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FABVLAE
Os filhos de Gaia
altera
NOMINES
Πόντος
Νηρεύς
Πρωτεύς
Κύκλωπες
Ἑκατόγχειρες


Ponto
Nereu
Proteu
Ciclopes
Hecatônquiros
 
Os filhos de Gaia
aia, a eterna base de tudo, foi a mais prolífica das forças primordiais que emergiram do Caos. Dela vieram tanto divindades primitivas e monstros terríveis, como também deuses de forma humana e, finalmente, os mortais.

                             Caos
                              |
               +------------ Gaia
               |              |
            +--+     +--------+--------+
            |  |     |        |        |
            |  +-- Urano      |      Ponto
            |                 |        |
            |             Montanhas    ?
            |                          |
  +---------+---------+              Nereu
  |         |         |
Titãs   Ciclopes   Hecatônquiros

A partir de Gaia, sem o desejável ato de amor, surgiram primeiro Urano, o céu; as grandes Montanhas (ou Colinas); e Ponto, o mar. Posteriormente, Gaia se uniu a Urano e a Ponto, seus próprios filhos.

Ponto, Nereu e Proteu

Ponto (gr. Πόντος), o mar, é mencionado apenas nas genealogias. Seu filho Nereu, o velho do mar, antiga e benigna divindade marinha, ainda está bem próximo das forças elementares da natureza. A julgar por Hesíodo, Ponto sozinho deu origem a Nereu (Hes. Th. 233-236); nas versões mais tardias, ele teve de unir-se a Gaia para gerar o filho.

Nereu (gr. Νηρεύς) vivia no fundo do mar, era capaz de assumir qualquer forma, sabia de tudo o que acontecia e conhecia todos os segredos. Héracles, por exemplo, recorreu aos seus amplos conhecimentos durante o 11º Trabalho. Depois da destituição de Urano, casou-se com Dóris, filha do titã Oceano, e teve cinqüenta filhas, as nereidas.

Proteu (gr. Πρωτεύς), outro antigo deus do mar, era conhecido por Homero e concebido de forma muito semelhante a Nereu: era velho, capaz de se metamorfosear em qualquer coisa e de responder a qualquer pergunta. Sua ascendência não é mencionada pelos mitógrafos; na Odisséia aparece como um pastor do rebanho de focas do deus Posídon (Od. 4, 364-570).

Não é improvável, a julgar pela confusão que envolve a exata natureza das antigas divindades marinhas, que Nereu e Proteu (e também Fórcis, filho de Ponto e Gaia) sejam apenas diferentes aspectos de uma única e antiquíssima entidade, possivelmente pré-helênica.

ὡς οὐρανός τε γαῖά τ' ἦν μορφὴ μία·
ἐπεὶ δ' ἐχωρίσθησαν ἀλλήλων δίχα,
τίκτουσὶ πάντα κἀνέδωκαν εἰς φάος,
δένδρη, πετεὶνά, θῆρας οὕς θ' ἅλμη τρέφεὶ
γένος τε θνητῶν.
o céu a terra eram uma só forma;
e quando se separaram um do outro, em dois,
criaram todas as coisas e levaram-nas à luz:
árvores, aves, animais, seres que o mar alimenta
e a raça dos mortais.
Eurípides, fr. 484.2-6
Urano e os filhos

Na teogonia hesiódica, Urano, personificação do céu estrelado, foi a primeira divindade a controlar o mundo. Assim que surgiu, Urano recobriu Gaia em toda a sua extensão e se tornou seu consorte. A partir da união entre o céu e a terra (sc. Urano e Gaia) o mundo começou, efetivamente, a tomar forma. Nesse ponto, a mitologia grega concorda com outras tradições antigas.

A princípio, Urano gerou divindades poderosas, selvagens e incontroláveis, que obedeciam apenas sua própria natureza: os ciclopes e os hecatônquiros. Mais tarde (ou antes, segundo Hesíodo), gerou os titãs, ancestrais dos deuses olímpicos e dos mortais. Os titãs, menos selvagens mas igualmente poderosos, eram Oceano, Ceos, Crios, Hipérion, Jápeto e Crono; suas irmãs, as titânides, eram Réia, Téia, Febe, Têmis, Mnemósine e Tétis.

Os ciclopes (gr. κύκλωπες) eram três gigantes com um único olho no meio da testa e grande habilidade manual: Brontes, o trovão; Estérope, o relâmpago; e Arges, o raio. Os hecatônquiros (gr. ἑκατόγχειρες) também eram três, igualmente gigantescos, poderosos e dotados de cem braços e cinqüenta cabeças: Coto, Briaréu e Gigues.

Urano detestou todos os filhos desde o começo; provavelmente, também os temia. À medida que nasciam, mantinha-os sob a terra, não os deixava ver a luz, e "se deliciava com essa obra maligna" (Hes. Th. 158)...

A lenda mais importante de que Urano participa é a de sua própria destituição; os hecatônquiros e ciclopes participam, basicamente, da titanomaquia; um dos hecatônquiros, Briaréu, ajudou Zeus durante a revolta dos olímpicos. As lendas dos titãs serão abordadas nos dois próximos textos.

Iconografia e culto

Urano, Ponto, montanhas, ciclopes e hecatônquiros não eram objeto de culto, nem habitualmente representados em obras de arte.

Nereu, por outro lado, foi um tema relativamente comum entre os ceramistas gregos. Era pintado muitas vezes como um velho de aspecto benevolente, segurando um peixe, símbolo das antigas entidades marinhas; mais raramente, um cajado ou um cetro. Em muitos vasos foi representado como um tritão (meio homem, meio peixe), em geral atracado com Héracles, quando então se confundia com Tritão.


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15.01.1999
Monografia 0095
     
Data da consulta: 09.05.2008
 
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