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A família do aulos

 
Cena de simpósio: cótabo e auleta

Os instrumentos eram, basicamente, o aulos, a flauta e a trombeta. A origem do aulos, o mais importante deles, remonta à Idade do Bronze e talvez ao Neolítico.

O aulos

A julgar pela sua presença em obras de arte egípcias e cicládicas, o aulos (gr. αὑλός) chegou à Grécia Continental em meio ao intenso intercâmbio cultural entre os povos que atravessavam o Egeu durante a Idade do Bronze. Os gregos atribuíam a invenção do instrumento à deusa Atena, ou ao sátiro Mársias.

Ao contrário do que pensam alguns tradutores, o aulos não era uma flauta. Consistia, habitualmente, de dois tubos de madeira, caniço ou osso, abertos nas extremidades e dotados de orifícios e palhetas. As vibrações das palhetas, produzidas durante a passagem do ar, eram transmitidas aos tubos e aumentadas. Alguns auletas usavam um conjunto de tiras de couro, a phorbeia, para evitar a distensão excessiva das bochechas e dar mais força ao sopro.

Aparentemente, a sonoridade grave do moderno oboé é a que mais se aproxima dos sons produzidos pelo aulos. Segundo Platão (-429/-347), ele é "o instrumento que emite mais sons" (Pl. R. 399d).

O aulos era primitivamente utilizado nos eventos relacionadas ao culto de Dioniso (festivais, espetáculos teatrais, simpósios...), em cerimônias diversas e no acompanhamento das danças em geral, juntamente com outros instrumentos. A partir do século -VI passou a ser cada vez mais tocado solo, e composições específicas para aulos faziam parte do concurso musical dos Jogos Píticos, celebrados em Delfos, e das Panateneias, celebradas em Atenas. Inúmeras pinturas de vasos atestam sua popularidade durante os séculos -VI e -V.

No século -IV, Platão (-429/-347) já não tinha esse instrumento musical em muito boa conta, e propôs que os fabricantes de aulos não fossem recebidos em sua cidade ideal (Pl. R. 399d). Aristóteles (-384/-322) condenava os excessos virtuosísticos em voga, mas colocou a aulética na categoria de arte (Arist. Po. 1447a).

A flauta e a trombeta

A flauta ou siringe (gr. σῦριγξ), também chamada de "flauta de Pã", consistia mais frequentemente de sete caniços de tamanho desigual, fechados em uma das extremidades e unidos com cera. Tocava-se correndo a extremidade dos tubos pela boca e soprando continuamente, obtendo-se um som agudo porém suave. Para os gregos, era apenas um instrumento folclórico, usado pelos pastores.

A trombeta ou o salpinge (gr. σάλπιγξ) era um tubo reto e longo, com bocal de osso. Não tinha qualquer papel artístico e era utilizado apenas para chamados em manobras militares e em certas cerimônias religiosas. Uma variante, o "chifre" (gr. κέρας), assim chamado devido ao corpo recurvado como o chifre de certos animais, tornou-se popular entre os romanos com o nome de cornu.

Outras iluminuras

 
Auleta cicládico.
 
Dioniso e sátiro tocando aulos.
 
Procissão sacrificial.
 
Auleta e dançarinos.
 
Guerreiro tocando o salpinge.
 
Dois músicos.
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Artigo nº 0342
publicado em 20/10/2000.
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Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. A família do aulos. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0342. Consulta: 28/06/2017.
 
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