 | |
De todas as formas de Arte, a cerâmica pintada foi a que mais resistiu à ação do
tempo. Restam-nos numerosos exemplos de todos os estilos e períodos
artísticos.
Inicialmente, somente os vasos utilizados como oferendas fúnebres eram pintados. Com
o tempo os vasos de utilidade diária passaram a ser também cuidadosamente decorados em
quase toda a superfície com motivos geométricos, figuras de animais, cenas mitológicas
e cenas do dia-a-dia. As elaboradas cenas narrativas, aliás,
distinguem a decoração dos vasos gregos em relação aos vasos produzidos pelas demais
civilizações antigas.
A forma e o tipo de vaso teve grande variação ao longo da História Grega, e de modo
geral pode-se dizer que o uso ditava a forma. Os tipos mais importantes
durante as épocas arcaica e clássica, o apogeu da cerâmica grega, estão esquematizados
na Fig. 0023.
A ânfora e a hídria eram recipientes de armazenagem (vinho, azeite,
cereais); a cratera, a enócoa, o cálice (gr. κύλιξ) e o
skýphos (gr. σκύφος), uma
espécie de canecão, eram utilizados em refeições festivas; o lécito, o
alabastro e o aríbalo guardavam azeite ou perfume para higiene pessoal; o
lutróforo era usado somente em certos rituais das cerimônias de casamento.
A confecção dos vasos seguia em geral o seguinte procedimento: primeiro, a argila
era preparada e o pote moldado, em partes separadas, em uma roda simples de oleiro,
posta a girar pelo próprio ceramista ou um ajudante. Depois de secar algum tempo ao ar
livre e serem novamente levadas à roda, para dar a forma final, as peças eram unidas
com argila líquida, as alças eram colocadas e as superfícies alisadas. Depois disso
vinha a pintura, efetuada com diversas técnicas e, finalmente, o vaso era levado ao
fogo.
O apogeu da pintura dos vasos pode ser situado no século -VI e nas
primeiras décadas do século -V, época dos vasos de "figuras negras" e de
"figuras vermelhas", dos quais os museus contêm numerosos exemplos. Diversos artistas
puderam ser identificados; outros são conhecidos apenas por apelidos mais ou menos
sugestivos, em geral começando com a expressão "Pintor de" e mais o nome da cidade, do
ceramista, de um vaso ou de uma cena famosa.
Eis uma pequena lista dos mais importantes: Pintor de Amásis (séc.
-VI); Exéquias (c. -550/-530); Epicteto (c.
-520/-500); Eufrônio (c. -515/-480); Onésimo
(c. -505/-485); Pintores de Berlim, de Brigos e de Cleofrades
(c. -500/-480); Douris (c. -500/-470); Pintor
de Pã (c. -480/-450); Pintor dos Nióbidas (c.
-465/-450); Pintor de Pentesiléia (c. -465/-445); Pintor de
Erétria (c. -430/-420); e o Pintor de Midias (c.
-420/-400).
ReferênciasConsulte a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. As formas cerâmicas. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0053. Consulta: 10/09/2010. |