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Jogos ístmicos

 
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In Megarensium sinum Isthmos exit, ludis quinquennalibus et delubro Neptuni inclitus (...) Hoc spectaculum per Cypselum tyrannum intermissum Corinthii olympiade quadragesima nona sollemnitati pristinae reddiderunt.

O Istmo se estende até o Golfo de Mégara e é notável por um templo de Netuno e
pelos jogos celebrados a cada cinco anos[1] (...) Esses jogos, interrompidos
pelo tirano Cípselo, foram reinstituídos com solenidade pelos Coríntios
nos tempos antigos, na 49ª olimpíada.

Os jogos ístmicos (gr. Ἴσθμια) eram um dos quatro mais importantes festivais gregos, consagrados a Posídon e celebrados em seu santuário em Ístmia no início da primavera (abril/maio), no segundo e no quarto ano posteriores às Olimpíadas.

História

Os primeiros jogos no Istmo datam de -582 (Solin. 7.14, supra). Desde o início, foram controlados e organizados por Corinto e bem cedo se tornaram pan-helênicos; os cidadãos de Élis, porém, eram totalmente excluídos da competição (Paus. 5.2.2). Por outro lado, os atenienses recebiam tratamento especial e tinham direito à proedria (gr. προεδρία), i.e., podiam ocupar lugares especialmente reservados, nas primeiras filas (Plut. Thes. 25).

Istmo de Corinto

Antes dos jogos, era instituída uma trégua, para que todos pudessem participar (Paus. 5.2.1). Eis uma prova da seriedade dos organizadores: em -412, durante a Guerra do Peloponeso, Corinto e Atenas estavam em guerra, mas os atenienses foram convidados a participar dos jogos, como sempre (Th. 8.10).

Os romanos foram admitidos em -229/-228. Durante os jogos de -196, o cônsul Titus Quinctius Flamininus proclamou a libertação das póleis gregas do domínio macedônico. Quando Corinto foi destruída por Mummius em -146, o controle dos jogos passou para Sicíon, mas retornou a Corinto entre -7 e AD 3 (Kajava, 2002), anos depois da reconstrução promovida por Júlio César. Nero repetiu, nos jogos de 67, a proclamação de Flaminino. Os jogos continuaram a ser realizados até 393, ou pouco depois, quando foram finalmente proibidos pelo imperador romano Teodósio[2].

No início do século VI, as pedras do santuário foram pilhadas para a construção de uma fortaleza e da muralha do Istmo.

Competições e prêmios

As competições ocorriam mais ou menos 15 km a leste de Corinto, no santuário de Posídon, na parte mais estreita do istmo de Corinto, no bosque de pinheiros consagrado ao deus próximo dos templos de Posídon e de Melicertes. A parte mais antiga do grande templo de Posídon foi datada de -690/-650; o de Melicertes-Palêmon é dos séculos I ou II. No local havia, além dos templos, um estádio datado do Período Clássico e um teatro, datado possivelmente do Período Greco-romano; com certeza havia também um hipódromo, mas não foi ainda escavado [Ilum. 0885].

Segundo a lenda, em tempos remotos os jogos ístmicos eram de natureza fúnebre, tendo sido instituídos por Sísifo, em homenagem ao seu sobrinho Melicertes. Segundo outra versão, foram estabelecidos por Teseu, em honra de Posídon, ou para celebrar sua vitória contra Círon e Sinis, dois bandoleiros do Istmo de Corinto.

Havia competições atléticas, como o pancrácio e o boxe, corridas de cavalos e de carruagens, como nos jogos de Olímpia, e também um concurso musical que admitia concorrentes de ambos os sexos. Certa vez, a poetisa Aristômaca de Eritreia[3] ganhou o prêmio (Plu. Quest. conv. 675b).

O prêmio dos vencedores, como em Olímpia, era puramente simbólico — coroas de aipo, mais tarde de folhas de pinheiro —, mas em geral as póleis tratavam muito bem seus cidadãos premiados... Consta que em Atenas havia uma lei, atribuída a Sólon, que concedia aos vencedores dos jogos ístmicos, além das honras de praxe, um prêmio adicional de 100 dracmas.

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