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Álcman

 
Coro de mênades e sátiros e Pandora

Alcman (gr. Ἀλκμάν) é, até agora, o mais antigo autor de odes corais que conhecemos. Viveu em Esparta, durante a segunda metade do século -VII, provavelmente; não se sabe com certeza onde nasceu. Alguns eruditos afirmam que ele era espartano, mas outros sustentam que ele nasceu na Lídia. Na realidade, apenas anedotas sobre sua vida chegaram até nós.

Compôs hinos religiosos, himeneus e odes corais para moças e rapazes, cantadas pelos espartanos durante as cerimônias cívicas da pólis. Essas odes corais (no caso das moças, o canto era chamado de partheneion) eram provavelmente apresentadas em ritos de passagem para a vida adulta (Calame, 1977). Seu estilo era simples, agradável e de grande beleza melódica, salpicado de humor e de sensualidade. As imagens da natureza são brilhantes e “transmitem a graça e a alegria de um mundo arcaico” (Davies, 1998). Também abordou temas míticos, como as lendas de Níobe, Tântalo, Odisseu e Circe.

Álcman utilizava, basicamente, o dialeto dórico, juntamente com algumas expressões épicas e eólicas, em diversos metros líricos. Hinge (2006), por outro lado, acredita que os versos foram originalmente escritos com base no dialeto “épico” e transcritos posteriormente para o dialeto dórico, durante o Período Helenístico.

Fragmentos, edições, traduções

Os eruditos alexandrinos, que consideravam Álcman o mais antigo membro do seu cânone alexandrino de nove poetas líricos, reuniram seus poemas corais em dois livros (St. Biz. s.v. Ἐρυσίχη).

Até 1855, dispúnhamos apenas de pequenas passagens de sua obra, conservadas por autores tardios e editadas por Welcker (1815) e Bergk (1854). Nesse ano, M. Mariette descobriu um papiro no Egito, datado do século I, perto da segunda pirâmide de Saqqara, com mais ou menos 100 versos de um partheneion. Em Oxirrinco, Egito, pouco antes de 1957, um longo fragmento de outro partheneion foi descoberto. Nos últimos 50 anos, muitos fragmentos têm sido encontrados e publicados. O fragmento de Sakkarah, conhecido por papiro de Mariette, está conservado em Paris, no Museu do Louvre, e foi publicado em 1860, pela primeira vez, por Émile Egger.

As edições modernas básicas, que contêm pelo menos o fragmento do Papiro de Mariette, são a nova edição de Bergk (1882) e as de Farnell (1891), Garzya (1954) e Page (1962; supplementum, 1974), essa a mais completa. A mais recente, preparada por Davies (1991), não ultrapassou a de Page.

Em português, as primeiras traduções de passagens de Álcman foram publicadas em Hélade, antologia preparada por Maria Helena da Rocha Pereira (1998); mais recentemente, Giuliana Ragusa (2013) e outros helenistas têm traduzido, aqui e ali, mais alguns trechos.

Referências

Claude Calame, Les chœurs des jeunes filles en Grèce Archaïque - Alcman, v. 2, Rome, Ateneo e Bizzarri, 1977. A.M. Davies, A poesia lírica e de outros gêneros, in M.I. Finley (org.), O legado da Grécia, trad. Y.V. Pinto de Almeida, Brasília, Ed. UnB, 1998, p. 111-42. George Hinge, Die Sprache Alkmans: Textgeschichte und Sprachgeschichte, Wiesbaden, Ludwig Reichert, 2006.

Leitura complementar brpt

Giuliana Ragusa, Lira grega: antologia de poesia arcaica, São Paulo, Hedra, 2013.

Créditos das ilustrações

i0532Coro de mênades e sátiros e Pandora → Ver comentários.

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Imprenta

Artigo nº 0113
publicado em 15/02/1999. Atualização: 14/10/2007.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Álcman. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0113. Consulta: 29/06/2017.
 
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