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Érebo

Quarta divindade primordial a surgir depois de Caos, um dos representantes da escuridão primordial.

Érebo (gr. Ἔρεβος) não tem mitos próprios e dele só conhecemos a união com Nix. Note-se que, embora o gênero desse substantivo seja neutro, Érebo foi o elemento masculino do breve relacionamento. Seus filhos são Éter e Hemera, duas luminosas entidades primordiais.

Assim como Tártaro, Érebo se confundia, na mente dos gregos, com a escuridão do mundo dos mortos, situada bem abaixo de Gaia. Nos poemas homéricos seu nome já era considerado sinônimo de hades e, em Hesíodo, ele já se confunde com o Tártaro.

Não são conhecidas representações artísticas ou cultos dedicados a Érebo.

Ilíada, 8.368, 9.571-2 e 16.325-7; Odisseia, 10.526-30, 11.36-47 e 563-4, 12.80-2, 20.355-6. Hesíodo, Teogonia 123-5, 514-6 e 668-70; hino a Deméter 407-9; Álcman F 5; Aristófanes, Aves 693; Cícero, Da natureza dos deuses 3.17.

Variantes

Álcman (F 5) possivelmente se refere a Érebo e à escuridão primeva ao mencionar σκότος, ‘escuridão’ usualmente associada ao mundo dos mortos (LSJ, s.v.). Para Aristófanes (Aves 693-8), Caos, Nix, Érebo e Tártaro foram as primeiras divindades.

Segundo [Higino] (Histórias prefácio 1.1-3), Érebo, Nix e Éter vieram de Caos e Caligo, ‘Escuridão’. Érebo e Nix são os pais de várias divindades, muitas usualmente atribuídas apenas a Nix.

Nas teogonias órficas (e.g. Teogonia rapsódica F 78 e 96B), Crono[1], o tempo, teve três filhos: Éter, Caos e Érebo.

Dos poetas modernos, o mais notável a mencionar Érebo é Shakespeare (O Mercador de Veneza, 1596-1599, V.1.84-5):

The motions of his spirit are dull as night
And his affections dark as Erebus.
Os movimentos de seu espírito são sombrios como a noite
e seus afetos, escuros como Érebo.

Seu nome foi dado a um vulcão ativo da Ilha de Ross, Antártida, o Monte Érebo. Erebus é também uma cratera de impacto situada em Marte, assim denominada em homenagem a antigo navio de guerra, o HMS Erebus.

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