Græcia Antiqua INTRODUÇÃOARTECIÊNCIASFILOSOFIAGEOGRAFIAHISTÓRIALÍNGUALITERATURAMITOLOGIAMÚSICARELIGIÃO
470 palavras

Os pintores dos vasos arcaicos

 
Oceano, Tétis e Ilítia

Mais de 100.000 vasos gregos, se levarmos em conta somente aqueles criados nos Períodos Arcaico e Clássico, foram recuperados pelos arqueólogos nos últimos três séculos. De longe, são os artefatos mais frequentemente encontrados em escavações arqueológicas e seu estudo revelou-se incomparável fonte de informações sobre vários aspectos da cultura grega.

Curiosamente, os autores antigos admiravam os escultores e pintores de painéis, mencionavam suas obras e até mesmo algumas de suas características, mas nada deixaram a respeito dos vasos gregos (Richter 1936, p. xxi-xxii). Tudo o que sabemos a respeito de ceramistas e decoradores de vasos provém de estudos modernos, iniciados no século XVIII com a publicação do catálogo de vasos de Sir William Hamilton (D'Hancarville 1766-1776).

Prancha colorida
Londres 1772,0320.30
D'Hancarville 1766, p. 430-1

A publicação posterior de numerosos catálogos ilustrados de colecionadores particulares, museus e escavações arqueológicas permitiram estudo mais aprofundado das características físicas e estilísticas da cerâmica e de sua iconografia. A assinatura do ateniense Eufrônio em um dos vasos da coleção do Príncipe de Canino foi identificada nas primeiras décadas do século XIX (Witte 1838, p. 110), o que estimulou o interesse pela identificação de ceramistas e pintores. Até hoje, porém, sabemos o nome de pouco mais de uma vintena de pintores de vasos e de vários ceramistas, mas a vasta maioria dos pintores é conhecida por apelidos diversos: Pintor de Cleofrades, Pintor de Hefesto, Pintor do Louvre G 465, etc.

Dada a escassez de assinaturas, a identificação de autores se dá pelo estilo da pintura e por alguns detalhes (e.g. olhos, mãos e orelhas das figuras), técnica preconizada pelo médico e historiador da arte Giovanni Morelli (1816/1891) no século XIX e aperfeiçoada pelo arqueólogo John Beazley (1885/1970), da Universidade de Oxford, que desenvolveu sistemas de identificação em uso até nossos dias.

A principal publicação com detalhadas descrições de vasos gregos conservados por diversas instituições, o Corpus Vasorum Antiquorum (CVA), foi idealizada em 1919 por Edmond Pottier e começou a ser sistematicamente publicada em 1923. Desde então, centenas de livros e artigos especializados sobre os vasos gregos são publicados anualmente (Oakley, 2009).

No Brasil, estudos sobre a cerâmica grega são desenvolvidos e publicados há vários anos por estudiosos do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo.

Referências

Pierre-François Hugues d'Hancarville. Collection of etruscan, greek and roman antiquities from the cabinet of the Hon. W. Hamilton / Antiquités etrusques, grecques et romains, tirées du cabinet de M. Hamilton, 4v. Naples: Morelli, 1766-76. John H. Oakley. Greek vase painting. American Journal of Archaeology, v. 113, 2009, p. 599-627. Gisela M.A. Richter. Red-figured athenian vases in the Metropolitan Museum of Art, v. 1. New Haven: Yale University Press, 1936. [disponível on-line] Jean de Witte. Hercule et Géryon / coupe du musée du Prince de Canino. In: Nouvelles Annales de l'Institut d'Archéologie, t. ii. Paris: Brockhaus et Avenarius, 1838, p. 107-41.

Créditos das ilustrações

i1181Oceano, Tétis e Ilítia → Ver comentários.

Em outras partes do Portal

Links externos

Imprenta

Artigo nº 1177, publicado em 02/06/2019.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Os pintores dos vasos arcaicos. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=1177. Consulta: 20/09/2019.
 
Portal Grécia Antiga ISBN 1679-5709 On-line desde 04/11/1997 f   t   i Sobre o Portal Ajuda FAQs Mapa do site Termos de uso 12/09/2019 ← novidades Contato Outras páginas do autor Créditos
 Wilson A. Ribeiro Jr., 1997-2019