Culturas do Bronze Antigo

Seção: história grega812 palavras
texto especial
Breve panorama do desenvolvimento das culturas humanas durante a parte inicial da Idade do Bronze.

A economia permaneceu, durante o Bronze Antigo (-3500/-2000), eminentemente neolítica na maior parte da Europa, Ásia e África. Na Ásia Ocidental, porém, na região conhecida por Mesopotâmia (o atual Iraque), surgiram as primeiras cidades e, pouco depois, o primeiro estado politicamente organizado da História.

A evolução das comunidades agrícolas rumo à urbanização e à organização social e política foi, provavelmente, consequência de fatores independentes que envolveram tanto as limitações inerentes à economia neolítica primitiva, como também o progresso das novas tecnologias e suas consequências.

O fim da economia neolítica

No final do Neolítico a própria difusão da revolução agrícola acabou limitando o desenvolvimento das aldeias agrícolas pequenas e auto-suficientes.

O aumento populacional constante e a consequente necessidade de novas áreas de cultivo levou à escassez de terras desocupadas e de cultivo fácil, e ao estabelecimento de um certo estado de guerra: as comunidades mais prósperas tiveram que defender-se constantemente das menos prósperas, e dos grupos nômades de pastores e caçadores que viviam à margem da economia neolítica.

Essa necessidade de defesa constante, mais a fragilidade de aldeias menores diante de eventualidades como pragas, secas e inundações, estimulou a formação de comunidades cada vez maiores e, em alguns lugares mais privilegiados, até a construção de fortificações defensivas (Dimini, por exemplo).

Não é impossível que nas aldeias maiores alguns membros da comunidade se dedicassem apenas às atividades de vigilância e combate, e tenham sido os primeiros militares de carreira...

O bronze

As propriedades do cobre[1] fundido já eram conhecidas por diversas comunidades neolíticas do sudeste da Europa e do oeste da Ásia antes de -5000. Nessa época, porém, o cobre era simplesmente submetido ao fogo a céu aberto, o que o tornava apenas mais maleável. Entre -4000 e -3000, com a utilização de fornos fechados, o cobre pôde ser aquecido até o ponto de fusão, derretido, colocado em moldes de argila ou pedra e martelado até assumir qualquer forma desejada.

iCavilha em forma de leão

Descobriu-se, algum tempo depois, que o acréscimo de pequenas porções de estanho ao cobre criava uma liga metálica de propriedades muito superiores às do cobre puro, e então as ferramentas de bronze[2] começaram a suplantar, lentamente, as de pedra e metais não fundidos.

A tecnologia do bronze difundiu-se por toda a Ásia Ocidental e norte da África, pois devido à crescente necessidade de utensílios do novo metal e à raridade de seus componentes, logo se estabeleceram intensas trocas comerciais entre as áreas de extração e os principais centros consumidores.

A busca pelos metais e a consequente intensificação do comércio entre os centros produtores e os centros consumidores de artefatos de metal terminou, progressivamente, com a autosuficiência neolítica.

As primeiras cidades

A necessidade de domínio da tecnologia do metal, consequente à demanda por armas e outros objetos de bronze e à procura constante da matéria-prima apropriada afastou definitivamente vários membros das comunidades agrícolas das atividades diretamente produtoras de alimentos.

Dentro de pouco tempo, as novas classes sociais de artesãos, ferreiros, comerciantes e soldados que prestavam serviços a toda a comunidade passaram a depender, para se alimentar, dos excedentes produzidos pelos agricultores.

A produção constante de excedentes agrícolas para manter classes sociais não envolvidas diretamente na agricultura requer regulamentação e controle. Quando o relacionamento entre as classes sociais do fim do Neolítico foi politicamente organizado por uma classe ou indivíduo, pode-se dizer que a aldeia neolítica estava finalmente transformada em cidade[3].

Fig. 0105. Reconstrução hipotética do templo da deusa Ninni-zaza em Mari. As dependências davam acesso a um pátio central, onde eram provavelmente realizados os rituais religiosos. Dinástico Arcaico III, c. -2400.

É provável que a mais antiga classe política tenha sido a dos sacerdotes e as primeiras sedes de governo, os templos. A princípio meros especialistas na interpretação dos desejos das divindades do território e conhecedores dos rituais apropriados para apaziguá-las e obter seus favores, em muitas comunidades os sacerdotes assumiram também o poder temporal (Mesopotâmia, por exemplo). Mais tarde, o poder passou progressivamente ao “rei”, a um tempo representante do deus local, chefe do exército e, muitas vezes, o maior proprietário de terras...

Consequências da urbanização

Depois da metalurgia, a mais importante descoberta da Idade do Bronze foi a escrita, inicialmente usada apenas no registro e controle das riquezas produzidas e/ou acumuladas pela cidade. Os primeiros registros escritos eram pictogramas, simples desenhos figurativos; mais tarde alguns desses desenhos tornaram-se ideogramas, i.e., representavam uma ideia abstrata relacionada à imagem. Muito tempo depois surgiram os sinais fonéticos, primeiro representando os sons das sílabas (silabários) e depois das letras (alfabetos).

As primeiras cidades da Idade do Bronze surgiram depois de -3500 na Mesopotâmia e Egito, e já nos primeiros tempos a arquitetura, a cerâmica, a estatuária, os selos de propriedade, a ourivesaria, todas as formas de arte, enfim, receberam grande impulso e atingiram alto grau de refinamento.