Græcia Antiqua INTRODUÇÃOARTECIÊNCIASFILOSOFIAGEOGRAFIAHISTÓRIALÍNGUALITERATURAMITOLOGIAMÚSICARELIGIÃO
640 palavras

O Minoico Antigo

 
Instrumentos de metal do Minoico Antigo

A ilha de Creta começou a se desenvolver durante o Minoico Antigo, por volta de -3000 ou de -2500 (a cronologia varia um pouco). Novos estilos de cerâmica, novos costumes funerários e a revolucionária tecnologia do bronze vieram com os imigrantes da Anatólia, da Sírio-Palestina e, segundo alguns especialistas, também do Egito.

No início, muitas cavernas eram ainda ocupadas, mas a quantidade de estabelecimentos em áreas abertas aumentou progressivamente. Nenhuma fortificação foi descoberta até o momento; de modo geral, as aldeias mantiveram as características arquitetônicas básicas do Neolítico. Fournou Korifi (-2500/-2200), no extremo sul da ilha (perto de Myrtos), tinha uma característica interessante: armazéns, residências e oficinas de artesanato situavam-se em diferentes áreas da aldeia, e já havia forte tendência de aglutinação na disposição das casas [Ilum. 498].

Ferramentas e armas de bronze eram fabricados em larga escala, notadamente adagas de lâmina larga e machados de duas lâminas. Embora existissem algumas jazidas de cobre em Creta, a maior parte do metal utilizado era importado de Chipre e da Grécia continental.

Figurinhas de pedra e osso

Selos e anéis de sinete de pedra e de marfim, que séculos mais tarde se tornariam uma das marcas registradas de Creta, apareceram por volta de -2300/-2000, assim como joias de ouro e outros metais. Já figurinhas de pedra, argila e marfim, algumas com nítida influência cicládica, ocorriam desde o início do período.

Os vasos de cerâmica, caprichosamente feitos à mão, tinham geralmente bico alongado e decoração simples, e alguns de formato e decoração mais elaborados tinham provavelmente finalidade ritual. A fabricação de vasos de pedra, técnica de influência egípcia, era bastante expressiva na segunda metade do III milênio aC, mas esses dispendiosos vasos logo passaram a ser copiados em cerâmica.

Fig. 0123. Túmulo-tolo de Koumasa, Creta. A, planta; B, portal de entrada. -3000/-2500.

Os mortos eram enterrados em caixões de terracota (lárnax, pl. lárnaces) ou grandes vasos (pitos)[1] nas diversas grutas da ilha, com variadas oferendas fúnebres.

Havia também túmulos coletivos de forma circular e teto abobadado, construídos fora das povoações, semelhantes aos tolos[2] neolíticos de Chipre e da Ásia Ocidental.

Sistros de terracota encontrados em Arcanes e datados de -2000, aproximadamente, sugerem que alguma forma de música era já utilizada, talvez em rituais e cerimônias ligadas à colheita, como se vê no Harvester Vase [Ilum. 0241b] do fim do Minoico Médio ou início do Minoico Recente. Diversos vasos de terracota com formas humanas e animais, alguns em forma deusa-mãe, indicam a importância dessas e de outras manifestações de fundo religioso durante o Minoico Antigo.

Iluminuras complementares

Notas

  1. O pito (πύθος, pl. πύθοι) é um enorme vaso de cerâmica para armazenagem de líquidos ou de cereais, com paredes grossas, boca larga e extremidade mais afilada, característico de Creta; chegava a atingir 1.74 metros de altura. Deve-se evitar a forma transliterada “pythos”, uma vez que os dicionários já trazem a forma portuguesa desse substantivo (cf. Aurélio, s.v.).
    Imagem: pito com decoração em relevo. Cnossos, c. -1500. Paris, Museu do Louvre. Marie-Lan Nguyen, pd.
  2. Na Antiguidade Clássica, o tolo (lê-se tólo), do gr. θόλος (pl. θόλοι, lat. sg. tholu), era um edifício circular, às vezes cercado de colunas e utilizado como templo; os arqueólogos, no entanto, usam esse termo para designar estruturas circulares com abóbada. Nas antigas culturas do Mediterrâneo e do Oriente Médio a base das paredes era geralmente de pedra, e ainda há muita discussão quanto à técnica empregada na construção da abóbada. As mais antigas edificações com esse formato são, aparentemente, as da Ásia Ocidental (exemplo ao lado). Em tempo: a forma transliterada tholos deve ser abandonada em favor da forma “tolo”, já dicionarizada (cf. Aurélio s.v.).
    Imagem: Arpachiyah, Turquia, -5000/-4000, planta (E) e reconstituição (D). Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., CC BY-NC-ND 4.0.

Créditos das ilustrações

i1154Instrumentos de metal do Minoico Antigo → Ver comentários.
f0123Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., 2000. Apud Vermeule (1992) e Lawrence (1996)/ Fair use.
i0498Um povoado do Minoico Antigo → Ver comentários.
i1351Vaso minoico arredondado → Ver comentários.
i1349Bule “de chá” → Ver comentários.
i0509Bule “de chá” minoico → Ver comentários.
i1348Vaso minoico “de chá” → Ver comentários.
i0068Adagas do Minoico Antigo → Ver comentários.
i0495Joias minoicas antigas → Ver comentários.
i0061A “deusa” de Myrtos → Ver comentários.
i1153Selo em forma de macaco agachado → Ver comentários.
i1350Vaso minoico em forma de animal → Ver comentários.
i1352Sistro minoico → Ver comentários.

Em outras partes do Portal

Links externos

Imprenta

Artigo nº 0631, publicado em 13/07/2000. Última atualização: 06/02/2019.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. O Minoico Antigo. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0631. Consulta: 20/07/2019.
 
Portal Grécia Antiga ISBN 1679-5709 On-line desde 04/11/1997 f   t   i Sobre o Portal Ajuda FAQs Mapa do site Termos de uso 20/07/2019 ← novidades Contato Outras páginas do autor Créditos
 Wilson A. Ribeiro Jr., 1997-2019