Luciano de Samósata

Λουκιανὸς Σαμοσατεύς Lucianus Sophista Lucian.
(Era) um homem que via o mundo através do ceticismo e cuja profissão era a sátira.
Albin Lesky, 1995

Prolífico prosador grego, incansável crítico da literatura grega e da sociedade da sua época.

Sumário

Vida

Nasceu por volta de 125 em Samósata, na província romana da Síria (atual Samsat, Turquia), e morreu um pouco depois de 181; seu apogeu pode ser situado durante o reinado de Marco Aurélio, entre 161 e 180.

Era provavelmente de origem semita e sua língua materna deve ter sido o aramaico; como muitos outros intelectuais da Época Imperial, aprendeu a língua grega nos bancos escolares.

Todas as outras informações de que dispomos provêm essencialmente da Suda e de seus próprios escritos; para muitos eruditos, não são totalmente confiáveis. Segue um breve resumo dos principais itens.

miniaturaLuciano

De origem modesta, teria sido aprendiz do próprio tio, um escultor, e mais tarde dedicou-se ao estudo da retórica, da sofística e se tornou advogado bem sucedido, possivelmente em Antióquia (c. 150). Viajou bastante, visitando a Grécia, a Macedônia, a Trácia, o sul da Itália e da Gália e, já maduro, fixou-se em Atenas.

Posteriormente voltou a viajar e passou seus últimos anos em Alexandria, Egito, onde exerceu importante cargo público na Prefeitura romana.

Luciano influenciou alguns dos mais importantes escritores ocidentais contemporâneos, notadamente Erasmo, Quevedo, Rabelais, Swift, Voltaire e Machado de Assis.

Obras sobreviventes. Sinopses

Chegaram até anós cerca de 80 obras atribuídas a ele, conhecidas em conjunto por corpus lucianeum, ‘coleção luciânica’, mas há um número considerável de textos apócrifos ou de autoria duvidosa.

Podemos agrupar os textos do corpus da seguinte forma (são citados apenas alguns exemplos):

  • declamações
    Elogio da Mosca, Julgamento das Vogais, Elogio da Pátria;
  • Diálogos satíricos
    Diálogos dos mortos, Diálogos dos deuses, Diálogos das cortesãs, Assembleia dos deuses, Caronte, Menipo, Hermotimo, Amigo da mentira, Zeus tragediógrafo, Leilão de vidas;
  • Panfletos e escritos didáticos
    O mestre de retórica, A morte de Peregrino, Como se deve escrever História;
  • Escritos romanescos
    História Verdadeira e Eu, Lúcio;
  • Poesias
    Pé-ligeiro, Epigramas.

Além dos dois textos romanescos, dominados por elementos fantásticos que antecipam numerosos temas de ficção científica popularizados no século XX, os textos luciânicos mais importantes são, indubitavelmente, os diálogos satíricos.

Por enquanto, está disponível no Portal:

Características da obra

A obra de Luciano reúne um heterogêneo conjunto de bem elaboradas sátiras em prosa. São notáveis tanto as sátiras filosóficas como as religiosas, sociais, morais e literárias; em todas se destaca o repúdio constante aos impostores, aos ignorantes e aos crédulos.

Dotado de sólida cultura clássica e de espírito crítico, agudo e racional, além de ironia e sarcasmo arrasadores, Luciano criticou praticamente todo mundo: deuses e heróis, ricos e pobres, intelectuais e ignorantes, trabalhadores e parasitas, escritores e leitores, médicos e pacientes. Os filósofos, porém, eram um de seus alvos prefenciais.

Luciano fez do “diálogo satírico” um gênero literário efetivamente original, a despeito da óbvia influência dos diálogos de Platão, da Comédia Nova, da sátira menipeia e, em certa extensão, do mimo helenístico.

Grande prosador, escreveu no dialeto ático típico do Período Clássico. Seu estilo, simples mas vivo, tem frases curtas e habilmente construídas; a argumentação é clara e bem concatenada. As conversas dos personagens são leves, naturais, incisivas e, naturalmente, muito espirituosas.

Manuscritos, edições e traduções

Existem cerca de 150 manuscritos conhecidos, reunidos em dois grupos: o primeiro grupo é encabeçado pelo Vaticanus 90 (Biblioteca do Vaticano, sæc. IX-X), e o segundo pelo Vindobonensis 123 (sæc. XI). O mais antigo é o Vaticanus 1324 (Biblioteca do Vaticano, sæc. XI-XII), do segundo grupo. Nenhum deles é particularmente melhor do que os demais.

A editio princeps foi preparada por Lascaris e publicada por Alopa em Florença, 1496. Posteriormente, vieram as edições completas de Hemsterhuys-Reitz (1743, com uma tradução latina), Lehmann (1822-1831), Jacobitz (1836-1841), Nilén (1906-1923); mais fáceis de acessar são as de Harmon (1913) e de Macleod (1961). Há várias edições incompletas, publicadas nos últimos 200 anos. Em 1993, a Belles Lettres começou a editar Luciano; já foram publicados três volumes, 25 textos no total.

Dispomos apenas de traduções isoladas das obras de Luciano.