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Introdução
As primeiras comunidades que falavam grego, aqui chamadas de minianas,
começaram a se desenvolver na península balcânica por volta de -2300/-2100,
no fim do Bronze Antigo, ou talvez no início do Bronze Médio, c. -2000.
As comunidades
micênicas, as primeiras a produzir documentos escritos em língua grega,
floresceram na península balcânica entre -1550 e -1100,
durante o Bronze Recente. A época dos mínios e dos micênios corresponde
ao Heládico Médio e ao Heládico Recente, subdivisões regionais e temporais da Idade do
Bronze no Egeu.
É importante assinalar que "mínios" e "micênios" são denominações puramente
convencionais, dadas pelos eruditos modernos, e nunca foram utilizadas pelos povos a
que se referem. Elas remontam às importantes descobertas arqueológicas de Heinrich
Schliemann[1] em Orcômeno e Micenas, cidades da Grécia
continental, nas últimas décadas do século XIX.
Tanto os mínios como os micênios foram fortemente influenciados pelos minóicos de
Creta. Por volta de -1450 os micênios se tornaram suficientemente
poderosos para invadir Creta, dominar os minóicos, então enfraquecidos por uma série de
catástrofes naturais, e assumir seu lugar no comércio marítimo do Mediterrâneo
Oriental.
A partir daí a influência dos minóicos começou a diminuir, as características
culturais micênicas afloraram cada vez mais e logo se tornaram dominantes. A hegemonia
cultural e econômica dos gregos micênicos no Egeu, que de certa forma unificou
culturalmente península balcânica, Cíclades, Creta, Chipre e Tróia, iria durar pouco
mais de dois séculos.
Grandes palácios, protegidos por cidadelas com muralhas gigantescas, foram
construídos pelos mais poderosos chefes micênicos. Cada palácio dominava e controlava
as terras vizinhas política, econômica e militarmente. Essa economia palaciana
acabou se tornando tão complexa que os micênios precisaram desenvolver um sistema de
escrita, a Linear B, para organizar adequadamente os registros contábeis e controlar
todas as atividades.
A escrita, infelizmente, era utilizada apenas para a contabilidade; nem registros
históricos nem textos literários, caso tenham existido, sobreviveram. Mas diversos
aspectos da religião, dos costumes e das lendas micênicas estão presentes na
Ilíada e na Odisséia, antigos poemas épicos atribuídos ao lendário poeta
Homero, e seu eco chegou até nós.
Notas- O alemão Heinrich Schliemann (1822/1890) foi o primeiro a descobrir em Tróia, Micenas, Tirinto, Ítaca e Orcômeno os vestígios da Grécia pré-histórica.
Embora não fosse um arqueólogo profissional, era dotado de pertinência e entusiasmo; sua intenção era comprovar, através das escavações arqueológicas, a veracidade das lendas descritas por Homero em seus poemas. A despeito de seus sucessos, tinha a tendência de romantizar e identificar seus achados com personagens da Mitologia Grega. Batizou, por exemplo, de "tesouro de Príamo" um conjunto de jóias encontrado em Tróia II e de "máscara de Agamêmnon" uma máscara mortuária encontrada em Micenas. Quando escavou em Orcômenos, na Beócia, descobriu um tipo de cerâmica até então desconhecido e atribuiu-a aos mínios, povo lendário ligado à cidade de Orcômenos. Seus reis, considerados riquíssimos para os padrões gregos, participam de diversas lendas, como por exemplo a de Héracles. Historicamente, sabe-se que no século -VII os mínios foram dominados pelos tebanos e integrados à Confederação Beócia. Leia mais sobre Schliemann em: Heinrich Schliemann, 1822-1890 e Heinrich Schliemann.
ReferênciasConsulte a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. A emergência dos gregos. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0450. Consulta: 07/09/2010. |