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Pausânias / Descrição da Grécia

Seção: geografia grega690 palavras
Παυσανίας Pausanias Periegeta Paus.115/180

A única obra conhecida de Pausânias é a descrição de sua visita à Grécia, destinada a romanos cultos e apreciadores da cultura helênica.

O texto é um dos mais antigos livros de viagens da literatura europeia e, consequentemente, um dos primeiros exemplos da “literatura periegética”.

Biografia e obra

As únicas informações disponíveis a respeito de Pausânias são alguns dados espalhados por sua própria obra. Acredita-se, com base nessas informações, que ele nasceu por volta de 115 na Ásia Menor, perto do Monte Sípilo (Lídia), e que morreu cerca de 180.

Seu livro, intitulado Descrição da Grécia (gr. Περιήγησις τῆς Ἑλλάδος), foi escrito provavelmente entre 160 e 176. Pausânias descreve uma viagem de turismo pela Grécia Continental, mais especificamente na área correspondente à província romana da Acaia. Parece que ele visitou anteriormente diversos locais da Ásia Menor e da Palestina, o Egito, Bizâncio, Roma e o sul da Itália, mas dessas viagens temos apenas breves menções.

Observador e curioso, Pausânias interessava-se não só por templos, monumentos e obras de arte, mas também por dados geográficos, história, mitos e costumes dos locais que visitava.

Homem culto, apoiou com frequência suas observações com citações de autores gregos diversos e de outros viajantes. Em que pese a subjetividade de suas informações e a distinção nem sempre adequada entre história e mito, sua obra “é de valor inestimável para o conhecimento da antiga Grécia, especialmente em relação à sua mitologia, folclore e cultos religiosos e, acima de tudo, da história da arte grega” (Peck, 1898)

Resumo

O texto ocupa, na edição de Jones e Ormerod, quatro volumes com cerca de 400 páginas cada um.

Há 10 livros, assim distribuídos:

  1. Ática e Megárida;
  2. Corinto;
  3. Lacônia;
  4. Messênia;
  5. Élida (1ª parte);
  6. Élida (2ª parte);
  7. Acaia;
  8. Arcádia;
  9. Beócia;
  10. Fócida e Lócrida Ozoliana.

A ordem da exposição é nitidamente topográfica; cada local evoca as coisas dignas de serem vistas (θεωρήματα) e cada item compõe temas (λόγοι) em relação aos quais Pausânias discute a vida diária da comunidade, a história, a arte, os mitos, os rituais religiosos e o folclore local.

Especial atenção é dada à descrição das esculturas, pinturas, templos e outras obras pré-romanas notáveis, que faziam a glória da Grécia em seu tempo. Suas descrições são consideravelmente acuradas, a julgar pelas obras de arte e pelos edifícios que perduram. É razoável supor, portanto, que peças artísticas e edifícios que desapareceram eram muito semelhantes ao que Pausânias viu durante sua viagem.

Várias considerações (mas não muitas) são de origem estritamente geográfica. Além da descrição de diversos acidentes geográficos (montanhas, rios, fontes), faz numerosas digressões sobre as maravilhas da natureza, enumera os sinais que avisam da aproximação dos terremotos, discorre sobre o fenômeno das marés, sobre o gelo dos mares do norte e sobre o solstício de verão.

O texto

Embora o plano da obra não seja fixo, em geral a descrição de cada cidade começa com uma breve sinopse de sua história e uma lista de monumentos, em ordem topográfica.

Em relação à cidade de Atenas, por exemplo, falta a sinopse histórica, mas a descrição começa pelo porto, passa pela entrada da cidade e contempla as obras de arte e os monumentos de interesse à medida que o trajeto prossegue.

Passagens selecionadas

ver epígrafe do verbete sobre Hades

Manuscritos, edições e traduções

Os três mais importantes manuscritos, todos datados de 1450/1500, são o Marcianus graecus 413 (Veneza, Biblioteca de São Marcos); o Laurentianus 56.11 (Florença, Biblioteca Laurenciana), copiado por Joannes Rhosus; e o Parisinus graecus 1411 (Paris, Biblioteca Nacional).

Todos derivam de manuscrito adquirido por Niccolò Niccoli de Florença em 1418, hoje desaparecido.

ifolio 1 do Laurentianus 56.11

Edição princeps: a Aldina (Veneza, 1516), preparada por Marcus Musurus. Mais completa, no entanto, é a de Wilhelm Xylander e Friedrich Sylburg, publicada em 1583.

Edição padrão: Maria Helena da Rocha Pereira (Leipzig, 2 v., 1973/1981). Um pouco mais acessível e profusamente anotada, a edição de William H.S. Jones e Henry Ormerod (Loeb, 4v. + 1, 1918/1935 e 1955) ainda é muito útil.

Em português, dispomos apenas da tradução de passagens selecionadas, publicadas por Rocha Pereira em 1959.