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FABVLAE
Gênese
altera
NOMINES
Χάος
Ἔρως
Τάρταρος
Γαῖα / Γῆ


Caos
Eros
Tártaro
Terra Mater
 
Gênese
s gregos conheciam diversas lendas sobre a origem do mundo. Homero considerava o titã Oceano a origem dos outros deuses; as doutrinas órficas, a julgar por testemunhos tardios, mencionavam Nix como o princípio de todas as coisas; para Hesíodo, tudo havia começado com Caos e Gaia. Ferécides de Siros (séc. -VI) sustentava que Zeus, Crono e Gaia haviam existido sempre e, portanto, não teria ocorrido propriamente uma criação. Outras fontes mencionam, ainda, a origem a partir de um "ovo primordial"...

Todas as forças que haviam atuado no momento da criação, todavia, e em qualquer das versões conhecidas, eram divinas para os gregos.

A cosmogonia de Hesíodo

A versão contida na Teogonia de Hesíodo é, dentre todas, uma das mais coerentes e bem estruturadas, além de didática. É, também, a mais conhecida:

                   Caos
                    |
  +--------+--------+--------+--------+
  |        |        |        |        |
 Gaia   Tártaro    Eros    Érebo     Nix

No princípio, existia apenas o Caos (gr. Χάος), vazio primordial e escuro que precedeu toda a existência; depois, surgiu Gaia, a "mãe de todos", e a seguir vieram Tártaro e Eros, e Érebo e Nix.

Essas poderosas divindades primitivas começaram a existir, aparentemente, a partir de simples desdobramentos, sem a ajuda de qualquer união sexual. Originaram, posteriormente, os deuses propriamente ditos através de mais desdobramentos ou, então, "unidos em amor"... (Hes.Th. 125).

Eros e Tártaro

Assim como Caos, essas duas entidades eram mais conceituais do que corpóreas e refletem o gosto dos antigos gregos pelas abstrações.

Eros (gr. Ἔρως), o amor, "o mais belo dentre os deuses imortais", representa o impulso amoroso que compeliu as primeiras divindades a se unir para gerar descendência. Esse Eros não deve ser confundido com o "travesso" filho de Afrodite; trata-se, aqui, de uma força primordial capaz de formar o mundo através da união de elementos individuais.

O Tártaro (gr. Τάρταρος) era uma espécie de abismo distante, localizado bem abaixo de Gaia. Era uma região de trevas profundas e eternas, onde os deuses encarceravam em geral seus maiores inimigos, como por exemplo os derrotados titãs. Muito tempo depois da criação do mundo, quando Zeus era já a divindade suprema, Tártaro uniu-se a Gaia e gerou o monstruoso Tífon.

Depois do Período Clássico, Tártaro tornou-se praticamente um sinônimo de Hades, nome do local para onde iam as sombras dos mortos.

Gaia
Ἤτοι μὲν πρώτιστα Χάος γένετ'· αὐτὰρ ἔπειτα
Γαῖ' εὐρύστερος, πάντων ἕδος ἀσφαλὲς αἰεὶ.
Pois bem, no princípio nasceu Caos; depois,
Gaia de amplo seio, a eterna base de tudo.
Hes. Th. 116-7

Gaia ou Gê (gr. Γαῖα / Γῆ), a "terra-mãe", a mãe dos deuses e dos homens, personificava a inesgotável capacidade geradora da terra; as linhagens divinas mais importantes, os piores monstros e também todos os homens descendem dela. Sua participação nas lendas se caracteriza pelas infalíveis profecias, ou então simplesmente pela capacidade de ter filhos.

Nos mitos posteriores à gigantomaquia e ao estabelecimento de Zeus como rei dos deuses e dos homens, Gaia aparece ocasionalmente. É mencionada, por exemplo, como ancestral dos primeiros reis atenienses e como mãe do gigantesco Anteu, da serpente Píton e da monstruosa Caríbdis.

Finalmente, Gaia não deve ser confundida com as "deusas-mães" pré-helênicas, ligadas à vegetação e aos animais selvagens. Aparentemente, esses atributos foram incorporados por Afrodite, Ártemis, Deméter e Cibele, deusas mais jovens; Gaia está ligada apenas às forças primevas da criação.

Iconografia e culto

Somente Gaia era cultuada e habitualmente representada em obras de arte, em geral como uma mulher de aspecto maternal que às vezes emergia diretamente do solo. Muitas vezes uma serpente, símbolo ctônico (= da terra) por excelência, representava a deusa.

O culto à deusa era bastante difundido nas épocas mais recuadas da cultura grega (Atenas, Esparta, Olímpia, Tegéia, Delfos...); acabou, porém, suplantado pelos deuses olímpicos. Em Delfos, por exemplo, no mesmo local em que existia um antigo santuário de Gaia, foi instalado o famoso Oráculo consagrado a Apolo Pítio. O deus recém-chegado, simbolicamente, matou a monstruosa serpente Píton, filha de Gaia, que vivia no local. A vitória de Apolo, porém, não foi completa: a tradição de chamar a sacerdotiza que recebia as profecias de "pítia" se manteve...


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04.01.1999
Monografia 0088
     
Data da consulta: 12.05.2008
 
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