Græcia Antiqua INTRODUÇÃOARTECIÊNCIASFILOSOFIAGEOGRAFIAHISTÓRIALÍNGUALITERATURAMITOLOGIAMÚSICARELIGIÃO

Culturas do Bronze Antigo

Breve panorama do desenvolvimento das culturas humanas durante a parte inicial da Idade do Bronze.
 
 
Cavilha ritual de bronze

A economia permaneceu, durante o Bronze Antigo (-3500/-2000), eminentemente neolítica na maior parte da Europa, Ásia e África. Na Ásia Ocidental, porém, na região conhecida por Mesopotâmia (o atual Iraque), surgiram as primeiras cidades e, pouco depois, o primeiro estado politicamente organizado da História.

A evolução das comunidades agrícolas rumo à urbanização e à organização social e política foi, provavelmente, consequência de fatores independentes que envolveram tanto as limitações inerentes à economia neolítica primitiva, como também o progresso das novas tecnologias e suas consequências.

O fim da economia neolítica

No final do Neolítico a própria difusão da revolução agrícola acabou limitando o desenvolvimento das aldeias agrícolas pequenas e auto-suficientes.

O aumento populacional constante e a consequente necessidade de novas áreas de cultivo levou à escassez de terras desocupadas e de cultivo fácil, e ao estabelecimento de um certo estado de guerra: as comunidades mais prósperas tiveram que defender-se constantemente das menos prósperas, e dos grupos nômades de pastores e caçadores que viviam à margem da economia neolítica.

Essa necessidade de defesa constante, mais a fragilidade de aldeias menores diante de eventualidades como pragas, secas e inundações, estimulou a formação de comunidades cada vez maiores e, em alguns lugares mais privilegiados, até a construção de fortificações defensivas (Dimini, por exemplo).

Não é impossível que nas aldeias maiores alguns membros da comunidade se dedicassem apenas às atividades de vigilância e combate, e tenham sido os primeiros militares de carreira...

O bronze

As propriedades do cobre[1] fundido já eram conhecidas por diversas comunidades neolíticas do sudeste da Europa e do oeste da Ásia antes de -5000. Nessa época, porém, o cobre era simplesmente submetido ao fogo a céu aberto, o que o tornava apenas mais maleável. Entre -4000 e -3000, com a utilização de fornos fechados, o cobre pôde ser aquecido até o ponto de fusão, derretido, colocado em moldes de argila ou pedra e martelado até assumir qualquer forma desejada.

Descobriu-se, algum tempo depois, que o acréscimo de pequenas porções de estanho ao cobre criava uma liga metálica de propriedades muito superiores às do cobre puro, e então as ferramentas de bronze[2] começaram a suplantar, lentamente, as de pedra e metais não fundidos.

A tecnologia do bronze difundiu-se por toda a Ásia Ocidental e norte da África, pois devido à crescente necessidade de utensílios do novo metal e à raridade de seus componentes, logo se estabeleceram intensas trocas comerciais entre as áreas de extração e os principais centros consumidores.

A busca pelos metais e a consequente intensificação do comércio entre os centros produtores e os centros consumidores de artefatos de metal terminou, progressivamente, com a autosuficiência neolítica.

As primeiras cidades

A necessidade de domínio da tecnologia do metal, consequente à demanda por armas e outros objetos de bronze e à procura constante da matéria-prima apropriada afastou definitivamente vários membros das comunidades agrícolas das atividades diretamente produtoras de alimentos.

Dentro de pouco tempo, as novas classes sociais de artesãos, ferreiros, comerciantes e soldados que prestavam serviços a toda a comunidade passaram a depender, para se alimentar, dos excedentes produzidos pelos agricultores.

A produção constante de excedentes agrícolas para manter classes sociais não envolvidas diretamente na agricultura requer regulamentação e controle. Quando o relacionamento entre as classes sociais do fim do Neolítico foi politicamente organizado por uma classe ou indivíduo, pode-se dizer que a aldeia neolítica estava finalmente transformada em cidade[3].

Fig. 0105. Reconstrução hipotética do templo da deusa Ninni-zaza em Mari. As dependências davam acesso a um pátio central, onde eram provavelmente realizados os rituais religiosos. Dinástico Arcaico III, c. -2400.

