
navigatio
FABVLAE
Os filhos de Gaia altera NOMINES
Πόντος
Νηρεύς Πρωτεύς Κύκλωπες Ἑκατόγχειρες Ponto Nereu Proteu Ciclopes Hecatônquiros |
Os filhos de Gaia
Caos
|
+------------ Gaia
| |
+--+ +--------+--------+
| | | | |
| +-- Urano | Ponto
| | |
| Montanhas ?
| |
+---------+---------+ Nereu
| | |
Titãs Ciclopes Hecatônquiros
A partir de Gaia, sem o desejável ato de amor, surgiram primeiro Urano, o céu; as grandes Montanhas (ou Colinas); e Ponto, o mar. Posteriormente, Gaia se uniu a Urano e a Ponto, seus próprios filhos. Ponto, Nereu e ProteuPonto (gr. Πόντος), o mar, é mencionado apenas nas genealogias. Seu filho Nereu, o velho do mar, antiga e benigna divindade marinha, ainda está bem próximo das forças elementares da natureza. A julgar por Hesíodo, Ponto sozinho deu origem a Nereu (Hes. Th. Nereu (gr. Νηρεύς) vivia no fundo do mar, era capaz de assumir qualquer forma, sabia de tudo o que acontecia e conhecia todos os segredos. Héracles, por exemplo, recorreu aos seus amplos conhecimentos durante o 11º Trabalho. Depois da destituição de Urano, Proteu (gr. Πρωτεύς), outro antigo deus do mar, era conhecido por Homero e concebido de forma muito semelhante a Nereu: era velho, capaz de se metamorfosear em qualquer coisa e de responder a qualquer pergunta. Sua ascendência não é mencionada pelos mitógrafos; na Odisséia aparece como um pastor do rebanho de focas do deus Posídon (Od. 4, Não é improvável, a julgar pela confusão que envolve a exata natureza das antigas divindades marinhas, que Nereu e Proteu (e também Fórcis, filho de Ponto e Gaia) sejam apenas diferentes aspectos de uma única e antiquíssima entidade, possivelmente
ὡς οὐρανός
τε γαῖά τ' ἦν
μορφὴ μία·
o céu a terra eram uma só forma;ἐπεὶ δ' ἐχωρίσθησαν ἀλλήλων δίχα, τίκτουσὶ πάντα κἀνέδωκαν εἰς φάος, δένδρη, πετεὶνά, θῆρας οὕς θ' ἅλμη τρέφεὶ γένος τε θνητῶν. e quando se separaram um do outro, em dois, criaram todas as coisas e levaram-nas à luz: árvores, aves, animais, seres que o mar alimenta e a raça dos mortais. Eurípides, fr. 484.2-6
Urano e os filhosNa teogonia hesiódica, Urano, personificação do céu estrelado, foi a primeira divindade a controlar o mundo. Assim que surgiu, Urano recobriu Gaia em toda a sua extensão e se tornou seu consorte. A partir da união entre o céu e a terra (sc. Urano e Gaia) o mundo começou, efetivamente, a tomar forma. Nesse ponto, a mitologia grega concorda com outras tradições antigas. A princípio, Urano gerou divindades poderosas, selvagens e incontroláveis, que obedeciam apenas sua própria natureza: os ciclopes e os hecatônquiros. Mais tarde (ou antes, segundo Hesíodo), gerou os titãs, ancestrais dos deuses olímpicos e dos mortais. Os titãs, menos selvagens mas igualmente poderosos, eram Oceano, Ceos, Crios, Hipérion, Jápeto e Crono; suas irmãs, as titânides, eram Réia, Téia, Febe, Têmis, Mnemósine e Tétis. Os ciclopes (gr. κύκλωπες) eram três gigantes com um único olho no meio da testa e grande habilidade manual: Brontes, o trovão; Estérope, o relâmpago; e Arges, o raio. Os hecatônquiros (gr. ἑκατόγχειρες) também eram três, igualmente gigantescos, poderosos e dotados de cem braços e cinqüenta cabeças: Coto, Briaréu e Gigues. Urano detestou todos os filhos desde o começo; provavelmente, também os temia. À medida que nasciam, A lenda mais importante de que Urano participa é a de sua própria destituição; os hecatônquiros e ciclopes participam, basicamente, da titanomaquia; um dos hecatônquiros, Briaréu, ajudou Zeus durante a revolta dos olímpicos. As lendas dos titãs serão abordadas nos dois próximos textos. Iconografia e cultoUrano, Ponto, montanhas, ciclopes e hecatônquiros não eram objeto de culto, nem habitualmente representados em obras de arte. Nereu, por outro lado, foi um tema relativamente comum entre os ceramistas gregos. Era pintado muitas vezes como um velho de aspecto benevolente, segurando um peixe, símbolo das antigas entidades marinhas; mais raramente, um cajado ou um cetro. Em muitos vasos foi representado como um tritão (meio homem, meio peixe), em geral atracado com Héracles, quando então se confundia com Tritão.
| SCHOLIA
|
|
Data da consulta: 09.05.2008 |