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O mito de Teseu

 
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Teseu (gr. Θησεύς), herói e décimo rei de Atenas, era amigo de Héracles, embora mais jovem. Assim como ele, realizou grandes façanhas, livrou o mundo de bandidos e monstros e ainda, segundo a tradição ateniense, promoveu importantes reformas políticas que lançaram as bases da democracia.

Teseu era filho de Egeu, rei de Atenas e de Etra, filha de Piteu, rei de Trezena. Como filho de Egeu, descendia de Hefesto e, de certa forma, de Atena, mas era também considerado filho de Posídon e de Etra. Essa dupla paternidade varia de autor para autor e tem importância de acordo com a aventura que é contada.

As façanhas de Teseu têm origem mais ou menos individualizada, mas são em geral agrupadas de forma cronológica e de acordo com duas fases de sua vida. Na juventude, antes de assumir o trono, ele teria realizado seis façanhas coletivamente conhecidas por Seis Trabalhos de Teseu, denominação claramente inspirada nos trabalhos de Héracles; depois dominou o touro de Maratona, que também evoca uma das façanhas de Héracles e, em sua mais conhecida aventura, derrotou o feroz Minotauro, monstro carnívoro meio-homem e meio-touro que vivia no labirinto de Creta.

As aventuras de Teseu estão descritas com mais detalhes nas sinopses do quadro de navegação.

Depois de se tornar rei de Atenas, Teseu venceu as Amazonas, raptou Helena, a futura Helena de Troia, ajudou Pirítoo contra os centauros, visitou o Hades, acolheu Édipo em seu exílio, ajudou Héracles durante seu ataque de loucura e apoiou Adrasto na questão do sepultamento dos heróis argivos que morreram no episódio dos sete contra Tebas. Já idoso e afastado de Atenas por Menesteu, morreu na ilha de Esquiro.

Em termos de cronologia, as aventuras de Teseu ocorreram no fim da Idade Heroica, algumas décadas antes da guerra de Troia — três gerações, segundo Nestor (Il. 247-72). Embora reconhecido como antigo rei de Atenas pelo historiador Tucídides (2.15), não há evidência de que tenha realmente existido. Acredita-se que o mito de Teseu tenha surgido no noroeste da Ática, possivelmente em Afidna (Walker, 1995, p. 20).

Durante o Período Clássico, os atenienses fizeram dele seu herói nacional e o associaram a numerosos eventos históricos antigos, de datação extremamente imprecisa, e a aventuras míticas das quais certamente não participou. Daí vem a expressão nada sem Teseu (Plu. Thes. 28.3).

Fontes gerais

As mais antigas referências ao mito de Teseu estão nos poemas homéricos (Il. 1.265 e Od. 2.321-5;630-3). Suas aventuras são contadas de forma mais ou menos avulsa por diversos autores, de diversas épocas, porém relatos mais abrangentes são encontrados apenas em autores tardios, como Diodoro Sículo (4.59-62), Pseudo-Apolodoro (3.16.1-2; Ep. 1) e Plutarco (Thes.). O mais completo é certamente o Θησεὺς καὶ Ῥωμύλος de Plutarco, um dos capítulos de sua obra Vidas Paralelas.

De acordo com citações de autores antigos (Arist. Po. 1451a.19; Plu. Thes. 28; Σ Pi. O. 3.50b), existiu um poema épico intitulado Teseida que contava todas as aventuras do herói, mas não há nenhum fragmento para apoiar essa suposição.

Iconografia geral

As mais antigas representações das aventuras de Teseu datam do século -VII e vêm de várias partes da Grécia. Das últimas décadas do século -VI em diante, numerosos vasos de figuras negras e de figuras vermelhas da Ática mostram cenas de suas façanhas e, de longe, a mais popular delas é sua luta contra o minotauro de Creta.

Do Período Clássico em diante, relevos e estátuas ilustram igualmente algumas de suas aventuras, mas em quantidade bem menor.

Teseu era usualmente mostrado sem barba, como um efebo que às vezes usava o pílos, tradicional chapéu dos viajantes que também se vê em representações de Odisseu. Neils (1983) propôs que uma das mais importantes obras da Arte grega, o Rapaz de Crítios [Ilum. 0595], é uma representação de Teseu, mas seus argumentos são fracos e não convenceram outros eruditos.

Culto

Em Atenas, e somente em Atenas, havia um culto dedicado a Teseu em diversos santuários fora da acrópole. De acordo com Aristóteles, o mais antigo deles era o Teseion, que remonta ao século -VI e ficava em algum lugar da ágora, mas ainda não foi encontrado pelos arqueólogos; talvez se tratasse apenas de um τέμενος, uma área consagrada. Outros santuários, datados aparentementes do século -IV, localizavam-se em outras partes da pólis.

Festividades em sua honra eram celebradas em várias ocasiões; a mais importante (Plu. Thes. 36; IG II2 1496.133-6), a Teseia, era constituída por um grande sacrifício oferecido no oitavo dia do mês Πυανεψιών (outubro-novembro). Uma antiga família, a dos Φυταλίδαι, cuidava dos sacrifícios e demais deveres sacerdotais vinculados ao culto.

Influência

Além de numerosas representações artísticas antigas e modernas, as aventuras de Teseu inpiraram obras literárias, óperas e filmes, que serão mencionados juntamente com os numerosos episódios de sua lenda.

Outras iluminuras

 
O rapaz de Crítio.

Referências

Henry John Walker, Theseus and Athens, Oxford, Oxford University Press, 1995. Jenifer Neils, ʻThe Quest for Theseus in Classical Sculptureʼ, in Praktika. XII International Congress of Classical Archaeology - Athens, 1983, Athens, ΑΝΑΤΥΠΟ, 1988.

Créditos das ilustrações

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Artigo nº 0402
publicado em 21/09/2016.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. O mito de Teseu. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0402. Consulta: 16/12/2017.
 
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