Græcia Antiqua
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Ió, Hermes e Argos
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Outra cena: Hermes, Ió e o cão.
Detalhe de ânfora de figuras negras procedente da Itália.
imagem
“Bibi Saint-Pol”, 2007
licença

A cena representa o mito de , a sacerdotiza de Hera que foi amada por Zeus. , transformada em vaca, é vigiada pelo pastor Argos, à sua direita. Notar, no registro superior, a decoração baseada em múltiplos olhos.

Na Fig. 0908a se vê outra parte da cena: Hermes, à esquerda, com o kerykeion nas mãos, se aproxima sorrateiramente de , mas é notado pelo cão que ajuda Argos a vigiar e o resto do rebanho.

Excurso: A domesticação dos animais

A despeito de evidências arqueológicas pontuais e discutíveis da domesticação de cães e de cavalos pelos caçadores-coletores do Paleolítico e do Mesolítico[1], é praticamente certo que foram as primeiras comunidades agrícolas do Oriente Médio que domesticaram, de forma reiterada e consistente, os animais mais úteis à sua sobrevivência.

Os mais antigos indícios foram encontrados no Crescente Fértil e em áreas próximas, onde abundavam manadas de grandes mamíferos no início do Neolítico: carneiros em Zawi Chemi Shanidar, atual Iraque, 9.000 a.C; cabras em Jericó, atual Israel, e em Ali Kosh, atual Irã, 7.000 a.C; porcos em Sayönü, atual Turquia, 7.000 a.C.; bois em Satal Hüyük, atual Turquia, e em Argissa, Grécia, 6.500 a.C.

Acredita-se que o processo de domesticação começou quando alguns animais mais ousados, em busca de água, comida e abrigo contra predadores naturais, se aproximaram dos povoados neolíticos. O homem estudou seus hábitos, aprendeu a separá-los das manadas, a controlar sua alimentação e sua reprodução e, posteriormente, a utilizá-los como fonte de alimentação e de vestuário (e.g. cabras e porcos), como meio de transporte e também como força de tração (e.g. bois).

Por que alguns animais foram domesticados e outros não? Sabemos que animais domesticados têm várias características em comum, não encontradas nos animais selvagens, e sem dúvida o sucesso desse empreendimento humano reside no fato de nossos ancestrais terem aprendido a reconhecer e a selecionar essas características durante o processo de domesticação.

O resultado, em termos biológicos, é evidente pela mudança das características primitivas dos animais domesticados após milênios de sucessivos cruzamentos. Eis as mais notáveis: diminuição do tamanho do cérebro e do corpo, redução da ferocidade, desenvolvimento de tolerância à proximidade do homem, aumento da produção e da qualidade do leite.

notas
  1. E.g. em La Marche, França, c. 14.000 AP.
referências
V. Gordon Childe, A evolução cultural do homem, 5ª ed., trad. W. Dutra, Rio de Janeiro, Zahar, 1986. Jared Diamond, Evolution, consequences and future of plant and animal domestication, London, Nature, v. 418, 2002, p. 701-7. Carlos A. Driscoll. David W. Macdonald and Stephen J. O’Brien, From wild animals to domestic pets, an evolutionary view of domestication, Washington, Proceeding of the National Academy of Sciences, v. 106, suppl. 1, 2009, p. 9971–8. Chris Middleton (ed.), A aurora da humanidade, Rio de Janeiro, Abril Livros, 1993.
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Ilustração nº 0908
publicada em 26/03/2008. atualização: 13/06/2011.
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RIBEIRO JR., W.A. Ió, Hermes e Argos. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/img.asp?num=0908. Consulta: 24/04/2017.
 
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