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A arquitetura micênica

-1550 / -1100
 
A acrópole de Micenas

A arquitetura micênica era caracteristicamente monumental e megalítica[1]. As estruturas mais notáveis são os tolos[2] e as cidadelas com seus palácios protegidos por gigantescas muralhas, ditas “ciclópicas”.

Tolos

Entrada de túmulo micênico, c. -1300

Os tolos, criptas funerárias das famílias mais poderosas e abastadas, foram as primeiras construções micênicas: o mais antigo fica na Messênia e data de -1550, mais ou menos. Eram enormes câmaras circulares, com abóbada, escavadas na vertente de pequenas elevações, às quais se chegava através de um corredor externo ou dromos (gr. δρόμος) e um portal de alvenaria megalítica. O dromos e o tolo eram revestidos internamente com pedras de tamanho normal e a câmara circular era adicionalmente recoberta com um monte artificial de terra.

Em Micenas, os nove tolos receberam dos arqueólogos nomes relacionados com a localização (Kato Phournos), com os achados (Tumba do Leão) ou com os míticos soberanos da casa de Atreu (Túmulo de Clitemnestra, Tesouro de Atreu). Sua data varia de -1525 a -1275, mais ou menos.

Cidadelas e palácios

Os palácios começaram a ser construídos após -1450/-1400 e os mais bem conservados são os de Micenas (Argólida), Englianos (Messênia) e Glá (Beócia). A exemplo das acrópoles[3] dos Períodos Arcaico e Clássico, localizavam-se em geral no topo de uma elevação e eram rodeados de casas e de enormes muralhas, classificadas de ciclópicas[4] desde a Antiguidade.

Muralha de Tirinto, -1350/-1200

Ainda se pode ver os restos das muralhas de Micenas e de Tirinto. A de Micenas, datada de -1250, tinha seis metros de largura e permitia com folga a passagem de uma biga ou até de uma quadriga[5]; a de Tirinto, mais ou menos da mesma época, tinha cerca de 700 metros de extensão e bastiões com enormes galerias internas de teto abobadado.

A planta dos palácios micênicos era mais organizada que a dos palácios cretenses. Havia em geral uma sala principal, ou mégaro[6], habitualmente ampla e decorada com afrescos de cores vivas, onde ficava o trono do “rei” micênico. Outros aposentos de desenho regular se comunicavam com o mégaro, e de um pátio interno chegava-se a ele através de um ou mais pórticos colunados.

Casas

Ao redor dos palácios, no interior da cidadela, e também do lado de fora, junto às muralhas, havia várias casas de planta retangular e diversos cômodos, um deles habitualmente com lareira. As paredes eram de tijolo seco ao sol, barro comprimido reforçado com cascalho, vigas de madeira, ou uma combinação disso; as fundações eram de pedra, ou de simples cascalho misturado com barro. O telhado era provavelmente plano, composto de uma estrutura de madeira recoberta de reboco ou terra.

Fig. 0011. Casa particular de Korakou, Grécia, -1550/-1100. Há uma lareira central e vestígios do pilar que sustentava o telhado.

As casas dispunham-se de forma desorganizada e a pequena distância umas das outras; algumas tinham os mesmos detalhes arquitetônicos encontrados nos palácios: mégaro, colunas de madeira, mais de um nível, pátio interno... Pertenciam, provavelmente, aos cidadãos mais ricos e influentes da sociedade micênica, ou então tinham alguma função administrativa importante.

Os pobres viviam em cabanas de um ou dois cômodos situadas fora das muralhas. As paredes eram de tijolos secos ao sol ou de madeira, o chão era de terra batida e o telhado, plano, era em geral recoberto de palha.

Templos

Nenhuma estrutura semelhante a um templo foi encontrada até o momento; aparentemente, o culto aos deuses ocorria ao ar livre, ou em algum cômodo dos palácios, onde havia em geral um altar com estatuetas. A Sala dos Machados Duplos, que continuou em uso após a destruição do palácio de Cnossos (-1400/-1350), é a estrutura mais conhecida.

Alguns pequenos santuários de apenas um cômodo foram encontrados em Creta e na Grécia Continental; mais do que costume micênico, no entanto, parece se tratar de uma tradição de origem minoica.

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