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026 a 050 NOTAE
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 Notas 026 a 050
| 0026 | Eis aqui um genuíno ancestral do famoso magister dixit
("foi o mestre que disse") da escolástica medieval européia. A expressão era muito utilizada em relação às obras de Aristóteles (-384/-322), entendidas na época como verdade absoluta e definitiva. | | 0027 | Em Religião e em Filosofia, "escatologia" se refere às "últimas coisas", notadamente a morte e o fim do mundo. No Cristianismo, relaciona-se igualmente com os dogmas do Juízo Final, Céu e Inferno. | | 0028 | Na Mitologia Grega mais antiga a "ilha dos bem-aventurados" era o local para onde os deuses enviavam seus escolhidos, após a morte terrena, para uma nova vida, perfeita e agradável. A ilha era vagamente situada no extremo oeste do Rio Oceanos. Na época clássica falava-se do Elísion (Campos Elíseos), um prado aprazível e de grande beleza situado igualmente na margem ocidental do Rio Oceanos; em versões tardias das lendas situava-se o Elision no Hades, o mundo subterrâneo dos mortos. Aparentemente, é essa a origem do conceito de "Céu" dos cristãos e muçulmanos. | | 0029 | O filósofo moderno A.N. Whitehead costuma afirmar, com evidente exagero, que a História da Filosofia "não passa de uma sucessão de notas de rodapé da obra de Platão" (apud B.S. Abrão, 1999). | | 0030 | Academo foi um herói ático que, segundo a tradição, ajudou Castor e Polideuces a encontrar sua irmã Helena, raptada por Teseu. O "túmulo" de Academo localizava-se perto do Cerâmico, o cemitério de Atenas, e era rodeado por um jardim (ou bosque) sagrado onde o filósofo Platão fundou, em -386/-385, a famosa Academia. | | 0031 | As palavras "grego" e "Grécia" foram cunhadas pelos romanos. Os gregos chamavam a si mesmos de "helenos", a partir de um ancestral mítico chamado Hélen; o conjunto das regiões em que viviam era a "Hélade". | | 0032 | "AD" é a abreviatura habitual da expressão latina Anno Domini, "no ano do Senhor". Usa-se, em geral, antes do número: AD 1500 = "no ano do senhor de 1500". | | 0033 | O cônsul era um magistrado romano eleito pela Comitia Centuriata, assembléia constituída por todos os cidadãos romanos, mas que na prática era dominada pelos patrícios. Eram eleitos anualmente dois cônsules e, durante a República (-509/-31), tinham poder civil e militar (imperium) quase ilimitado. Assumiam suas funções no dia 1º de janeiro, e era costume dar seu nome ao ano: "próximo às calendas de junho, pois, sendo cônsules Lucius Caesar e Caius Figulus..." (Salústio, Catilina 17). Na época imperial (após -31), passaram a ser nomeados pelo Imperador e, embora o cargo ainda tivesse muito prestígio, o imperium eram exercido pelo próprio Imperador. | | 0034 | Muito controvertida é a questão da data que assinala o fim da Idade das Trevas e início do Período Arcaico. Deve-se fazer uma escolha, e assim escolhi o ano de -750, que a meu ver assinala com razoável aproximação três coisas que marcaram para sempre a cultura grega: a chegada da escrita alfabética à Grécia, o início da ocupação dos territórios gregos do ultramar e a composição da Ilíada, o maior poema épico de todos os tempos. | | 0035 | Eis algumas palavras de origem grega empregadas no Novo Testamento:
- apocalipse. De apokálypsis, "ação de de descobrir"; "revelação".
- apócrifo. De apókryphos, "escondido", "secreto"; designa os textos sobre a vida de Jesus escritos a partir do século II e não incluídos pela Igreja no Novo Testamento.
- epístola. De epistolé, "ordem ou aviso transmitido de forma verbal ou escrita"; daí, "mensagem escrita" ou carta.
- evangelho. De evangélion, "sacrifício oferecido após uma boa nova"; ou, a própria boa nova. É uma tradução do termo hebraico bissar (presente na palavra portuguesa alvíssara).
- igreja. De ekklesía, "assembléia"; ou, lugar de reunião de uma assembléia.
- sinóptico. De synopsis, "olhar em conjunto". Os três primeiros evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas) são assim denominados porque, dada sua grande semelhança, podem ser dispostos em três colunas paralelas para uma visão de conjunto.
