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Troia I-V

 
Planos arqueológicos de Troia

No Egeu setentrional o Bronze Antigo está bem estudado no noroeste da Anatólia, em Troia I-V (-3000/-1900) e em duas ilhas próximas, Lemnos (-3000/-2000) e Lesbos (-3000/-2250).

Os colonizadores de Lemnos, de Lesbos e da Tróade, região da Anatólia onde ficava a cidade de Troia, vieram certamente de lugares mais adiantados do interior da Anatólia. Nenhum dos cinco primeiros estratos arqueológicos de Troia mostra qualquer interrupção cultural significativa. O mesmo povo, com os mesmos costumes, dominou a região o tempo todo, e as destruições que marcam a divisão entre Troia I, II, III, IV e V foram todas de ordem natural: incêndios, terremotos, etc.

Fig. 0126. Troia II: P, muralhas, portões monumentais; M, mégaro[1]. -2600/-2250.

As construções mais impressionantes eram as cidadelas de Troia, Lesbos e Lemnos. A mais antiga (Troia I) tinha cerca de 90 metros de diâmetro e muralhas de 2,5 metros de espessura, às vezes entremeadas de torres retangulares. Em Troia II, havia na muralha dois impressionantes portões e rampas pavimentadas com pedras. No interior das fortalezas, havia quase sempre um grande mégaro; o de Troia II tinha no centro uma lareira circular de 4 metros de diâmetro, semelhante à dos palácios micênicos posteriores (-1400/-1200), e provavelmente pertencia ao rei ou chefe local.

A cerâmica da região era de formato e tamanho variados, e em alguns vasos nota-se traços faciais humanos e certa dose de humor. Os jarros de bico alongado tornaram-se comuns a partir de Troia III, e a roda de oleiro passou a ser usada a partir de Troia IV.

Numerosos pesos de pedra ou de argila cozida para teares[2], alfinetes e agulhas encontrados nas casas indicam que a fiação e a tecelagem devem ter sido uma das atividades mais importantes.

Fig. 0127. Soldado troiano com capacete em forma de pássaro e faixa torácica. Caco de cerâmica de Troia IIc, -2600/-2250.

A enorme quantidade de adagas, lanças e machados de combate, de pedra ou metal, além das formidáveis muralhas, indicam constante estado de prontidão e coisas importantes a serem protegidas... Com efeito, perto do mégaro de Troia II foi encontrada tal quantidade de objetos de luxo moldados em ouro, prata e outros metais preciosos que seu descobridor, Schliemann[3], não vacilou em batizar o achado — impropriamente, aliás — de tesouro de Príamo. As joias eram altamente sofisticadas e sua confecção nada fica a dever à moderna joalheria.

As crianças eram sepultadas em covas simples ou em jarros sob o chão das casas (Troia I e II); os adultos, em simples buracos nas muralhas (Troia II), sem nenhum presente fúnebre.

Outras iluminuras

 
Vasos de metal da Tróade.
 
Joias diversas de Lemnos.
 
Diadema e brincos de ouro.
Moscou, Museu Estatal Pushkin de Belas Artes
 
Bracelete de ouro.
Moscou, Museu Estatal Pushkin de Belas Artes
 
Portão sudoeste de Troia II.
In situ
 
Vaso antropomórfico.
 
Pesos para teares.

Notas

  1. Mégaro (do gr. μέγαρον) é uma construção retangular que tem as paredes mais longas formando um pórtico em frente a um dos lados menores, onde há uma entrada; pode haver pilares para sustentação do teto. A forma “mégaron”, transcrita do grego, deu lugar à forma “mégaro” nos modernos dicionários da língua portuguesa (cf. Aurélio, s.v.).
    Imagem: mégaro de Jericó, Israel, -7000/-6000. Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., CC BY-NC-ND 4.0.
  2. O tear vertical, extensivamente utilizado na Europa durante a Antiguidade, a Idade Média e até recentemente em alguns países do extremo norte da Europa, foi provavelmente inventado durante o Neolítico. As evidências europeias mais antigas datam de -6000/-4000, aproximadamente, e foram encontradas na área da cultura de Starčevo, que compreende o extremo sudeste da Europa, um pouco ao norte da península balcânica e da antiga Macedônia. Os fios são presos inicialmente em uma trave horizontal, mantidos em tensão com a ajuda de pesos e urdidos de cima para baixo com a ajuda de um bastão, o fuso.
    Imagem: reconstrução de tear neolítico no Museu de Pré-história de Milão. Giovanni Dall'Orto, 14/02/2009, CC BY 1.0
    Outras imagens: teares gregos → do século -VIdo século -V
  3. O alemão Heinrich Schliemann (1822/1890) foi o primeiro a descobrir em Troia, Micenas, Tirinto, Ítaca e Orcômeno os vestígios da Grécia pré-histórica. Embora não fosse arqueólogo profissional, era dotado de pertinência e entusiasmo; sua intenção era comprovar, através das escavações arqueológicas, a veracidade das lendas descritas por Homero em seus poemas. A despeito dos sucessos, tinha a tendência de romantizar e identificar seus achados com personagens da Mitologia Grega. Batizou, por exemplo, de “tesouro de Príamo” um conjunto de joias encontrado em Troia II e de “máscara de Agamêmnon” uma máscara mortuária encontrada em Micenas. Quando escavou em Orcômeno, na Beócia, descobriu um tipo de cerâmica até então desconhecido e a atribuiu aos mínios, povo lendário ligado a essa cidade. Mais informações → Heinrich Schliemann.
    Imagem: Foto de 1883. S. Kohn. Fonte: Gallica. pd.

Referências

Carl W. Blegen, Tróia e os troianos, trad. R. Machado, Lisboa, Verbo, 1971.

Créditos das ilustrações

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0126Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., 2000. Apud Vermeule (1992)/ Fair use.
0127Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., 2000. Apud Blegen (1971, prancha 27) → / Fair use.
i0248Vasos de metal da Tróade → Ver comentários.
i0372Joias diversas de Lemnos → Ver comentários.
i0698Diadema e brincos de ouro → Ver comentários.
i0799Bracelete de ouro → Ver comentários.
i0697Portão sudoeste de Troia II → Ver comentários.
i0257Vaso antropomórfico → Ver comentários.
i0076Pesos para teares → Ver comentários.

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Artigo nº 0633
publicado em 13/07/2000.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Troia I-V. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0633. Consulta: 30/04/2017.
 
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