos ou mal descritos nas fontes literárias.

De modo geral, as fontes com frequência contam a mesma história com várias divergências, pois cada autor adotava versões de diferentes origens e fazia as modificações que lhe pareciam mais adequadas. Assim, chegaram a nós muitas variações da mesma lenda e muitas vezes essas versões são altamente conflitantes[2].

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