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Hipócrates / Preceitos

ἢν γὰρ παρῇ φιλανθρωπίη, πάρεστι καὶ φιλοτεχνίη.
Hp. Praec. 6

Onde está presente o amor ao homem está também presente o amor à arte.

 

Preceitos’ (gr. Παραγγελίαι), assim como o tratado Do Decoro, é um texto mal conservado e um tanto obscuro. Ele parece pertencer ao grupo de tratados mais tardios da coleção hipocrática e, com base no vocabulário e no estilo, pode ser situado com razoável probabilidade no século I ou II. Há uma certa similaridade entre os tratados Do Médico, Do Decoro e Preceitos; seus autores eram, porém, pessoas diferentes. A julgar pelo deficiente entrosamento entre diversos parágrafos, é possível ainda que estejamos diante de uma coletânea de diversos autores.

O texto se parece com uma aula ou conferência preparada por um médico experiente em benefício de estudantes e/ou médicos mais jovens. O estilo é sentencioso e um tanto obscuro, mas as informações transmitidas são importantes não só para a história da medicina, mas também para a história da ciência.

Resumo

O tratado tem 14 parágrafos e ocupa 11 páginas da edição de Jones (1923), na qual este resumo se baseia.

Pode-se dividir o tratado em três seções: a primeira (1-2) trata da natureza do conhecimento adquirido e sua aplicação à medicina; a segunda (3-13) é dedicada à ética médica; a terceira (14), não resumida aqui, é um conjunto de frases um tanto desconexas.

Há uma importante diferença entre o conhecimento obtido pela elocubração teórica e o conhecimento decorrente da aplicação do raciocínio em fatos adequadamente observados (1); a arte médica depende, obrigatoriamente, de fatos observados e organizados com cuidado (2).

É preciso determinar o tratamento antes de oferecê-lo ao doente (3). Não se deve ter pressa em cuidar dos honorários, pois o doente pode piorar, o que afeta a reputação do médico; é melhorar reprovar quem se curou do que tirar dinheiro de quem está doente (4-5). Deve-se levar em conta os recursos do doente e às vezes trabalhar de graça; cuidar do doente e também de si mesmo (6). Os que preconizam tratamentos sem recorrer à arte (da medicina) são incapazes disso, e muitos doentes acreditam neles (7).

Em casos difíceis, é preciso chamar outros médicos para colaborar e os médicos chamados precisam se respeitar (8). Evitar sempre que o paciente se perturbe, oferecer todos os recursos da medicina (9), não usar bandagens fantasiosas (10), ter os instrumentos organizados (11), ao fazer conferências evitar rebuscamentos inúteis (12). Cuidado com os médicos que estudaram sem ter predisposição natural (13).

Manuscritos, edições e traduções

Assim como o tratado Do Decoro, a única fonte de Preceitos é o manuscrito Marcianus Venetus 269 da Biblioteca de São Marcos, Veneza, datado do século XI. O texto tem problemas sérios em cada parágrafo e a maioria deles chega a ser totalmente incompreensível.

A edição princeps do tratado foi publicada por Aldus Manutius em Veneza em 1526. Das edições modernas, as mais importantes são a de Littré (1861), a de Heiberg (1927), a de Fleischer (1939) e a de Jones (o.c.), esta a mais acessível e utilizada aqui.

A primeira tradução para o português foi efetuada por mim e publicada em 2005.

Referências

W.H.S. Jones, Hippocrates, v. 1, Cambridge and London, Harvard University Press, 1923.

Leitura complementar brpt

Wilson A. Ribeiro Jr., Preceitos, in Henrique F. Cairus & _________, Textos Hipocráticos: o doente, o médico e a doença, Rio de Janeiro, Fiocruz, 2005, p. 211-28.

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Imprenta

Artigo nº 0480
publicado em 27/07/2003. Atualização: 02/08/2005.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Hipócrates / Preceitos. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0480. Consulta: 28/06/2017.
 
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