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Pouco se sabe de certo sobre Heráclito (gr. Ἡράκλειτος),
exceto que viveu em Éfeso, pertencia à ilustre família dos fundadores da cidade e não
mantinha boas relações com seus concidãos.
Biografia e doutrina
Estima-se que tenha vivido na época da 69ª Olimpíada
(-504/-501), quando Dario I era rei
da Pérsia (-522/-486), e que era mais novo que Xenófanes. A grande maioria
das histórias que existem a seu respeito foram inventadas, já na Antiguidade, a partir
de sua fama de orgulhoso e de misantropo, e são pouco ou nada confiáveis.
Não se sabe se realmente escreveu alguma obra; parece que simplesmente divulgou seus
pensamentos através de um conjunto de máximas.
A obscuridade de suas idéias tornou-se lendária, o que é corroborado
por Platão e ilustrado pelo estilo incisivo, alegórico e oracular dos fragmentos que
sobreviveram. Diógenes Laércio conta que Socrátes, ao lhe perguntarem a respeito do
livro de Heráclito, comentou: "aquilo que consigo compreender é esplêndido, e acho que
o que não compreendo também é" (D.L. 2.22).
De qualquer forma, o que se consegue depreender do pensamento de Heráclito, pelo
menos em seus principais aspectos, é o seguinte:
- a explicação das coisas deve ser buscada no próprio íntimo de cada um;
- ao invés de uma única e imperecível entidade, o mundo é
formado por um incessante conflito de opostos que se transformam constamente uns nos
outros;
- o fogo era a forma arquetípica das coisas que compõem o
mundo, e tinha a capacidade de dirigir tudo.
A despeito do caráter enigmático de suas idéias, Heráclito influenciou decisivamente
aspectos importantes do pensamento de Platão e da doutrina dos filósofos estóicos.
Contribuição à Astronomia
Para Heráclito, os
corpos celestes eram sólidas taças cheias de fogo e a as fases mensais da Lua eram
consequência de uma rotação gradual de sua taça.
Fragmentos e doxografia
Resta-nos um número considerável de fragmentos (125) de Heráclito, mas eles são de
difícil organização e concatenação. Os fragmentos e testemunhos doxográficos mais
importantes são os de Platão (-429/-347), Diógenes Laércio
(200/250), Clemente de Alexandria (150/215), Hipólito de Roma
(170/236), Plutarco (45/125) e Sexto Empírico (c.
190).
Edições e traduções
A editio princeps é a de Henri Estienne (Henricus Stephanus), publicada em
1573. As coletâneas mais importantes são a Karsten (1835), Mullach (1845), Kahn (1979)
e Diels-Kranz (61951).
Em português, a primeira tradução foi a Gerd Bornheim (1989), seguida pelas de Damião
Berge (1969) e Cavalcante de Souza (1973). A edição de Kirk, Raven e Schofield
(41994), traduzida do inglês para o português, traz uma seleção crítica
dos fragmentos e dos testemunhos doxográficos relevantes.
Textos recomendados  Gerd A. Bornheim, Heráclito de Éfeso, in _______, Os
filósofos pré-socráticos, São Paulo, Cultrix, 1967, p. 35-46.
D. Berge, O logos heraclítico. Rio de
Janeiro: INL, 1969.
W. Regis & J.
Cavalcante de Sousa, Heráclito de Éfeso, in J.
Cavalcante de Sousa (org.), Os Pré-Socráticos, São Paulo: Abril
Cultural, 51991, p. 45-74.
E. Carneiro Leão & S. Wrublewski, Os pensadores originários: Anaximandro, Parmênides, Heráclito, Petrópolis, Vozes, 1991.
D. Schüler, Heráclito e seu (dis)curso.
Porto Alegre: L&PM, 2000. ReferênciasConsulte a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. Heráclito de Éfeso. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0258. Consulta: 02/09/2010. |