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Eliano

Eliano (gr. Κλαύδιος Αἰλιανός), também conhecido por Claudius Aelianus[1], era um “sofista” ou rétor[2] romano que escreveu suas obras em grego.

Rétor romano desconhecido.

Romano (VH 2.38; 12.25; 14.45) de Preneste (atual Palestrina), nasceu entre 161 e 177 e faleceu com pouco mais de 60 anos, entre 222 e 238[3]. Na juventude, mais ou menos entre 190 e 197, estudou com o sofista/rétor Pausânias de Cesareia e, durante algum tempo, também ensinou retórica; logo, porém, passou a se dedicar apenas aos seus escritos.

Segundo a Suda, era ἀρχιερεύς, ‘sumo sacerdote’, mas não sabemos de qual divindade e se exercia o cargo em Roma ou em Preneste. Filóstrato de Atenas, seu contemporâneo, alega que ele nunca saiu de Roma, mas uma passagem do próprio Eliano (NA 11.40) sugere que ele esteve em Alexandria. De acordo com Filóstrato, ele falava e escrevia o dialeto ático com perfeição, mas os eruditos modernos discordam (e.g. Wilson 1997, p. 3-4). Nunca se casou, aparentemente; nada mais sabemos de sua vida.

Suas obras mais importantes, ‘Da natureza dos animais’ (gr. Περὶ ζῴων Ἰδιότητος) e ‘Histórias diversas’ (gr. Ποικίλη ἱστορία), esta inacabada, chegaram até nós. Ambas contêm breves anedotas, fábulas, descrições e relatos fantásticos selecionados do texto de autores mais antigos e, portanto, se enquadram no gênero paradoxográfico[4]. Eram dirigidas, obviamente, a um público culto e sedento de informações variadas.

Dispomos também de vinte cartas imaginárias que abordam questões ligadas à vida rural e à agricultura. De acordo com o título dos manuscritos — ἐκ τῶν Αἰλιανοῦ ἀγροικικῶν ἐπιστολῶν, ‘das cartas rústicas de Eliano’ —, elas foram retiradas de uma coleção mais numerosa. Duas outras obras de Eliano, Περὶ προνοίας, ‘Da providência’ e Περὶ θείων ἐναργείων, ‘Das manifestações dos deuses’, são conhecidas através de fragmentos.

Fontes

Philostr. VS 2.31; Suid. s.v. Αἰλιανός.

Notas

  1. Não confundir com Eliano, o Tático (fl. sæc. II), historiador romano que escreveu um tratado de estratégia militar em grego por volta de 106.
  2. No final do século II, o termo “sofista” não tinha mais conotações filosóficas e só denotava aqueles que ensinavam ou praticavam a retórica (Scholfield 1958, p. xi)
  3. Datas “tradicionais” de Eliano: c. 170 e c. 235.
  4. Paradoxografia, do gr. παράδοξος, ‘contrário à expectiva, inacreditável’, é um gênero da literatura helenística e greco-romana que reúne fenômenos extraordinários ou inexplicáveis relatados por vários autores.

Referências

A. F. Scholfield, Aelian On Animals, v. 1, London and Cambridge MA, Heinemann and Harvard U Press, 1958. Nigel G. Wilson, Aelian Historical Miscellany, Cambridge MA and London, Harvard U Press, 1997.

Créditos das ilustrações

i1236Orador / rétor romano desconhecido → Ver comentários.

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Artigo nº 1070
publicado em 29/04/2017.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Eliano. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=1070. Consulta: 17/11/2017.
 
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