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Aratos de Soli

Aratos de Soli (gr. Ἄρατος) é representante da poesia erudita e, ao mesmo tempo, da poesia didática helenística. Grande foi a influência de sua obra em poetas e filósofos contemporâneos (e.g. Calímaco, Leônidas de Tarento) e posteriores (e.g. Cícero, Virgílio, São Paulo, Ovídio).

Vida e obra

Seu pai se chamava Atenodoro. Nasceu em Soli, Cilícia, e viveu na primeira metade do século -III. Estudou com o gramático[1] Menécrates de Rodes, com o filósofo Timon e em Atenas, onde viveu durante certo tempo, frequentou os círculos dos filósofos estoicos. A única data confiável de sua vida é -276, ano em que foi convocado por Antígono II Gônatas (c. -320/-239) à sua corte. Antes dessa ocasião, portanto, ele já havia estabelecido uma sólida reputação de poeta. É possível que, no final da vida, tenha passado algum tempo na Síria, na corte de Antíoco II (c. -287-/-246), possivelmente. Acredita-se, finalmente, que Aratos faleceu pouco antes de Antígono, i.e., antes de -239 (Kidd, 1997, p. 5).

Sua obra mais conhecida, Fenômenos, foi escrita provavelmente algum tempo depois de -276. De acordo com a Suda, Arato escreveu ainda poemas fúnebres, hinos (em especial um hino a ), elegias e epigramas. Somente o poema Fenômenos e dois epigramas (A.P. 11.437 e 12.129) chegaram até nossos dias; das demais obras, restam apenas o título e escassos fragmentos.

Fontes

Três Vidas incluídas nos mmss., uma das quais foi certamente escrita por Teon de Alexandria (c. 335/405); Suid. s.v. Ἄρατος; numerosas citações em diversos autores antigos.

Características

Além de erudito, Arato procurou ser — pelo menos no poema Fenômenos — o mais didático possível. Não teve pretensão de ter criado um texto científico, uma vez que a inexatidão de muitas de suas descrições astronômicas mostra falta de preparo científico. Parte de seus dados procede, aparamentemente, de obras perdidas do matemático, astrônomo e geógrafo Eudoxo de Cnido (c. -400/-347). Seguindo o caminho aberto por Hesíodo com Os Trabalhos e os Dias, Arato procurou apenas organizar, de forma poética, informações astronômicas e meteorológicas úteis a marinheiros e agricultores. O poema foi composto em versos hexâmetros e tem estilo relativamente simples, direto, com numerosas influências estoicas.

Pelo pouco que se pode deduzir do título e dos fragmentos das obras perdidas de Aratos, o poeta também se dedicou a outros gêneros, característicos da poesia erudita, e também à filologia, tendo preparado uma edição da Odisseia.

Edições e traduções de Aratos: em breve, na sinopse sobre o poema Fenômenos.

Notas

  1. Os antigos gramáticos (lat. sg. grammaticus), sobre quem Suetônio (c. 69/140) fala extensivamente em sua obra De Grammaticis, não eram “professores de gramática” no sentido mais moderno do termo. A principal atividade desses gramáticos era a explicação dos textos e, consequentemente, estão mais próximo dos “professores de literatura” de nossa época... Os eruditos que estudavam os antigos textos na Biblioteca de Alexandria e em outros centros do saber eram também muitas vezes chamados de “gramáticos”.
    E. Julien, Les Professeurs de littérature de l´ancienne Rome ..., Paris, Delagrave, 1886.

Referências

Douglas A. Kidd, Aratus Phaenomena, Cambridge, Cambridge University Press, 1997.

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Artigo nº 0837
publicado em 14/06/2009.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Aratos de Soli. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0837. Consulta: 19/09/2017.
 
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