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LITTERAE
Héracles altera TITVLVS
ΗΡΑΚΛΗΣ
Hercules (Furens)
SIGLA CLASSICA
E. HF.
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 Héracles
ΡΑΚΛΗΣ Héracles, de Eurípides, é uma tragédia muitas vezes chamada de ΗΡΑΚΛΗΣ ΜΑΙΝΟΜΕΝΟΣ ("Héracles Enlouquecido", "Héracles Furioso") desde a Edição Aldina talvez por influência do Hercules Furens de Sêneca.
A peça data aproximadamente de -420/-415. Nada se sabe dos outros dramas que o acompanharam, do concurso em que foi representado pela primeira vez e da premiação obtida.
Hipótese
Durante a ausência de Héracles, então envolvido com o décimo-segundo trabalho, um usurpador mata o rei de Tebas, sogro do herói, e está a ponto de matar também seus filhos, seu pai terreno e sua esposa quando Héracles retorna e salva a situação. A seguir, porém, um acesso de loucura o compele a matar a esposa e os filhos. Voltando a si, horrorizado, o herói está para se matar quando chega o amigo Teseu, rei de Atenas, que o encoraja a viver.
Note-se que o mito, na versão de Eurípides, tem uma cronologia diferente da habitual: o acesso de loucura do herói se dá depois, e não antes dos seus famosos "doze trabalhos".
Dramatis personae
ANFITRIÃO
Antigo rei de Argos, pai de criação de Héracles.
MÉGARA
Filha de Creonte, o falecido rei de Tebas, e esposa de Héracles.
CORO
Velhos tebanos, antigos companheiros de Anfitrião.
LICOS
O usurpador, atual rei de Tebas.
HÉRACLES
Filho de Zeus e de Alcmena; filho de criação de
Anfitrião.
ÍRIS
Mensageira dos deuses, ligada à deusa Hera.
LISSA
A loucura personificada.
SERVIDOR
Um mensageiro.
TESEU
Filho de Egeu; rei de Atenas.
Personagens mudos: três crianças, filhos de Héracles, e servidores de Lico.
Mise en scène
A cena se passa em Tebas. O cenário mostrava a fachada do palácio e a porta, ao ser aberta, provavelmente deixava ver uma coluna. Na frente da porta do palácio, o altar de Zeus Salvador. Íris e Lissa apareciam provavelmente no alto, em um estrado colocado atrás do teto do palácio.
O protagonista representava Anfitrião e Íris; o deuteragonista, Mégara, Lissa e o mensageiro; o tritagonista, Héracles e Lico. Note-se que, devido à falta de um quarto ator, Héracles e Lico não aparecem em cena ao mesmo tempo (Pickard-Cambridge, 1953).
Resumo
A tragédia tem 1428 versos, distribuídos por mais ou menos 57 páginas da edição de Diggle (1981), na qual este resumo se baseou.
Anfitrião, Mégara e os filhos de Héracles se abrigam, como suplicantes, no altar de Zeus. Anfitrião relata que Héracles está ausente, no Hades, em busca do cão de três cabeças, e que Lico assassinou o rei Creonte e agora governa Tebas. O tirano planeja matar os parentes de Creonte para evitar que se vinguem. Mégara está perdendo a esperança, mas Anfitrião mantém a confiança no filho (Prólogo, 1-106).
O coro lamenta a situação (Párodo, 107-139). Lico aparece, menospreza Héracles e avisa que os suplicantes esperam em vão por sua ajuda (1º Episódio, 140-315). Anfitrião refuta Lico, elogiando o filho, e lamenta que os tebanos, antes ajudados por Héracles, não o ajudem agora. Lico ordena que cerquem o altar de lenha e ateiem fogo; o coro lamenta sua velhice e incapacidade de ajudar. Mégara diz a Anfitrião que ninguém jamais retornou do Hades e que prefere morrer de forma digna, não na fogueira (1º Episódio, 316-338). Anfitrião então pede a Lico que matem a ele e a Mégara antes dos meninos e Mégara implora que lhe seja permitido vestir adequadamente os filhos antes da morte; Licos concorda. Anfitrião, desesperado, recrimina Zeus pela injustiça (1º Episódio, 339-347).
O coro elogia Héracles e conta suas façanhas; Anfitrião, Mégara e as crianças saem do palácio, onde haviam entrado (1º Estásimo, 348-450). Mégara diz que estão prontos e recorda, tristemente, os planos de Héracles para os filhos; implora que Héracles se mostre, "mesmo como sombra"; Anfitrião implora a ajuda de Zeus e se despede do coro (2º Episódio, 451-513). Nesse momento, Héracles surge em pessoa (2º Episódio, 514-522).
Informado da situação, o herói mostra espanto, indignação e determinação em acabar com Lico e seus asseclas; mas Anfitrião aconselha-o a ter prudência e a aguardar no palácio, calmamente, pois o tirano viria buscá-los daí a pouco. Héracles abraça a família, conta que teve sucesso no Hades, que também ajudou Teseu a sair de lá e entra com eles no palácio (2º Episódio, 523-636). O coro exulta a juventude, deplora a velhice e entoa uma ode vitoriosa. (2º Estásimo, 637-700). Lico aparece e pergunta por Mégara e pelas crianças; Anfitrião, astutamente, o induz a entrar no palácio. (3º Episódio, 701-733). Enquanto o coro celebra, ouvem-se os gritos e lamentos de Lico. Íris e Lissa aparecem e o coro se assusta (3º Estásimo, 734-821).
As duas divindades contam que Lissa veio para enlouquecer Héracles. Lissa entra no palácio e ouvem-se os gritos de Anfitrião, enquanto o coro lamenta (4º Episódio, 822-909). O mensageiro aparece e descreve com detalhes macabros como, durante um sacrifício de purificação, Héracles enlouquecera e matara Mégara e os três filhos; só não matara Anfitrião por que Palas Atena surgira e o fizera dormir (4º Episódio, 910-1015); o coro se mostra horrorizado (4º Estásimo, 1016-1041).
Héracles acorda nos braços de Anfitrião e, diante da enormidade do que fizera, decide suicidar-se. Chega Teseu que, mesmo informado de tudo, não renega o amigo; consegue dissuadí-lo e o convence a viver e a se mudar para Atenas. Héracles pede a Anfitrião que sepulte a esposa e os filhos, promete voltar para buscá-lo e sai, amparado por Teseu (5º Episódio, 1042-1426). O coro sai a seguir (Êxodo, 1427-1428).
Manuscritos, edições e traduções
As fontes mais importantes do Héracles são os manuscritos Laurentianus xxxii 2 e Laurentianus Conv. soppr. 172. Ambos são do século XIV e estão conservados na Biblioteca Laurenciana de Florença.
A editio princeps é a aldina, de 1503. Das edições mais modernas, as básicas são a de Nauck (1854), a de Kirchhoff (1855) e a de Murray (1910). As mais atualizadas e mais utilizadas atualmente são a de Parmentier & Grégoire (1950), a de Diggle (1984) e a de Kovacs (1998). Aqui, foi utilizado o texto grego que acompanha a edição brasileira da tragédia.
A primeira tradução para o português, ainda inédita, é a de Cândido Lusitano (1719/1773); a primeira tradução publicada, no entanto, é a de Cristina Rodrigues Franciscato (2003).
Selecta
- A indignação de Héracles
Referência
J. Diggle, 'Hercules', in _________, Euripidis fabulae, v. 2. Oxford: Clarendon Press, p. 117-74, 1981.
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- Cristina R. Franciscato, Eurípides. Héracles. São Paulo: Palas Athena, 2003.
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