É provável que a mais antiga classe política tenha sido a dos sacerdotes e as primeiras sedes de governo, os templos. A princípio meros especialistas na interpretação dos desejos das divindades do território e conhecedores dos rituais apropriados para apaziguá-las e obter seus favores, em muitas comunidades os sacerdotes assumiram também o poder temporal (Mesopotâmia, por exemplo). Mais tarde, o poder passou progressivamente ao “rei”, a um tempo representante do deus local, chefe do exército e, muitas vezes, o maior proprietário de terras...

Consequências da urbanização

Depois da metalurgia, a mais importante descoberta da Idade do Bronze foi a escrita, inicialmente usada apenas no registro e controle das riquezas produzidas e/ou acumuladas pela cidade. Os primeiros registros escritos eram pictogramas, simples desenhos figurativos; mais tarde alguns desses desenhos tornaram-se ideogramas, i.e., representavam uma ideia abstrata relacionada à imagem. Muito tempo depois surgiram os sinais fonéticos, primeiro representando os sons das sílabas (silabários) e depois das letras (alfabetos).

As primeiras cidades da Idade do Bronze surgiram depois de -3500 na Mesopotâmia e Egito, e já nos primeiros tempos a arquitetura, a cerâmica, a estatuária, os selos de propriedade, a ourivesaria, todas as formas de arte, enfim, receberam grande impulso e atingiram alto grau de refinamento.

Outras iluminuras

 
Cidade sumeriana.
 
O rei Escorpião.
 
Antiga embarcação egípcia.
 
Caracteres cuneiformes primitivos.
 
Homem nu carregando caixa.

Notas

  1. O cobre é um metal avermelhado e maleável que se funde à temperatura de 1083º Celsius e é encontrado na natureza sob a forma de filões e foi extensivamente utilizado no final do Neolítico e na Idade do Bronze das culturas da Ásia Ocidental e do Mediterrâneo Oriental.
    Imagem: cobre nativo de Michigan, EUA. Butte, Museu do Minério. James St. John, CC BY 2.0.
  2. O bronze é uma liga metálica artifical de cobre e estanho, de grande maleabilidade e fácil conformação quando fundido. Durante a Idade do Bronze e toda a Antiguidade foi muito empregado na confecção de ferramentas, armas, objetos de luxo e até estátuas. Suas principais vantagens sobre a pedra e o cobre, seus antecessores, eram a dureza e a durabilidade; sua principal desvantagem era a relativa a raridade das jazidas de cobre e estanho.
    Imagem: estatueta de bronze → Iluminura 0245.
  3. A culminanância do lento processo de evolução da aldeia neolítica comunitária para a cidade social e politicamente organizada da Idade do Bronze é conhecido entre os historiadores por revolução urbana, termo criado — um tanto impropriamente — pelo arqueólogo inglês Vere Gordon Childe (1892/1957). Muitas aglomerações como Çatal Hüyük (Anatólia), Jericó (Sírio-Palestina) e Dimini (Grécia), por exemplo, alcançaram grande extensão já durante o Neolítico; eram todas fortificadas e Çatal Hüyük, inclusive, tinha vários santuários. Não há, no entanto, evidências conclusivas da organização politico-social que caracterizaria os centros urbanos da Idade do Bronze.

Referências

P. Amiet, Oriente Medio, v. 1, Madrid, Alianza, 1984, p. 119.

Créditos das ilustrações

i0198Cavilha ritual de bronze → Ver comentários.
0105Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., 1998. Apud Amiet (1984) → / Fair use.
i0349Cidade sumeriana → Ver comentários.
i0196O rei Escorpião → Ver comentários.
i0194Antiga embarcação egípcia → Ver comentários.
i0197Caracteres cuneiformes primitivos → Ver comentários.
i0361Homem nu carregando caixa → Ver comentários.

Links externos

Imprenta

Artigo nº 0129
publicado em 19/02/1999.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Culturas do Bronze Antigo. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0129. Consulta: 21/07/2017.
 
Portal Grécia Antiga ISBN 1679-5709 On-line desde 04/11/1997 f   t   i   i Sobre o Portal Ajuda FAQs Mapa do site Termos de uso 30/04/2017 ← novidades Contato Outras páginas do autor
 Wilson A. Ribeiro Jr., 1997-2017