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Oratória e os oradores áticos

 
Cícero denunciando Catilina

Até o século -VI, mais ou menos, a arte de falar em público era vista como dom natural e privilégio de poucas pessoas, em geral pertencentes à aristocracia. Com o fim das tiranias e a instituição das assembleias e conselhos populares nas póleis, porém, o cidadão comum passou a reconhecer a importância de dominar bem a oratória.

Mesmo nos primórdios da cultura grega, no entanto, falar adequadamente (Ilíada 9.443) era tão importante quanto realizar grandes proezas. Uma das mais antigas imagens da sociedade grega mostra Telêmaco, filho de Odisseu, discursando na Assembleia de Ítaca a fim de se livrar dos pretendentes da mãe, Penélope, e obter uma embarcação para procurar o pai desaparecido (Odisseia 2.1-145).

Com o advento dos sofistas, a oratória recebeu grande impulso e, poucos anos depois, chegou ao apogeu em Atenas, lugar especialmente propício aos discursos políticos e judiciários, graças à efervescência cultural posterior às guerras médicas. Na segunda metade do século -V a eloquência era já considerada capacidade que podia ser adquirida e desenvolvida através de estudo e treinamento, ou seja, do estudo da retórica.

O período que vai de -415 a -323 assinala a época áurea da oratória ática; distingue-se uma primeira fase, que vai até mais ou menos -360, época dos primeiros sucessos militares e diplomáticos de Felipe II da Macedônia, e uma segunda, que vai de -360 a -323.

Os eruditos alexandrinos estabeleceram, durante o Período Helenístico, um cânone de dez oradores áticos, cuja obra em grande parte chegou até nós: Antífon (-480/-411), Lísias (-459/-380), Andócides (-440/-390), Isócrates (-436/-338), Iseu (-420/-350), Ésquines (-398/-322), Hipérides (-390/-322), Licurgo (-390/-324), Demóstenes (-384/-322) e Dinarco (-360/-290).

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