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Ió, Hermes e Argos

-540/-530

Ânfora “Northampton” de figuras negras. Vulci / detalhe da cena

Grupo Northampton

 
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detalhe da cena.
 
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Outra cena: Hermes, Ió e o cão
AcervoMunique, Coleções Estatais de AntiguidadesInventário585Imagem“Bibi Saint-Pol”, 2007Fonte / ©Wikimedia CommonsLicençaDomínio públicoIluminura0908

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A cena representa o mito de , a sacerdotiza de Hera que foi amada por Zeus. , transformada em vaca, é vigiada pelo pastor Argos, à sua direita. Argos tem um terceiro olho perto do ombro esquerdo; notar, no registro superior, a decoração baseada em múltiplos olhos.

Na Fig. 0908a se vê outra parte da cena: Hermes, à esquerda, com o kerykeion nas mãos, se aproxima sorrateiramente de , mas é notado pelo cão que ajuda Argos a vigiar e o resto do rebanho.

Excurso: A domesticação dos animais

A despeito de evidências arqueológicas pontuais e discutíveis da domesticação de cães e de cavalos pelos caçadores-coletores do Paleolítico e do Mesolítico[1], é praticamente certo que foram as primeiras comunidades agrícolas do Oriente Médio que domesticaram, de forma reiterada e consistente, os animais mais úteis à sua sobrevivência.

Os mais antigos indícios foram encontrados no Crescente Fértil e em áreas próximas, onde abundavam manadas de grandes mamíferos no início do Neolítico: carneiros em Zawi Chemi Shanidar, atual Iraque, 9.000 a.C; cabras em Jericó, atual Israel, e em Ali Kosh, atual Irã, 7.000 a.C; porcos em Sayönü, atual Turquia, 7.000 a.C.; bois em Satal Hüyük, atual Turquia, e em Argissa, Grécia, 6.500 a.C.

Acredita-se que o processo de domesticação começou quando alguns animais mais ousados, em busca de água, comida e abrigo contra predadores naturais, se aproximaram dos povoados neolíticos. O homem estudou seus hábitos, aprendeu a separá-los das manadas, a controlar sua alimentação e sua reprodução e, posteriormente, a utilizá-los como fonte de alimentação e de vestuário (e.g. cabras e porcos), como meio de transporte e também como força de tração (e.g. bois).

Por que alguns animais foram domesticados e outros não? Sabemos que animais domesticados têm várias características em comum, não encontradas nos animais selvagens, e sem dúvida o sucesso desse empreendimento humano reside no fato de nossos ancestrais terem aprendido a reconhecer e a selecionar essas características durante o processo de domesticação.

O resultado, em termos biológicos, é evidente pela mudança das características primitivas dos animais domesticados após milênios de sucessivos cruzamentos. Eis as mais notáveis: diminuição do tamanho do cérebro e do corpo, redução da ferocidade, desenvolvimento de tolerância à proximidade do homem, aumento da produção e da qualidade do leite.