 | |
6
Menelau, avisado por Íris, voltou rapidamente de Creta e recorreu ao seu poderoso
irmão, Agamêmnon, que convocou todos os antigos pretendentes de Helena.
Falha a diplomacia
Resolveu-se, inicialmente, tentar a recuperação de Helena (e dos tesouros que ela
havia levado, é claro) por via diplomática. O próprio Menelau e Odisseu, rei de Ítaca,
se dirigiram a Tróia na qualidade de embaixadores. Em algumas versões, Palamedes,
primo de Menelau e filho de Náuplio, um dos argonautas, também participou da
embaixada.
Em Tróia, os embaixadores foram bem recebidos por Antenor, ancião troiano que tinha
laços de amizade com alguns reis gregos. Introduzidos na assembléia troiana, Odisseu
e Menelau apresentaram sua petição; os troianos, porém, rechaçaram-na e a
guerra se tornou inevitável.
A primeira expedição
A maioria dos reis gregos — ou seus poderosos filhos — ligados a Menelau
pelo juramento dos pretendentes reuniu-se em Áulis, na Beócia. Agamêmnon,
rei de Micenas, foi escolhido comandante-em-chefe das forças gregas.
As forças gregas se dirigiram para a Ásia Menor e desembarcaram, por engano, na
Mísia. Enfrentados e rechaçados por Télefo, os gregos se dispersaram e tiveram que
voltar para a Grécia. Télefo, porém, havia sido ferido por Aquiles durante a luta e
sofria intensamente por causa do ferimento, que nunca cicatrizava; consultado, o Oráculo
de Apolo em Pátaros, Lícia, predisse que "somente quem ferira poderia curar". Graças a
isso, os gregos conseguiriam preparar uma segunda expedição.
A segunda expedição
Na Grécia, os reis estavam tentando novamente se organizar e alguns dos principais
heróis estavam reunidos no palácio de Agamênon. Télefo dirigiu-se para lá, conseguiu
entrar no palácio e, tomando como refém o pequeno Orestes, filho de Agamêmon e de
Clitemnestra, conseguiu ser ouvido pelos inimigos; na famosa versão de Eurípides, Télefo
se disfarçou de mendigo para conseguir entrar. Em troca da cura, Télefo
prontificou-se a ensinar aos gregos o caminho correto para Tróia e a
permanecer neutro durante o conflito. Aquiles curou a ferida, colocando nela um pouco da
ferrugem de sua lança, e Télefo cumpriu sua promessa.
Segundo a tradição, os gregos conseguiram se reunir novamente em Áulis oito ou dez
anos depois da primeira expedição; uma expressiva calmaria, porém, impedia a saída dos
navios. O adivinho Calcas atribuiu o problema à cólera de Ártemis, ofendida porque
Agamênon teria flechado uma corça dedicada a ela ou por outra razão qualquer, e disse
que a deusa exigia o sacrifício de Ifigênia (gr. Ἰφιγένεια), a filha
mais velha de Agamênon. O rei, pressionado pelas circunstâncias, teve que concordar e,
logo depois do sacrifício, os navios gregos puderam finalmente velejar rumo à cidade de
Tróia, que tinha fama de inexpugnável.
Além dos dois átridas, Agamêmnon (de Micenas) e Menelau (da Lacedemônia), os
mais importantes guerreiros gregos que embarcaram para Tróia foram: Ájax "o menor",
filho de Oileu (Lócrida); Ájax "o maior", filho de Télamon (Salamina); Diomedes, filho
de Tideu (Argos); Nestor, filho de Neleu (Pilos); Palamedes, filho de Náuplio (Náuplio);
Odisseu, filho de Laerte (Ítaca); Idomeneu, filho de Deucalião (Creta); Tlepólemo, filho
de Héracles (Rodes); Aquiles, filho de Peleu e seu grande amigo Pátroclo, filho de
Menécio (Ftia); Protesilau, filho de Íficlo (Tessália); Êumelo, filho de Admeto (Feras);
Filoctetes, filho de Peas (Magnésia); e Macáon, filho de Asclépio (Trica).
Odisseu e Aquiles
Consta que não foi fácil recrutar o engenhoso Odisseu (gr. Ὀδυσσεύς), inclinado a não se ausentar de
Ítaca, e Aquiles, escondido pelo pai, Peleu, na ilha de Squiros. Abordado, Odisseu
fingiu loucura, manobrando um arado na areia e semeando sal, mas foi engenhosamente
desmascarado por Palamedes, que colocou Telêmaco, o recém-nascido filho de
Odisseu, na frente do arado.
Embora recrutado a contragosto, Odisseu acabou por aderir à expedição e
empenhou-se em conseguir a ajuda de Aquiles. Depois de investigar um pouco,
disfarçou-se de mercador e, auxiliado por Diomedes, foi a Squiros oferecer
artigos femininos às mulheres do palácio real. Colocou discretamente uma espada e um
escudo no meio das mercadorias e Diomedes, escondido, fez soar uma trombeta com o toque
"inimigo à vista". Todas as mulheres do gineceu fugiram imediatamente, em polvorosa
— menos uma, que empunhou a espada e o escudo com firmeza e aguardou friamente a
chegada dos inimigos...
A mãe de Aquiles, Tétis, havia profetizado que, se fosse a Tróia, ele morreria na
empreitada mas atingiria glória imortal; se não fosse, teria vida anônima mas longa.
Consta que Odisseu não precisou se esforçar muito para persuadir Aquiles; o jovem
decidiu-se, sem hesitar, pela vida curta mas gloriosa.
Iconografia
Desses mitos, os temas a que os artistas gregos recorreram mais frequentemente foram
a visita de Télefo a Argos e a estada da segunda expedição em Áulis, notadamente a
famosa cena do jogo de tabuleiro entre Ájax e Aquiles e o sacrifício de Ifigênia.
ReferênciasConsulte a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. A guerra de Tróia. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0449. Consulta: 07/09/2010. |