Novo Testamento / Epístolas

Seção: literatura grega
Ἐπιστολαί Epistulae Ep.
iiniPaulo de Tarso (10/65)

As 21 cartas ou epístolas[1] do Novo Testamento foram escritas por vários autores, em diferentes épocas, e nem todas têm a estrutura formal de uma carta. Todas são escritos de circunstância, endereçados a pessoas ou grupos de pessoas e consistem, principalmente, de conselhos e instruções cristãs.

É provável que nenhuma delas tenha sido escrita, especificamente, pelo próprio autor; naquela época, era muito mais comum que as cartas fossem ditadas e escritas por escribas profissionais ou por secretários — v.g. Silvano, secretário de Pedro (1 Ep. Pet. 5.12). A única exceção parece ser a Epístola a Filêmon (Ep. Philem. 19); acredita-se que foi escrita por Paulo em pessoa, da prisão.

Estrutura básica

As epístolas bíblicas têm a mesma estrutura formal das cartas escritas pelos gregos durante o Período Helenístico: cabeçalho, mensagem, saudação final.

  1. Cabeçalho: nome do remetente e do destinatário, saudação inicial;
  2. Mensagem: agradecimento, preces, orientações, explanações;
  3. Saudação final: do próprio autor e, às vezes, também de amigos e conhecidos mútuos.

Paulo e as epístolas paulinas

Paulo (ou Saulo) de Tarso (gr. Σαῦλος ou Παῦλος), ‘São Paulo’, é a mais conhecida das figuras históricas do NT. Era um cidadão romano de origem judia que nasceu em Tarso por volta de 10 e se converteu ao cristianismo por volta de 33. Seu nome original, em hebraico, era Saulo de Tarso (שאול התרסי‎, Šaʾul HaTarsi)

Incansável viajante, desenvolveu intensa atividade missionária e foi um dos grandes responsáveis pela difusão da fé cristã nos primeiros tempos. Preso pelos romanos e mantido no cárcere em Éfeso (56/57), Cesareia (58/60) e Roma (61/63), foi finalmente executado nessa última cidade por volta de 65.

As quatorze cartas tradicionalmente atribuídas a ele foram escritas entre 50 e 65, provavelmente; apenas nove ou dez, porém, são realmente de sua autoria. Distinguem-se cartas escritas durante a atividade missionária, cartas do cativeiro, escritas na prisão, e cartas pastorais, destinadas à disciplina das comunidades cristãs.

Missionárias
aos Romanos, aos Coríntios (primeira e segunda), aos Gálatas, aos Tessalonicenses (primeira e segunda);
Do cativeiro
aos Filipenses, aos Colossenses, a Filêmon e aos Efésios;
Pastorais
a Timóteo (primeira e segunda), a Tito.

A Epístola aos Hebreus hoje é universalmente considerada obra de outro autor, anônimo. Ainda pairam dúvidas sobre a autoria das epístolas aos Tessalonicenses, aos Colossenses, aos Efésios e sobre a autoria das epístolas pastorais.

A mais importante de todas é a Epístola aos Romanos, datada de 57/58, que exerceu grande influência na doutrina cristã e também na Filosofia Ocidental.

Epístolas não paulinas

As sete (oito, com a epístola aos Hebreus) epístolas não paulinas são conhecidas como "católicas" ou "universais":

  1. Epístola aos Hebreus [Ilum. 0081]
  2. Epístola de Tiago
  3. Epístola de Pedro
  4. Epístolas de Pedro (primeira e segunda)
  5. Epístola de João (primeira, segunda, terceira)
  6. Epístola de Judas

Embora atribuídas a Tiago, Pedro, João e Judas, a autoria é muito controvertida; na prática, pode-se dizer que são de autoria desconhecida.