| | 0036 | Do latim testamentum, tradução do grego διαθήκη, "pacto"; nesse sentido, aparece no Evangelho de Mateus (26,28). A expressão 'Novo Testamento' foi usada pela primeira vez por São Paulo (2Cor 3,6) para definir as novas relações estabelecidas entre Deus e seu povo. A partir do século II, somente, passou a definir o conjunto de livros que compõem o Novo Testamento bíblico. | | 0037 | "A Filosofia é uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores." (Caio Prado Jr., 1984). | | 0038 | Compara-se, habitualmente, a planta dos palácios cretenses do Minóico Médio (-2000/-1550) à do palácio queimado de Beycesultan, Anatólia (-1900/-1800), e ao palácio de Zimri-lim em Mari, Mesopotâmia (-1782/-1759). Nos palácios orientais, geralmente, o prédio abrigava as salas do sistema administrativo, cozinhas, armazéns e as residências do governante, funcionários, servos, guardas, artesãos e respectivas famílias. | | 0039 | O termo minóico deriva de "Minos", lendário rei de Cnossos associado à lenda ateniense do minotauro, e foi cunhado pelo arqueólogo inglês Arthur Evans (1851/1941) quando descobriu o palácio de Cnossos, Creta, em 1900. Leia mais a seu respeito no link "Sir Arthur Evans". | | 0040 | A cultura minóica teve grande influência nos gregos antigos e, provávelmente, a língua minóica exerceu também uma certa influência. Alguns linguistas atribuem, por exemplo, origem minóica a alguns nomes de lugares em -nthos e em -ssos: Tirintos, cidade do Peloponeso, Cnossos, cidade de Creta, e a palavra labýrinthos (do grego clássico). É bem possível, portanto, que tenham sido os gregos micênicos que apelidaram o palácio de Cnossos, notável pela sua complicadíssima planta, de "labirinto". Lábrys, em alguns antigos dialetos gregos, significa "machado de dois gumes", e talvez a palavra "labirinto", para os minóicos, significasse simplesmente "sala ou casa dos machados". Muito mais tarde é que a palavra assumiu a conotação de construção intrincada e de difícil saída... | | 0041 | "Acrópole" é o nome dado às colinas fortificadas que nas antigas cidades gregas foram ocupadas primeiramente pelos palácios micênicos e, já na época clássica, pelos mais importantes prédios públicos da pólis (os templos, por exemplo). | | 0042 | O Helesponto, antigo nome do estreito de Dardanelos, separa a Tróade (noroeste da Ásia Ocidental) da Trácia (Europa). Na Tróade ficava a antiga cidade de Tróia, hoje Hissarlik. Segundo a tradição, Helesponto significa "passagem de Hele" e assinala o local em que Hele, irmã de Frixo, caiu de cima do carneiro voador quando os irmãos se dirigiam para a Cólquida (lenda do tosão de ouro). | | 0043 | "Cista" é uma sepultura em forma de caixa revestida de pedras no fundo. As cistas podiam ser enterradas abaixo do nível do chão ou construídas na superfície; nesse caso, eram habitualmente cobertas por um monte de terra (túmulo). Em alguns tipos mais avançados as paredes eram eventualmente revestidas com lajes de pedra. | | 0044 | A língua evolui... quem já tentou ler as peças de Gil Vicente, escritas em português há apenas 500 anos, sabe exatamente do que estou falando. | | 0045 | Conforme a hipótese tradicionalmente mais aceita, as técnicas para a metalurgia do bronze se desenvolveram na Ásia Ocidental e chegaram à Europa através da península balcânica. Recentes datações de alguns sítios arqueológicos do sudeste da Europa sugerem, no entanto, que o bronze pode ter se desenvolvido de forma independente na Ásia Ocidental e na Europa pouco depois de -3000. | | 0046 | A separação entre o céu e a terra é um mecanismo importante na cosmogonia (formação do mundo) que aparece com freqüência em muitas fontes não-gregas, algumas consideravelmente antigas: o Livro dos Mortos egípcio (c. -1300), o Cântico de Ullikumi hurrita-hitita (-1400/-1200), o Enuma Elish babilônico (séc. -VII) e o Gênesis hebreu (-900/-450). | | 0047 | O alemão Heinrich Schliemann (1822/1890) foi o primeiro a descobrir em Tróia, Micenas, Tirinto, Ítaca e Orcômeno os vestígios da Grécia pré-histórica. Embora não fosse um arqueólogo profissional, era dotado de pertinência e entusiasmo; sua intenção era comprovar, através das escavações arqueológicas, a veracidade das lendas descritas por Homero em seus poemas. A despeito de seus sucessos, tinha a tendência de romantizar e identificar seus achados com personagens da Mitologia Grega. Batizou, por exemplo, de "tesouro de Príamo" um conjunto de jóias encontrado em Tróia II e de "máscara de Agamêmnon" uma máscara mortuária encontrada em Micenas. Quando escavou em Orcômenos, na Beócia, descobriu um tipo de cerâmica até então desconhecido e atribuiu-a aos mínios, povo lendário ligado à cidade de Orcômenos. Seus reis, considerados riquíssimos para os padrões gregos, participam de diversas lendas, como por exemplo a de Héracles. Historicamente, sabe-se que no século -VII os mínios foram dominados pelos tebanos e integrados à Confederação Beócia. Leia mais sobre Schliemann nos seguintes links: Heinrich Schliemann, de Gilson Gustavo de Paiva Oliveira;
Heinrich Schliemann, 1822-1890; e
Heinrich Schliemann. | | 0048 | As construções apsidais têm plano basicamente retangular com um dos lados menores de forma arredondada. | | 0049 | As "Ilhas dos Bem-Aventurados", para onde os deuses enviavam seus escolhidos para uma nova vida perfeita e agradável após a morte terrena eram, na Mitologia mais antiga, vagamente situadas no extremo oeste do Rio Oceano. Na época clássica falava-se do Elísion (Campos Elíseos), um prado aprazível e de grande beleza situado igualmente na margem ocidental do Rio Oceano; em versões tardias situava-se o Elision no Hades, o mundo subterrâneo dos mortos. Aparentemente o conceito de "Céu" dos cristãos e muçulmanos originou-se dessa lenda. | | 0050 | "Período Bizantino" é longo período em que grande parte do Império Romano ficou sediado em Constantinopla (entre 330 e 1453 d.C.). Também chamado de "Império Romano do Oriente", foi notável pela cultura greco-romana orientalizada. Os eruditos bizantinos são os responsáveis pela preservação de grande parte das obras gregas que chegaram até nós. |
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