Calino de Éfeso

Seção: literatura grega700 palavras
Καλλῖνος Callinus EpicusCallin.c. -650

Poeta lírico grego, o mais antigo expoente da elegia guerreira arcaica.

Calino viveu em Éfeso, na Jônia, por volta de -650, a julgar por informações históricas contidas em seus poemas[1]; é provavelmente o mais antigo poeta lírico que conhecemos[2]. Nada mais sabemos a seu respeito.

De sua obra restam cerca de 25 versos de temática predominantemente marcial, citados por autores antigos muito posteriores.

As mais importantes são Estrabon 14.1.40, 13.1.48 e 13.4.8; Pausânias 9.9.5; Clemente de Alexandria, Miscelânea 1.131.7; Estevão de Bizâncio p. 634.3 (s.v. Τρῆρος).

Fragmentos

Os fragmentos de Calino foram citados por Estrabon e Estobeu, que certamente tiveram acesso a outros poemas, talvez de natureza histórica e genealógica.

iHoplitas em combate

O único fragmento longo (F 1), conservado por Estobeu (4.10.12), é uma elegia de 21 versos, provavelmente completa; há uma pequena lacuna antes do 5º verso.

Trata-se de uma exortação às armas, cantada provavelmente em um simpósio, dirigida a jovens acomodados e inertes a despeito da guerra iminente. O vívido apelo do poeta destaca o valor individual durante a luta, em benefício da família e da pólis, sem temer a morte gloriosa em combate.

Há muitos paralelos entre o F 1 e as epopeias homéricas (e.g. Ilíada 2.382, 6.487-9, 12.243-4 e 17.227-8), embora [Homero] destaque a honra individual e Calino, a honra coletiva. De acordo com Campbell (1967, p. 161-2), o vocabulário é muito semelhante e quase todos os versos começam e terminam com palavras ou grupos de palavras utilizadas na Ilíada e na Odisseia; o símile da torre (v. 20) é também homérico (cf. Odisseia 11.556).

Passagens selecionadas

Note-se que o poema de Calino não é mera cópia de [Homero]: as referências são mais alusivas do que diretas (Gerber 1997, p. 100).

Os outros fragmentos são muito curtos: os F 2-2a mencionam uma prece a Zeus; os F 3-5a, os cimérios e os treres[3]; e o F 6, uma Tebaida atribuída a [Homero] por Calino. É possível que as passagens podem ser parte de outras elegias exortatórias ou, talvez, de elegias narrativas (Bowie 2010, p. 152). Os F 4-5a, particularmente, podem se referir a um poema épico-histórico (cf. Estrabon 13.4.8; ver Ragusa & Brunhara 2021, p. 33).

Recepção

Elegias de temática marcial podem ser encontradas também em Tirteu, Arquíloco (F 5; 17a), Mimnermo (F 14) e Sólon (F 1-3), mas não sabemos se houve influência mútua.

Os poemas de Calino eram utilizados por Estrabon (-64/24) como fonte histórica confiável (Gerber 1997, p. 99; Aloni 2009, p. 171) e, a julgar pela conservação do F 1, ainda eram lidos no século V, época de Estobeu.

Edições e traduções

O editor da editio princeps do F 1 é, naturalmente, o mesmo do vol. 4 de Estobeu: Vittore Trincavelli (Veneza, 1536).

Edições. West (1998), ed. padrão; Allan (2019), ed. comentada (só F 1). Traduções. Falco e Coimbra (1941), Malhadas e Moura Neves (1976), Rocha Pereira (1998), Thiago Koslowsky da Rosa (2021, com comentários), do F 1; Rafael Brunhara (Ragusa & Brunhara 2021, p. 25-33), todos os fragmentos.