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A arquitetura neoclássica

 
Basílica de São Pedro

Os arquitetos, anteriormente considerados apenas trabalhadores habilidosos, ascenderam à condição de artistas valorizados durante a Renascença europeia.

No início do século XV, os arquitetos italianos recorreram a elementos arquitetônicos das ruínas romanas, notadamente as do Colosseum (‘coliseu’) e do Panteão, assim como ao estudo das obras de Vitrúvio[1], para criar os instrumentos teóricos e práticos necessários à criação de telhados, colunas, fachadas e planos urbanísticos que evocavam padrões estéticos da Antiguidade Clássica. Buscava-se, ademais, a harmonia e a beleza que resultavam na emulação das proporções do corpo humano.

O Maneirismo arquitetônico, espécie de reação que se desenvolveu no século XVI, notabilizou-se pelo desafio à simetria, à perfeição e à harmonia preconizadas pelos arquitetos renascentistas, e pela introdução de elementos desproporcionais na composição das estruturas.

O Barroco imprimiu, durante os séculos XVII-XVII, exagero, drama, exuberância e monumentalidade à arquitetura e também aos detalhes do interior dos edifícios. Durante o século XVII, o estilo chegou à América Latina, notadamente no México e no Brasil. O Rococó, espécie de reação ao Barroco iniciada do início do século XVIII, caracterizou-se pela leveza, pela graciosidade das curvas, pela assimetria e pela elegante ornamentação dos espaços internos das edificações.

Em meados desse século, o Neoclassicismo promoveu novo retorno às raízes greco-romanas da arquitetura e à simplicidade praticada antes do advento do Barroco. Estilos puramente gregos começaram a despontar no final do século XIX, graças a numerosas descobertas arqueológicas, movimento conhecido por Renascimento grego e que constitui a etapa final do Neoclassicismo arquitetônico.

Ainda no século XIX surgiram estilos inspirados em antigas estéticas medievais, como por exemplo o Neo-gótico e o Neo-romanesco, em estéticas ainda mais antigas, como as do Antigo Egito, em estilos exóticos, como os do Japão, e em estilos ecléticos, como o Beaux-Arts.[2] Essas múltiplas estéticas posteriores ao Neoclassicismo, definidades muitas vezes pelo gosto pessoal dos arquitetos, podem ser imaginados como instâncias do Romantismo arquitetônico.

Note-se que muitos detalhes arquitetônicos consagrados pelo Neoclassicismo são utilizados até hoje em vários tipos de edificação.

A seguir, uma pequena lista com alguns dos mais notáveis arquitetos posteriores a 1400 e obras com elementos greco-romanos planejadas por eles no todo ou em parte.[3]

