Iatreion   |   Didascalica   |   Portal Graecia Antiqua   |   Wilson A. Ribeiro Jr.
 
ga
a principio ad anno domini 529
ht
 
ISSN 1679-5709
greciantiga.org
 
 
 
aux
 
 
navigatio
| greciantiga.org | mat | bronze médio - i |
u  Prima pagina
u  Materiae
u  Pré-história & história
HISTORIA
u  A Idade do Bronze
no Egeu
Bronze Médio
•  parte I
altera
CRONOLOGIA
-2000 a -1550
 
Bronze Médio - I
ntre -2000 e -1700 os habitantes de Creta prosperaram rapidamente e criaram a primeira civilização urbana da Europa. A cultura minóica atingiu novas alturas durante o Minóico Médio e influenciou decisivamente as comunidades do Egeu durante mais de 500 anos.

O minóico médio

Entre -2000 e -1700 os dois principais núcleos minóicos eram Cnossos, ao norte, e Festos, ao sul. Nesses dois centros urbanos e também em Mália e Zakros, possivelmente, havia construções complexas e extensas, com grande quantidade de salas, convencionalmente chamadas de palácios. Fato inédito na Antigüidade, não havia fortificações e os edifícios do palácio se abriam para a paisagem, em contigüidade direta com as casas e ruas da cidade.

O palácio era, na realidade, uma aglutinação irregular de vários grupos de salas com a mesma função, dispostas em volta de um grande pátio central, retangular, com 50 X 28 metros (em média), além de outra área também retangular, localizada na parte externa e acessível por uma escadaria baixa, apelidada de teatro. Os cômodos eram usados basicamente para armazenagem, para controle administrativo, para fins residenciais e ainda para atividades religiosas. Aparentemente, os cretenses se inspiraram em palácios asiáticos contemporâneos, adaptando, porém, as pesadas construções orientais ao seu estilo e às suas necessidades.

A partir de -2000 houve grande incremento de população e as aldeias aumentaram progressivamenteo em tamanho e número. O plano dos povoamentos era, provavelmente, ainda semelhante ao de Fournou Koriphi (-2500/-2200); as casas, porém, eram maiores e mais confortáveis. Havia em toda a ilha construções com múltiplos quartos retangulares, mas sem o tamanho e a complexidade dos palácios e às vezes distantes das aldeias ("casas de campo"). As paredes externas eram construídas com tijolos, pedregulhos, vigas de madeira e — pela primeira vez no Egeu — pedras talhadas. Um modelo de argila encontrado em Archanes e datado de -1700/-1600 mostra como era o arranjo interno de uma casa com mais de um pavimento.

Os primeiros palácios de Cnossos e Festos, assim como as grandes construções de Mália e Zakro, foram totalmente destruídos em -1700 por um grande terremoto e reconstruídos de modo ainda mais magnificente. Data dessa ocasião, provavelmente, a reunião das edificações palacianas mais ou menos isoladas em um único complexo, a construção de novos palácios, o acréscimo de fachadas monumentais com colunas de madeira, a decoração das paredes com afrescos e a construção de pequenos pátios entre os cômodos para permitir a entrada de ar e luz (poços de luz).

As paredes das casas maiores e dos palácios eram comumente rebocadas e pintadas. A partir de -1700, começaram a ser decoradas com desenhos geométricos coloridos e cenas naturalistas. Os afrescos que chegaram até nós são em sua maior parte posteriores a -1550; um dos mais antigos, que talvez remonte a -1700/-1600, é o famoso Colhedor de Açafrão.

Os vasos de cerâmica já eram, em sua maioria, fabricados na roda de oleiro e decorados no estilo Kamares. Além de jarros de diversos tamanhos, confeccionavam-se as famosas taças "casca de ovo", assim chamadas devido à sua finíssima borda. Entre -1700/-1550, os motivos naturalistas (animais marinhos, árvores e flores) começaram a se tornar comuns na decoração.

Pequenas estatuetas de terracota pintada, representando homens e animais com traços esquematizados, eram muito comuns. As estatuetas femininas de faiança, altamente naturalistas e cuidadosamente modeladas e pintadas, estão entre as mais perfeitas obras da arte minóica. A riqueza e a qualidade das jóias aumentaram bastante e técnicas já conhecidas na Mesopotâmia e Egito, como a granulação, a filigrana e a inscrustação (cloisonné) começaram a ser empregadas pelos artesãos.

A gravação de selos, sinetes e anéis teve igualmente substancial avanço. A broca e a roda de gravador possibilitaram a utilização da técnica em pedras duras, como o cristal de rocha, a ametista e a calcedônia, ou em metais, como o ouro e o bronze. Havia grande variedade de formatos (lentóides, cilíndricos, amigdalóides, etc.) e de temas (animais, vegetais, divindades, objetos, hieróglifos, etc.).

