Safo

Seção: literatura grega
Σαπφώ Sappho Lyrica Sapph.
Ἐννέα τὰς Μούσας φασίν τινες· ὡς ὀλιγώρως·
ἡνίδε καὶ Σαπφὼ Λεσβόθεν ἡ δεκάτη.

Nove são as musas, dizem alguns; que descuidados!
Vejam, Safo de Lesbos é a décima.

Poeta lírica monódica, compôs odes para serem cantadas individualmente, acompanhadas pela lira.

Vida

De origem aristocrática, Safo (gr. Σαπφώ) nasceu provavelmente na ilha de Lesbos por volta de -630 e viveu grande parte de sua vida em Mitilene. Esteve também na Sicília em -604/-596, exilada por razões políticas ou simplesmente por ter se casado.

Foi casada, portanto, e teve uma filha; ao retornar a Lesbos parece ter se envolvido com outras mulheres no culto a Afrodite. Mas não se comprovou, de modo algum, o famoso romance com o poeta Alceu, nem as comentadíssimas relações homossexuais com as companheiras do culto.

Essa fama, no entanto, atravessou os séculos e se cristalizou na palavra lesbianismo.

Segundo outra tradição altamente suspeita, que remonta a Menandro (F 258), Safo matou-se pulando do alto do Cabo Lêucade, ao se ver rejeitada por um belo jovem, “Faon”.

iSafo no cabo Lêucade

POxy 1800 fr. 1; POxy 2506 fr. 48.iii.36-48; Suda Σ 107-8; Eliano, Histórias Diversas 12.19; Estrabon 13.2.3; Ateneu 13.598bc e 599cd; Marmor parium 36; Eusébio, Crônica; Pólux 9.84; Estrabon 10.2.9; Máximo de Tiro 18.9; Ovídio, Heroídes 15.61-120.

Obra

Safo compôs poemas pessoais e apaixonados em dialeto eólico e vários tipos de metro, dirigidos em geral à filha ou a suas companheiras de forma terna e amorosa. Em sua grande maioria, os poemas destinam-se à declamação individual.

Safo é um dos poetas do cânone alexandrino de nove poetas líricos, e sua obra foi reunida pelos eruditos da biblioteca de Alexandria em nove livros, dos quais restam apenas um poema e algumas dezenas de fragmentos.

Textos

Edições

A coletânea moderna básica é a de Bergk (1882). Utiliza-se, em geral, as de Lobel & Page (1955, suppl., 1974) ou a de West (1972).

Passagens selecionadas

Traduções

Traduções para o português: António José Viale (1868), Joaquim B. Fontes (1991), Francisco R. Gonçalves (1995), Giuliana Ragusa (2011) e Guilherme Gontijo Flores (2017).

Diversos fragmentos foram traduzidos esparsamente ou em coletâneas por Francisco Evaristo Leoni (1836), António Feliciano de Castilho (1857), Daisi Malhadas e Maria Helena Moura Neves (1976), Pedro Alvim (1992), Maria Helena da Rocha Pereira (1998), Victor Oliveira Mateus (2002), Haroldo de Campos (2004), Leonardo Antunes (2009) e JAA Torrano (2009), entre outros.

Recepção

Durante toda a Antiguidade foi respeitada, apreciada e imitada. O epigrama da epígrafe, atribuído a “Platão” (Antologia Palatina 9.506), ilustra bem esse fato.

Havia uma estátua dela em Siracusa, e o povo de Mitilene colocou sua face nas moedas nos séculos I-III.

Tem sido publicadas, desde 1802, traduções da apócrifa Ode de Safo a Faon, erroneamente atribuída a Safo na Antiguidade tardia.

Sua poesia de conteúdo erótico foi censurada ativamente pelos copistas medievais, ligados quase sempre à Igreja Católica.

Segundo Pólux (9.84), a pólis de Mitilene colocou seu rosto nas moedas emitidas, e Aristóteles (Retórica 1398b) menciona honras conferidas a ela pela pólis, “a despeito de ser mulher”.