Renascença
Filippo Brunelleschi (1377/1446), Santa Maria degli Angeli, Florença. Michelozzo Michelozzi (1396/1472), Palazzo Medici Riccardi, Florença. Leon Battista Alberti (1402/72), Basilica di Sant'Andrea, Mântua. Donato Bramante (1444/1514), tempietto da Chiesa di San Pietro, Montorio. Antonio da Sangallo, o Jovem (1485/1546), Palazzo Farnese, Roma. Philibert de L'Orme (1514/70), Chateu Neuf, Saint-Germain-en-Laye. Juan Bautista de Toledo (c. 1515/1567), El Escorial, San Lorenzo. Georg Ridinger (1568/1617), Schloss Johannisburg, Aschafemburgo. Inigo Jones (1573/1652), Queen's House, Londres. Elias Holl (1573/1646), Rathaus, Augsburgo.
Maneirismo
Michelangelo Buonarroti (1475/1564), Biblioteca Medicea Laurenziana, Florença e Basilica di San Pietro, Vaticano [Ilum. 0776]. Baldassarre Peruzzi (1481/1536), Palazzo Massimo alle Colonne, Roma. Giulio Romano (c. 1499/1546), Villa Lante al Gianicolo, Roma. Andrea Palladio (1508/80), Villa Capra (La Rotonda), Vicenza. Cornelis Floris De Vriendt (1514/75), Stadhuis, Antuérpia. Girolamo Cassar (1520/c. 1592), Kon-Katidral ta' San Ġwann, La Valetta (Malta). Filippo Terzi (1520/97) e Baltazar Álvares (1560/1630), Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa.
Barroco
Gian Lorenzo Bernini (1598/1680), Piazza San Pietro, Roma. Pietro da Cortona (c. 1596/1669), Chiesa dei Santi Luca e Martina, Roma. Francesco Borromini (1599/1667), Chiesa di San Carlo alle Quattro Fontane, Roma. François Mansart (1598/1666), Château de Maisons, Paris. Camillo-Guarino Guarini (1624/83), Palazzo Carignano, Turim. Christopher Wren (1632/1723), St. Paul's Cathedral, Londres. Johann Bernhard Fischer von Erlach (1656/1723), Karlskirche, Viena. Jean Baptiste Mathey (1630/1696), Zámek Troja, Praga. João Antunes (1642/1712), Igreja de Santa Engrácia, Lisboa. Pedro de Ribera (1681/1742), fachada do Real Hospicio de San Fernando, Madri. João Frederico Ludovice (1673/1752), Palácio de Mafra. Nicolau Nasoni (1691/1773), Igreja dos Clérigos e sua Torre, Porto. Francisco Pinheiro? (fl. 1686/1708), Igreja de São Francisco, Salvador. Manuel Ferreira Jácome (c. 1677/1736), Concatedral São Pedro dos Clérigos, Recife.
Rococó
Johann Arnold Nehring (1659/1695), Schloss Charlottenburg, Berlim. Matthäus Daniel Pöppelmann (1662/1736), Dresdner Zwinger, Dresden. Francesco Bartolomeo Rastrelli (1700/1771) e outros, Зи́мний дворе́ц = ‘Palácio de Inverno’, São Petersburgo. Mateus Vicente de Oliveira (1706/1786), Palácio de Queluz, Sintra. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738/1814), Igreja de São Francisco de Assis, São João del-Rei (MG). Andreas Mayerhoffer (1690/1771), Grasalkovičov palác, Bratislava.
Neoclassicismo / Renascença grega
Colen Campbell (1676/1729), Stourhead House, Mere (Inglaterra). Henry Flitcroft (1697/1769), Woburn Abbey, Woburn (Inglaterra). Alessandro Galilei (1691/1737), Castletown House, Celbridge (Irlanda). Ange-Jacques Gabriel (1698/1782), Place de la Concorde e Hôtel de Crillon, Paris. William Chambers (1723/1796), Somerset House, Londres. Thomas Jefferson (1743/1826), rotunda da University of Virginia, Charlottesville (EUA). James Hoban (1755/1831), White House, Washington. Juan de Villanueva (1739/1811), Museo del Prado, Madri. Mihály Pollack (1773/1855), Magyar Nemzeti Múzeum, Budapeste. Karl Friedrich Schinkel (1781/1841), Altes Museum, Berlim. William Wilkins (1778/1839), National Gallery, Londres. Robert Smirke (1780/1867), British Museum, Londres. Joseph Georg Kornhäusel (1782/1860), Schloss Weilburg, Baden (Áustria). Henri Labrouste (1801/75), Bibliothèque Sainte-Geneviève, Paris. Fortunato Lodi (1805/83), Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa. José Tibúrcio Pereira Magalhães (1831/96), Theatro da Paz, Belém (PA). Pedro José Pezerát (1801/72), Paço Imperial de São Cristovão, Rio de Janeiro.
Romantismo, ecleticismo e estilos recentes
John Nash (1752/1835), Royal Pavilion, Brighton (Inglaterra). Charles Percier (1764/1838) e Pierre Fontaine (1762/1853), Château de Malmaison, perto de Paris. Charles Bulfinch (1763/1844), Massachusetts State House, Boston. Wilhelm Ludwig von Eschwege (1777/1855), Palácio da Pena, Sintra. Charles Garnier (1825/98), Palais Garnier, Paris. Domingos Parente da Silva (1836/1901), Paços do Concelho de Lisboa, Lisboa. Jonás Larguía (1832/91), Palacio del Congreso, Buenos Aires. Claudio Rossi (1850/1935), Theatro Municipal de São Paulo. Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851/1928), Palácio dos Correios, São Paulo. Adolfo Morales de los Ríos (1868/1928), Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Henry Bacon (1866/1924), Lincoln Memorial, Washington. Adamo Boari (1863/1928), Palacio de Bellas Artes, Cidade do México. Harry Austin Reid e Frederick George Green (c. 1905), City Hall, Cidade do Cabo.

Notas

  1. Vitrúvio (fl. sæc. I), arquiteto romano, trabalhou para Júlio César e para Augusto. Sua fama advém notadamente de um manual baseado em princípios helênicos, o Da Arquitetura, que chegou até nós em dez livros. O texto, redescoberto em 1414, teve grande influência durante o Renascimento. O tratado aborda todos os aspectos da arquitetura, desde os mais complexos, como o planejamento urbano, até os mais simples, como os materiais usados em cada tipo de edifício.
  2. A expressão identifica o estilo neoclássico e eclético ensinado na École des Beaux-Arts, Paris, do final do século XVII até nossos dias.
  3. Alguns edifícios de grande importância na história da Arquitetura, planejados por vários arquitetos (alguns deles anônimos), cuja construção demorou décadas ou séculos e que têm muitas vezes mais de um estilo, não estão incluídos. Esse é o caso de vários edifícios barrocos da Europa e de muitas igrejas barrocas da América do Sul.

Créditos das ilustrações

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Artigo nº 0544
publicado em 27/11/2016.
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RIBEIRO JR., W.A. A arquitetura neoclássica. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0544. Consulta: 24/08/2017.
 
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