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Ésquilo / Prometeu Acorrentado 1016-25 e 1043-53

[Aesch.] Pr. 1016-25 et 1043-53 -462 / -459
VOCABULÁRIO
alcantil: rocha escarpada fragoso: áspero, agreste evo: período sem fim, eternidade atassalhar: fazer em pedaços, dilacerar espira: cada volta da espiral imo: no âmago, no lugar mais fundo equóreo: relativo ao alto mar escarcéu: vagalhão
grver
texto original

Os dois trechos selecionados fazem parte da tradução pioneira do Imperador D. Pedro II (1825/1891), versificada pelo Barão de Paranapiacaba (1872/1915).

Note-se o uso da versão latina dos nomes dos deuses, conforme hábito da época: Mercúrio ao invés de Hermes, Jove (Júpiter) ao invés de Zeus. O significado das palavras destacadas, incomuns no vocabulário moderno, foi anotado à direita.

Hermes ameaça Prometeu
MERCÚRIO  O Pai, antes de tudo,  Dos trovões ao fragor, do raio à chama,  Destruirá este alcantil fragoso.  Sob os escombros sumirá teu corpo, 1020  Estatelado em braços de granito.  Tens de voltar à luz, após volvidos  Longos evos. Então, a águia cruenta,  — Cão volátil de Jove —, em mil pedaços  Há de, voraz, atassalhar-te as carnes. 1025  Qual diário conviva, sem convite,  Fará banquete com teu negro fígado. A. Pr. 1016-25
O desdém de Prometeu
PROMETEU  (...)  E, pois, que seja sobre mim vibrada  A bipartida, flamejante espira; 1045  Abalem o éter dos trovões o estrondo  E o sibilante urrar dos soltos ventos;  Medonho furacão sacuda a Terra,  Desde a raiz, nos imos fundamentos;  Equóreos escarcéus, mugindo, invadam 1050  Celestes plainos, onde os astros giram;  E Jove, pelo vórtice arrastado  Da rígida, fatal Necessidade,  Arroje o corpo meu no negro Tártaro;  Em vão! Não tem poder de dar-me a morte. A. Pr. 1043-53