Em Creta foram utilizadas as duas mais antigas escritas da Europa. A primeira, denominada hieroglífica, é do tipo pictográfico e foi utilizada em sinetes e vasos entre -1900 e -1550. A segunda, conhecida por Linear A, é do tipo silábico e foi encontrada de -1700 em diante em tabuinhas de argila, em vasos e em outros objetos de pedra ou de metal.

A Linear A, possivelmente, se desenvolveu a partir da simplificação da escrita hieroglífica. Embora nenhuma das duas tenha sido decifrada até o momento, já foi possível verificar que a linguagem empregada não era o grego. Tratava-se, sem dúvida, da língua minóica, não decifrada até o momento.

Não sabemos exatamente que nome os minóicos davam a si próprios. Nos registros de Mari (Mesopotâmia), de onde os cretenses importavam estanho desde -1800/-1700, a ilha era chamada de Caphtor; uma referência egípcia mais tardia chama a ilha de Keftiu.

A julgar pelas representações artísticas em selos e outras obras de arte, já descontada a idealização habitual, os cretenses do Bronze Médio eram fisicamente semelhantes aos de hoje: esguios, pele clara, cabelos e olhos escuros. A altura média dos homens era de 1,68 metros, praticamente a mesma dos de hoje.

A ilha tinha grandes rebanhos, principalmente de ovelhas, e a área de cultivo era, com certeza, extensa. Com a crescente prosperidade, tornou-se necessário importar matéria-prima (ouro, cobre, estanho, pedras duras, etc.), e bem cedo começou também a exportação de vasos e outros produtos de artesanato. A cerâmica Kamares, por exemplo, foi encontrada na Grécia, nas Cíclades, na Síria e no Egito.

A prosperidade dos minóicos logo se tornou, sem dúvida, dependente do mar. Em -2000 já havia um entreposto minóico na ilha de Citera, na costa do Peloponeso, e desde -1650/-1500 em Ceos, nas Cíclades, e é possível que pelo menos nas Cíclades outros existissem. A falta de controle egípcio sobre o Mediterrâneo (época dos Hicsos, -1720/-1580) deve ter possibilitado aos ágeis navios minóicos um pacífico predomínio nas rotas marítimas mais importantes do Egeu.

A construção dos palácios mostra que profundas alterações sociais e políticas ocorreram após o Bronze Antigo. Como havia mais de um palácio, é possível que a princípio, pelo menos, o poder estava disperso entre várias chefias regionais. A finalidade dos palácios, sem dúvida, era tanto residencial como administrativa, o que se comprova pela enorme quantidade de selos, vasos com hieróglifos e tabuinhas com a Linear A encontrados pelos arqueólogos nas suas dependências. As casas mais luxuosas das povoações eram possivelmente ocupadas por aristocráticos chefes locais, hierarquicamente inferiores aos chefes regionais, ou talvez por uma elite de proprietários de terra e de comerciantes mais ou menos independentes.

A falta de fortificações e a raridade das armas entre os achados arqueológicos sugerem que não havia guerra entre as regiões da ilha, e que a vastidão da água que a circundava era, possivelmente, barreira suficiente contra invasores. Existiria talvez uma autoridade suprema? No Oriente, eram as teocracias que mantinham a escrita em tabuinhas; seria então o chefe minóico um rei-sacerdote? Os gregos do século -V acreditavam que um mítico rei Minos, que vivia em Cnossos, havia vencido seus irmãos e dominado a ilha. Será que o mito reflete o fato de o senhor de Cnossos ter adquirido hegemonia sobre toda a ilha?

Várias perguntas e nenhuma resposta definitiva à vista...

Os cultos religiosos eram ainda realizados em grutas, como no Minóico Antigo, no alto das montanhas e nos palácios, em pequenas salas. É possível que nos pátios centrais e nos teatros se praticasse algum tipo de cerimônia; mas essas áreas podem ter servido igualmente para reuniões de caráter puramente secular (proclamações? assembléias?). No Monte Iuktas, próximo de Cnossos, um imponente santuário contendo terraços e um altar com degraus foi construído entre -1700 e -1550.

Os rituais envolviam notadamente oferendas votivas à deusa-mãe, senhora dos animais, que representava a fertilidade da natureza desde o Paleolítico. Há também evidências do sacrifício de cervos, bois e cabras, mas somente nas cavernas.

Quanto aos costumes funerários, persistiu o sepultamento individual em ataúdes de terracota ou de pedra (lárnakes), notadamente na parte central e oriental da ilha, ou em grandes vasos (pithoi) — o tipo mais comum —, na região norte e oriental. Em alguns cemitérios e grutas havia enormes agrupamentos de pithoi, assim como nos túmulos coletivos de pedra tipo tholos construídos na região centro-sul.


corujaNEXVS EXTERNVS
links para outros sites
 
SCHOLIA
scho2
CONSPECTUS
o minóico médio
IMAGINES
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
scho2
como citar
esta página
 
23.07.2001
Monografia 0393
     
Data da consulta: 09.05.2008
 
navi
© 1997-2008 Wilson A. Ribeiro Jr.
retro