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Hades

λέγουσιν ἐπ' αὐτῇ τὸν καλούμενον Ἅιδην κεκλεῖσθαί τε ὑπὸ τοῦ Πλούτωνος καὶ ὡς ἐπάνεισιν οὐδεὶς αὖθις ἐξ αὐτοῦ.
Pausânias 5.20.3

Dizem que o local conhecido por Hades foi trancado por Plutão e que de lá ninguém volta.

 
 
O rapto de Perséfone I

Hades (gr. Ἅδης) era o deus soberano do mundo subterrâneo, destino final da sombra dos mortos; seu nome significa ‘o invisível’. Era também conhecido por Plutão (gr. Πλούτων), que significa ‘rico’, pois era ele o proprietário de todas as riquezas que existem sob a terra.

A partir do Período Arcaico, Hades era considerado filho de Crono e de Reia, e irmão de Zeus, Posídon, Hera, Deméter e Héstia. Acredita-se que durante a titanomaquia ele recebeu dos ciclopes um capuz ou capacete que tornava seu portador invisível. Na partilha que se seguiu à luta, coube-lhe o controle do mundo subterrâneo e dos mortos.

Hades aparece raramente nas lendas, embora seja muito mencionado. Os principais episódios de que participa são o do rapto de Perséfone (Koré), com quem mais tarde se casou; o do 12º trabalho de Héracles; e o de Orfeu e Eurídice. Não teve filhos.

O hades

O reino de Hades (frequentemente abreviado para “o hades”) era primitivamente localizado no extremo ocidente, além do rio Oceano (Od. 10.508-12), ou diretamente abaixo da superfície (Il. 20.61-6). Esse último conceito veio a moldar, séculos mais tarde, a ideia de “inferno” das religiões europeias e asiáticas.

O hades era um lugar sombrio e sinistro, franqueado por um portão monumental. Os mitos mais antigos nos fornecem poucos detalhes, mas as versões mais tardias são ricas em pormenores. Uma das entradas, por exemplo, era o rio Aqueronte (Od.. 10.513-4).

Quando alguém morria, era levado pelo deus Hermes até o Hades, onde bebia a água do Rio Lete, que trazia o esquecimento da vida terrena, e atravessava o rio Estige em uma barca, conduzida pelo severo Caronte. Como pagamento, o barqueiro recebia um óbolo, a moeda de menor valor, que os parentes colocavam na boca do falecido. O morto atravessava então os portões monumentais, eternamente guardados por Cérbero, cão de três cabeças e cauda de serpente. O feroz guardião permitia a entrada de todos, porém não deixava ninguém sair.

Finalmente, diante de Hades e Perséfone, o defunto enfrentava a sentença dos severos e justíssimos juízes dos mortos — Minos, Radamante e Éaco —. Segundo seus méritos, era conduzido aos aprazíveis Campos Elíseos[1] ou aos tormentos eternos...

É por isso que, no Hino a Deméter, Hades é ironicamente cognominado Πολυδέγµων, 'hospedeiro-mor' (h.Hom. 2.17, 31, 404 e 430), pois ele recebia muitas pessoas em seu reino e as entretinha tão bem que nenhuma ia embora...

Representações e culto

De Hades, nenhum favor ou benefício era esperado; assim, ele não tinha templos e nenhum culto específico lhe era dedicado. Seu nome não era pronunciado, e a ele se referiam através de eufemismos. Era, também, raramente representado; quando isso ocorria, mostravam-no com um cetro, e às vezes com uma cornucópia, símbolo da fartura e da riqueza.

No sul do Épiro, porém, na cidade de Éfira, ficava o famoso oráculo dos mortos, o necromanteion; ele era, de certa forma, um santuário de Perséfone e Hades. A construção parecia um labirinto, com corredores tortuosos e salas sem janelas situadas abaixo e acima do chão.

Influências

A invisibilidade de Hades inspirou, de certa forma, o conto de ficção científica O homem invisível, de H.G. Wells (1897).

Outras iluminuras

 
Hades e Perséfone em seu palácio.
 
Caronte e Hermes.
 
Héracles, Cérbero e Euristeu.
 
O rapto de Perséfone II.

Notas

  1. Após a morte terrena, os deuses enviavam seus escolhidos para as ‘ilhas dos bem-aventurados’ (gr. Μακάρων νῆσοι, Od. 4.561) onde levavam nova vida, perfeita e agradável. O local era vagamente situado no extremo oeste do rio Oceano, metáfora para lugares distantes e inalcançáveis. Na época clássica falava-se dos ‘campos Elíseos’ (gr. sg. Ἠλύσιον πέδιον), prado aprazível e de grande beleza situado igualmente na margem de Oceano; nas versões tardias dos mitos, situava-se o Ἡλύσιον em algum lugar do hades, o mundo subterrâneo dos mortos. É essa, aparentemente, a origem da crença de cristãos e muçulmanos no céu.

Créditos das ilustrações

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Artigo nº 0172
publicado em 19/06/1999. Atualização: 13/05/2002.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Hades. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0172. Consulta: 17/11/2017.
 
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