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Flávio Josefo / Contra Ápio 1.7-13

Joseph. Ap. 1.7 e 10-3c. 97
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texto original

Passagem sobre os primeiros historiadores gregos, os logógrafos, traduzida por Rubens dos Santos (1986).

A numeração usada pelo tradutor, mantida aqui, é ligeiramente diferente da disposição do texto grego original na edição padrão.

Os primeiros historiadores da Grécia

7. Para os gregos tudo é novidade. Tudo, para eles, é de ontem ou de anteontem, como alguém já o disse, uma vez que já encontraram tudo pronto: da fundação das cidades e invenções técnicas até os códigos de leis. E, de todas as coisas novas, a mais nova, talvez, para eles, seja escrever história.

10. Já a terra grega sofreu desastres que bastariam para anular-lhe a memória. Assim, sempre que reassentavam suas vidas, presumiam que tudo estava começando por eles. Só muito tarde e com muita dificuldade conheceram as letras. Mas, como querem vangloriar-se de um longo uso delas, atribuem sua tradição aos fenícios e a Cadmo.

11. Mas, daquele tempo, ninguém apresenta qualquer registro, seja nos templos, seja nos anais públicos. Nem com relação aos expedicionários de Troia souberam diminuir a dificuldade da investigação sobre se sabiam escrever. É mais que provável que ignorassem o uso da escrita.

12. O texto escrito mais antigo dos gregos é o dos poemas de Homero que, é claro, nasceu muito depois da guerra de Troia. E, mesmo assim, dizem que não deixou os poemas por escrito, mas que foram compilados de memória. Daí, até, as muitas divergências resultantes.

13. Quanto aos demais que, entre eles, empreenderam escrever história, como Cadmo de Mileto[1], Acusilau de Argos e alguns mais que dizem que houve, só existiram pouco tempo antes da expedição dos persas contra a Grécia.